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Guerra contra a verdade

De Giovani Gafforelli, para Coletiva.net

A resposta do presidente do Grêmio sobre a situação financeira do clube era a oportunidade perfeita para reorganizar narrativas, reduzir tensões e demonstrar responsabilidade institucional. Mas, em vez disso, o texto entregue à imprensa transformou-se em combustível. O que deveria ser um comunicado técnico virou um desabafo emocional, cheio de ataques e improvisos, reforçando a percepção de descontrole em um momento em que o clube mais precisava de serenidade. O primeiro erro é básico: confundir comunicação de crise com desabafo pessoal. Em qualquer instituição séria, uma nota oficial deve apresentar fatos verificáveis, contextualização objetiva e um plano de ação claro. O documento publicado por Alberto Guerra faz o contrário. É longo, redundante, recheado de justificativas circulares e incapaz de oferecer uma narrativa institucional sólida. O leitor não encontra técnica, apenas frustração. O segundo erro é ainda mais grave: atacar a imprensa e parte da torcida como se fossem responsáveis pela crise financeira atual. Ao recorrer a expressões como "cornetinhas recalcados", "filhos de chocadeiras" e "irmãos metralhas", o presidente opta por personalizar conflitos e transformar adversários em inimigos. Esse tipo de retórica não só é incompatível com a postura de um dirigente de clube centenário, como desvia a atenção do ponto central: a gestão falhou. E falhou tanto que hoje precisa explicar, de forma improvisada, por que a dívida do Grêmio explodiu enquanto o desempenho esportivo despencava. Quando um líder tenta responsabilizar jornalistas pela crise, revela fraqueza. Não existe clube grande sem crítica, sem escrutínio e sem imprensa vigilante. O jornalismo esportivo não inventou a dívida, não negociou contratos mal dimensionados, não demitiu treinadores caros em sequência, não criou passivos com empresários. A função da imprensa é fiscalizar, e quanto maior a crise, maior a necessidade de transparência. Guerra preferiu atacar o mensageiro porque não conseguiu explicar a mensagem. Além dos ataques, o texto falha tecnicamente ao misturar conceitos financeiros, apresentar números sem referências e confundir dívidas, investimentos e fluxo de caixa. A tentativa de transformar empréstimos em "endividamento saudável" soa como maquiagem de narrativa para justificar erros acumulados. Se existe um "filme" melhor do que a "fotografia", como o presidente diz, caberia a ele apresentar esse filme - com dados, documentos e plano de correção - e não com metáforas que soam desesperadas. Ao final, o comunicado expõe mais do que tenta esconder: uma gestão que perdeu o controle da narrativa e, pior, da própria capacidade de comunicar. Em vez de pacificar o ambiente e mostrar profissionalismo, Alberto Guerra escolheu elevar o tom, criar inimigos imaginários e atacar exatamente quem tem a obrigação social de fiscalizar o poder. A crise financeira do Grêmio não nasceu na imprensa. Mas a crise de comunicação, essa sim, foi fabricada dentro do gabinete presidencial. Também não podemos fechar os olhos para outro ponto importante. Como jornalista me assusto com a ausência de manifestações das entidades que deveriam proteger os profissionais da imprensa como ACEG/RS, SindJor/RS e até da Fenaj. Instituições muito ativas na pauta ideológica e pouco ativas nas suas atribuições de fato. Sempre que estes profissionais precisam ser defendidos as entidades desaparecem. Mas na hora de cobrar o imposto sindical ou a contribuição não esquecem de ninguém, e por esse motivo não sou filiado a nenhuma dessas instituições. Giovani Gafforelli é jornalista e Assessor de Comunicação da Bancada do NOVO na Câmara de Porto Alegre.

A resposta do presidente do Grêmio sobre a situação financeira do clube era a oportunidade perfeita para reorganizar narrativas, reduzir tensões e demonstrar responsabilidade institucional. Mas, em vez disso, o texto entregue à imprensa transformou-se em combustível. O que deveria ser um comunicado técnico virou um desabafo emocional, cheio de ataques e improvisos, reforçando a percepção de descontrole em um momento em que o clube mais precisava de serenidade.

O primeiro erro é básico: confundir comunicação de crise com desabafo pessoal. Em qualquer instituição séria, uma nota oficial deve apresentar fatos verificáveis, contextualização objetiva e um plano de ação claro. O documento publicado por Alberto Guerra faz o contrário. É longo, redundante, recheado de justificativas circulares e incapaz de oferecer uma narrativa institucional sólida. O leitor não encontra técnica, apenas frustração.

O segundo erro é ainda mais grave: atacar a imprensa e parte da torcida como se fossem responsáveis pela crise financeira atual. Ao recorrer a expressões como “cornetinhas recalcados”, “filhos de chocadeiras” e “irmãos metralhas”, o presidente opta por personalizar conflitos e transformar adversários em inimigos. Esse tipo de retórica não só é incompatível com a postura de um dirigente de clube centenário, como desvia a atenção do ponto central: a gestão falhou. E falhou tanto que hoje precisa explicar, de forma improvisada, por que a dívida do Grêmio explodiu enquanto o desempenho esportivo despencava.

Quando um líder tenta responsabilizar jornalistas pela crise, revela fraqueza. Não existe clube grande sem crítica, sem escrutínio e sem imprensa vigilante. O jornalismo esportivo não inventou a dívida, não negociou contratos mal dimensionados, não demitiu treinadores caros em sequência, não criou passivos com empresários. A função da imprensa é fiscalizar, e quanto maior a crise, maior a necessidade de transparência. Guerra preferiu atacar o mensageiro porque não conseguiu explicar a mensagem.

Além dos ataques, o texto falha tecnicamente ao misturar conceitos financeiros, apresentar números sem referências e confundir dívidas, investimentos e fluxo de caixa. A tentativa de transformar empréstimos em “endividamento saudável” soa como maquiagem de narrativa para justificar erros acumulados. Se existe um “filme” melhor do que a “fotografia”, como o presidente diz, caberia a ele apresentar esse filme – com dados, documentos e plano de correção – e não com metáforas que soam desesperadas.

Ao final, o comunicado expõe mais do que tenta esconder: uma gestão que perdeu o controle da narrativa e, pior, da própria capacidade de comunicar. Em vez de pacificar o ambiente e mostrar profissionalismo, Alberto Guerra escolheu elevar o tom, criar inimigos imaginários e atacar exatamente quem tem a obrigação social de fiscalizar o poder. A crise financeira do Grêmio não nasceu na imprensa. Mas a crise de comunicação, essa sim, foi fabricada dentro do gabinete presidencial.

Também não podemos fechar os olhos para outro ponto importante. Como jornalista me assusto com a ausência de manifestações das entidades que deveriam proteger os profissionais da imprensa como ACEG/RS, SindJor/RS e até da Fenaj. Instituições muito ativas na pauta ideológica e pouco ativas nas suas atribuições de fato. Sempre que estes profissionais precisam ser defendidos as entidades desaparecem. Mas na hora de cobrar o imposto sindical ou a contribuição não esquecem de ninguém, e por esse motivo não sou filiado a nenhuma dessas instituições.

Giovani Gafforelli é jornalista e Assessor de Comunicação da Bancada do NOVO na Câmara de Porto Alegre.

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