Cinco Perguntas

Cinco perguntas para Luiz Fernando Levinski

Recentemente, jornalista, que trabalha na Tua Rádio São Francisco, foi à Polônia para acompanhar a fuga de refugiados ucranianos

1 – Quem é você, de onde vem e o que faz?

Chamo-me Luiz Fernando da Silveira Levinski, sou nascido na cidade de Cascavel, localizada no sudoeste do Paraná. Criei-me em Quedas do Iguaçu, também no estado paranaense, mas terminei o Ensino Médio e fiz faculdade na capital, em Curitiba. Sou jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e especialista em Jornalismo Esportivo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

2 – Quando surgiu a vontade de ser jornalista? 

Falar muito sempre foi uma característica minha. Na adolescência, comecei a achar interessante informar as pessoas sobre qualquer coisa. Pensava em como receber uma informação poderia mudar uma rotina, uma situação e, quem sabe, uma vida.

É claro, também lembro dos amigos e familiares ressaltando a minha característica de ser falante e desinibido. Acredita-se que eu pudesse me tornar um bom jornalista ou advogado. Fiz a minha escolha.

3 – Recentemente, você se aventurou à Polônia para acompanhar a fuga de refugiados ucranianos. Como foi a experiência?

Foi a melhor possível. Era minha primeira vez na Polônia, e sabia que seriam dias intensos e cansativos. Uma cobertura independente exige muito do jornalista. E aqui cabe o agradecimento a todos que me auxiliaram para que essa cobertura fosse possível. Acredito que fiz o melhor para contemplar o assunto dentro dos oito dias que estive na Polônia.

Tive a oportunidade de vivenciar uma realidade muito diferente do Brasil. Pessoas que precisam abandonar a rotina, às pressas, levando muito pouco. Mulheres que saíram do País somente com os filhos. Os homens, entre 18 e 60 anos, não têm autorização para deixar a Ucrânia.

Pelos locais onde passei, as cidades de Varsóvia, Cracóvia, Rzeszow e Przemysl (fronteira com a Ucrânia), vi a importância que o trabalho voluntário tem para ajudar essas pessoas. Visitei abrigos criados para receber refugiados, e nestes locais fui muito bem recebido. Os poloneses foram extremamente receptivos comigo, assim como são solidários com os ucranianos.

No distrito de Medyka, divisa com a Ucrânia, ficou ainda mais evidente como é fundamental exercitar um princípio básico do Jornalismo – mas que a rotina das redações dificulta –, presenciar e produzir a informação in loco.

As pessoas com quem conversei se surpreendem ao saber que eu era um jornalista brasileiro. Principalmente quando estive no vilarejo do lado ucraniano da fronteira, chamado Shegini. Falei com um grupo de jovens, voluntários na única tenda de apoio presente no lado ucraniano, e que demonstraram espanto e felicidade ao saber que eu era do Brasil. Gostaram de saber que alguém de tão longe estava interessado em saber o que ocorre com o país deles.

4 – Como tem sido a repercussão da viagem? 

Excelente! As pessoas me perguntam sobre a realidade dos refugiados, como está a vida na Polônia, que tem sido o principal destino de quem sai da Ucrânia, e se não tive medo durante a viagem.

Ainda sobre a Polônia, pude dar palestras para duas escolas das cidades de Bento Gonçalves e Feliz. Sinto-me recompensado em passar adiante minha experiência. Principalmente ao falar para estudantes. Entendo que é uma maneira de complementar, mesmo que de forma pontual, o que é ensinado na sala de aula.

5 –  Quais são os seus planos para daqui a cinco anos?

Atualmente, atuo como repórter de rádio. Gosto muito do que eu faço. Porém, quero direcionar minha carreira para ter uma rotina mais tranquila. Sou casado, minha esposa também é jornalista, e penso em estabelecer uma vida para aproveitar os finais de semana e feriados.

Há algum tempo planejo migrar para a carreira acadêmica. Já estou atrasado com a ideia de fazer um mestrado. No entanto, depois dessa experiência na Polônia, criei gosto por uma cobertura independente. Minha esposa disse que em uma próxima, ela pode ser minha produtora. Seria a oportunidade perfeita. Quem sabe!

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