Cinco Perguntas

Cinco perguntas para André Kieling

Profissional é vice-presidente do Comitê de Branding & Conteúdo da Associação Brasileira de Anunciantes

1 – Quem é você, de onde vem e o que faz? 

Sou o André Kieling, violeiro, amante de música, churrasco e do Inter. Sou casado com a Bruna e estou em vias de ser pai pela primeira vez (previsão novembro de 2021). Meu maior sonho é conhecer todos os continentes do mundo (estou em 50% desta meta). Valorizo demais a experiência e a emoção nas coisas. O sentir e fazer sentir. Talvez por isso a música, a arte e o audiovisual também me fascinam. Tive o privilégio de crescer em uma família grande e complexa, cheia de ótimas referências e inspirações, que sempre me empoderou e estimulou a buscar meu próprio caminho, sem medo.  

Nasci em Porto Alegre e desde 2012 moro em São Paulo. Em uma sexta-feira de janeiro recebi o diploma de Administração no salão de atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e já na segunda-feira seguinte embarquei para a capital paulista, onde iniciei como trainee em uma marca brasileira de materiais esportivos. Ao longo do caminho, aprofundei-me em gestão e estratégia de marcas. 

Atualmente, estou gerente de Brand & Insights na Bauducco, uma empresa incrível que respira branding e valoriza muito a construção da própria marca. Recentemente, assumi a vice-presidência do Comitê de Branding e Conteúdo da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) e também faço parte dos jurados da categoria de Branding do Prêmio Brasil Design Award 2021, organizado pela Abedesign – Associação Brasileira de Empresas de Design. 

2- Quais seus objetivos como vice-presidente do Comitê de Branding & Conteúdo da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) e qual a importância deste comitê? 

A ABA consegue reunir profissionais incríveis dos maiores anunciantes do Brasil para analisar e debater assuntos importantíssimos, promovendo trocas de conhecimento muito ricas. Temos como missão elevar o nível do mercado e garantir que todo o investimento em Comunicação e Mídia seja traduzido em relevância para o consumidor. Isso significa identificar e debater tensões culturais, compartilhar cases e melhores práticas sobre conteúdo e, principalmente, dar espaço e evidência para pessoas e organizações inspiradoras. 

Participar da ABA e do Comitê de Branding e Conteúdo é, para mim, uma forma de contribuir para uma transformação positiva da sociedade pela Publicidade. Acredito muito que é nosso dever inspirar a evolução de pautas que tornem o mundo um lugar melhor. Meu maior objetivo é colaborar para que tenhamos cada vez mais cases criativamente inovadores, relevantes, de grande impacto e que façam as pessoas sentirem-se mais felizes.   

3-  Graduado em Administração, quando e por que decidiu trabalhar com a área de Marketing? 

Sempre tive o Marketing como objetivo final da formação em Administração por ver neste espaço uma maior receptividade à criatividade e pensamento estratégico. Já a paixão por Branding especificamente acabou se cristalizando em mim por conta de um acidente.  

Em 2009, fiz uma road trip entre Los Angeles e Seattle, nos Estados Unidos. No caminho de volta, meu carro quebrou no meio do nada, em uma estrada chuvosa próxima à cidade de Portland. Como era um sábado véspera de feriado, todas as oficinas relativamente próximas estavam fechadas e eu tive que dormir duas noites no carro quebrado, estacionado em um paradouro de beira de estrada no qual os únicos estabelecimentos eram uma Starbucks, cujo wi-fi serviu para meus pedidos de ajuda, um supermercado coreano no qual comi o frango mais picante de toda a minha vida, e uma Goodwill – uma espécie de loja do exército da salvação que revende doações. Nesta última, ao procurar um livro para passar o tempo até a segunda-feira, acabei pegando um Harvard Business Review on Brand Management. Basicamente, um compilado de cases de Harvard sobre estratégia e gestão de marcas. Fiquei fascinado pelo tipo de discussão que os cases traziam e ali me apaixonei por branding. Decidi que era o tipo de conversa que eu gostaria de ter. 

4 – Atuando com a gestão de marcas, como percebeu o impacto da pandemia na relação das marcas com o consumidor? 

Na minha visão particular, a pandemia foi combustível para acelerar alguns movimentos de comportamento que já há algum tempo vêm modificando a relação do consumidor com as marcas. Talvez o exemplo mais evidente seja a digitalização dessa relação, tanto em ambientes e canais de venda on-line, como em redes sociais e até SAC. Milhões de brasileiros romperam suas barreiras psicológicas e fizeram suas primeiras compras em e-commerces durante a pandemia. O Whatsapp atinge maior penetração populacional do que o nosso maior canal de TV aberta. Alguns exemplos. E a aceleração desta relação omnicanal, que acontece por e em diversas interfaces, demanda das marcas uma gestão de experiência cada vez mais complexa e com menor tolerância a atritos.  

Outro aspecto que destaco foi que em um contexto socioeconômico adverso e incerto, as pessoas ficaram menos dispostas a arriscar, seja na grande compra ou no pequeno consumo por impulso. Assim, vimos que as marcas, que historicamente conseguiram construir credenciais de qualidade e confiança, tiveram mais apelo – mesmo na crise – do que marcas focadas exclusivamente em preço.  Além disso, a construção de tais credenciais e de valor para o consumidor passa cada vez mais por uma clareza do propósito da marca e sua materialização em ações com impacto social relevante e que, de alguma forma, promovam transformações positivas para além da simples relação de consumo de um determinado produto.  

5- Quais são os seus planos para daqui a cinco anos? 

Em cinco anos eu pretendo ter realizado meu sonho de conhecer todos os continentes do mundo, incluindo a Antártica (faltam três). Também espero construir uma estrutura sólida para a felicidade e bem-estar da minha família. Almejo um estilo de vida que seja tranquilo o suficiente para poder tocar meu violão para meu filho, mas dinâmico o suficiente para sempre viver e criar coisas novas.  Profissionalmente, pretendo encher a bagagem de cases inspiradores e que de alguma forma construam um legado positivo e de felicidade no mundo.

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