Começamos 2026, ano de Copa do Mundo e eleições gerais no país e nos Estados com um importante fato no cenário internacional: a invasão da Venezuela pelos Estados Unidos, com a captura e prisão do presidente Nicolás Maduro. Logicamente, a ação provocou repercussão mundo afora.
Aqui no Brasil não foi diferente. No principal segmento oposicionista, ou seja, o bolsonarismo, tivemos duas reações próximas e ao mesmo tempo distintas. Pré-candidato à presidência da República, o filho “01” do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro, desde a prisão de Maduro tem procurado e tentado lincá-lo ao presidente Lula, na tentativa de desgastá-lo.
Por outro lado, um outro Nikolas, que não o Maduro e com K, foi além. O jovem deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), ao elogiar a ação norte-americana no país vizinho, sugeriu que o mesmo acontecesse no Brasil. Ou seja: que houvesse uma intervenção dos EUA, logo, estrangeira, no país.
Nikolas não foi o primeiro representante da extrema-direita brasileira a defender uma intervenção dos EUA. Há pouco tempo, o senador Flávio Bolsonaro, por meio de suas redes sociais, sugeriu que os EUA enviassem aviões militares para atacar embarcações suspeitas de envolvimento com o tráfico de drogas na Baía de Guanabara.
Sem contar as falas e ações do hoje ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos a favor do tarifaço contra a economia brasileira e de sanções norte-americanas contra autoridades do país.
São posições no mínimo curiosas, para não dizer contraditórias. Juram ser patriotas, mas não se privam de, sempre que possível, clamar por intervenções estrangeiras no país. Se dizem democráticos, mas tentam boicotar as eleições de qualquer jeito.
Depois de várias tentativas de representantes da extrema-direita de não reconhecer o resultado do pleito de 2022 – como os acampamentos na frente de quartéis, bloqueio de estradas, os atos de 8 de janeiro e a tentativa de golpe – outros, incluindo parlamentares, não se cansam de pedir ajuda estrangeira para tomar o poder.