1 – Quem é você, de onde vem e o que faz?
Sou Matheus Chaparini, jornalista. Formado pela Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e também pelos veículos em que atuei e pelos jornalistas (sobretudo os mais velhos) com quem tive oportunidade de conviver e trabalhar. Nascido e criado em Porto Alegre, fui morar no interior em 2018, passei por Lajeado e Novo Hamburgo, e voltei recentemente. Já fiz meio que de tudo um pouco na profissão. Trabalhei em veículo alternativo, de bairro, público e privado. No impresso, fui jornalista e jornaleiro, atacando em várias frentes. Trabalhei também em rádio, TV e cheguei a produzir eventos, no tempo do Jornal Tabaré. Desde abril deste ano, trabalho na editoria web do Correio do Povo.
2 – Por que optou pelo Jornalismo?
Geralmente, o pessoal tem uma resposta mais romântica para essa pergunta. Mas, bem na real, optei pelo Jornalismo porque estava acabando o Ensino Médio e tinha que prestar vestibular, para não perder o embalo dos estudos. Jornalismo era o único curso que parecia fazer sentido para mim naquele momento. Comecei a faculdade ainda sem grande convicção na coisa. Quando tive a primeira cadeira prática, precisei fazer uma reportagem. Estava atrasado e sem pauta. Fiz a reportagem e foi ali que eu saquei: se tem alguma coisa que eu sei e quero fazer, é isso aqui. E a reportagem é uma cachaça braba, a gente meio que vicia.
3 – Em abril, você entrou para a equipe do Correio do Povo. Como tem sido a experiência até aqui?
Tem sido uma experiência de bastante desafio e aprendizado. Meus trabalhos mais recentes foram como repórter de texto, de jornal impresso. Atuando na editoria web do Correio, tenho a oportunidade de desenvolver outras linguagens e formatos para entregar o conteúdo para o público. Produzir podcasts, materiais em vídeo, fazer cobertura para redes sociais são coisas meio novas para mim – ainda que eu não seja de uma geração tão antiga – e que enriquecem o trabalho.
4 – Recentemente, também foi extinto um processo no qual você respondia por dano qualificado e resistência, após ter sido detido pela Brigada Militar, em 2016, enquanto trabalhava na cobertura de uma ocupação estudantil. Para você, o que significa chegar a conclusão deste caso?
Esse processo era uma situação completamente absurda desde o início. Da prisão à extinção do processo. Em plena democracia, o Estado prender um jornalista em pleno exercício profissional é inaceitável. Indiciar, denunciar, tornar réu e manter um processo judicial durante sete anos, sem sequer uma descrição de que fato eu teria cometido, não tem cabimento. Pessoalmente, é um fardo que carreguei esse tempo todo. Mas isso nem é sobre mim, é algo bem maior, um precedente perigoso. O desfecho esperado era a absolvição, que não veio. Não tive nem a oportunidade de depor à Justiça. Mas é claro que a extinção do processo trouxe um baita alívio.
5 – Quais são os seus planos para daqui a cinco anos?
Bah, pergunta difícil. Se eu fosse responder a essa mesma pergunta cinco anos atrás, a resposta certamente não daria conta de metade do que foi acontecendo nesse meio-tempo. Morei em duas cidades, trabalhei para uns sete veículos diferentes, locais e nacionais, entre empregos e freelas. Aprendi bastante. Ganhei um prêmio da Associação de Diários do Interior (ADI-RS), que era algo impensável para quem tinha vivido a vida toda na Capital. Para os próximos cinco anos, meu plano é seguir trabalhando e aprendendo no Jornalismo. E minha expectativa é de que as coisas – muitas delas! – continuem acontecendo.