1 – Quem é você, de onde vem e o que faz?
Ananda Franco Garcia. Sou natural de Porto Alegre, embora tenha sido criada em Canoas. Formei-me em Jornalismo pela Unisinos em 2013 e dois anos depois fiz especialização em Marketing Estratégico no mesmo local. Trabalhei por cerca de quatro anos em veículos de rádio e TV (entre estágios e empregos).
Desde outubro de 2016, vivo em Portugal e por aqui trabalhei no Marketing de empresas portuguesas e internacionais. Nos últimos dois anos e meio, estive envolvida com a área de podcasts – o que acabou sendo uma ironia do destino, já que mais de 10 anos atrás eu tirava o registro de locutora para trabalhar com rádio, que era a minha paixão. Hoje estou à frente do ‘A Era do Áudio’ (AEA) e presto consultoria tanto na área de criação de podcasts quanto na área de Marketing de conteúdo para empresas estrangeiras que querem lançar a sua marca nos mercados brasileiro ou português.
2 – Quando decidiu morar fora do Brasil?
Esta era uma vontade que estava em mim desde que me conheço por gente. Boa parte da minha família é da área da aviação, incluindo o meu pai, então, viajar para outros países e conhecer novas culturas (mesmo que a trabalho) sempre esteve presente na minha vida. O problema é que quando eu era criança/adolescente, eu queria ser correspondente internacional. Não demorou muito para eu perceber que, pelo menos naquela época, esse era um cargo sênior e dificilmente eu seria uma correspondente internacional recém-formada.
Aos poucos, eu percebi que a minha vontade de morar fora era mais forte que o desejo de trabalhar em uma redação, por exemplo, e, então, fiz a minha escolha: recalculei a rota e migrei para o Marketing (sempre pensando mais na área de criação de conteúdo e nunca deixando pra trás a paixão pelo audiovisual, claro).
Assim que decidi mudar os planos, descobri a AIESEC – plataforma internacional que possibilita o desenvolvimento pessoal e profissional de jovens estudantes através de programas de trabalho em equipe, liderança e intercâmbio. E foi assim que migrei para Portugal, que por acaso estava no fim da minha lista de opções, mas foi a terra que me proporcionou muitas oportunidades.
3 – Como está a produção do ‘Na Era do Áudio’?
Bom, este é o meu segundo podcast. Durante dois anos e meio, eu tive o ‘Caravela Brasileira’, que era um projeto mais experimental e com algumas limitações técnicas. Eu e a minha co-host (coapresentadora) fazíamos mais pela vontade de compartilhar experiências sobre viver em Portugal. Já neste momento, sinto que tenho uma relação diferente, pois ele me dá a oportunidade de conhecer pessoas que fazem trabalhos incríveis no setor do áudio (podcasters, editores, sound designers, dubladores e jornalistas) com as quais aprendo muito a cada entrevista.
Também faço o ‘AEA’, com a missão de discutir, dar visibilidade aos profissionais e disponibilizar conteúdos sobre a indústria do áudio em língua portuguesa para os entusiastas e jovens profissionais da área. E é claro que o podcast também acaba sendo um cartão de visita para o meu trabalho. Acredito que os nossos ouvidos valem muito, e por todos esses motivos faço esse projeto com tanta paixão.
4 – Que desafios encontrou ao trabalhar fora do País?
Acredito que em todas as experiências que tive o fator cultural e do relacionamento com as pessoas seja o mais desafiador, ainda mais quando não se tem colegas brasileiros, como foi o meu caso. Particularmente, como estrangeira, prefiro ambientes multiculturais do que ambientes de trabalho em que há só uma nacionalidade, como foi o que aconteceu na startup que trabalhei em Coimbra. Lá só havia portugueses, e era mais difícil quebrar certas barreiras.
As outras experiências foram em empresas multiculturais, então foi uma dinâmica mais interessante, pois há uma troca maior. A gente aprende a navegar e se diverte. Um fato que me chamou atenção no ambiente de trabalho português foi a formalidade. Eu precisava enviar um release para um veículo de Comunicação e o meu chefe disse que eu precisava chamar o jornalista da redação de “doutor”. Sem contar que não se pode tratar por “tu.” Essas vivências foram chocantes, mas faz parte. Por outro lado, há pontos muito positivos. Na europa, eu vejo uma maior relação de confiança entre empregador e funcionário. Pelo menos, essa foi a minha experiência até agora.
5 – Quais são seus planos para daqui a cinco anos?
Em cinco anos (idealmente, antes disso!) eu espero trabalhar exclusivamente com áudio. Quem sabe tocando a minha produtora de podcasts narrativos e, de preferência, colaborando com grandes produções brasileiras e internacionais do gênero narrativo de não ficção, que é uma área que gosto muito. Também gostaria de auxiliar pessoas a utilizarem o podcast como uma mídia de Comunicação local/comunitária. Se ainda estarei em Portugal, o meu palpite é que não mais! Acho que ainda vou fazer muitos projetos legais na minha área no Brasil.