Comissão Especial de Acompanhamento dos Investimentos da Copa 2014, presidida pelo deputado Alexandre Postal (PMDB), aprovou por unanimidade, na manhã desta quinta-feira, 8, o relatório final dos trabalhos. No documento, apresentado pelo relator Paulo Odone (PPS), o grupo técnico apresenta as expectativas em torno do evento, o que ele deverá representar para o Brasil e, especificamente, para Porto Alegre, descreve os resultados das reuniões e visitas técnicas realizadas, incluindo missão à Africa do Sul para verificar o legado do evento naquele país, e sugere a criação de mais uma comissão especial para acompanhar os investimentos previstos.
“O futebol no Brasil é uma atividade de enorme importância social, transcendendo as linhas do campo de jogo”, iniciou Paulo Odone. “Pode-se dizer que chega a ser uma questão de Estado, pois os valores e o número de pessoas envolvidas com este esporte alcançam a casa dos milhões”, continuou o parlamentar, avaliando que a conquista do direito de sediar o evento dará ao país uma exposição sem igual em termos de mídia, atraindo investimentos que poderão beneficiar toda a população. Segundo o parlamentar, a Assembleia Legislativa precisa manter-se atenta e aliada à sociedade gaúcha “para que os investimentos, principalmente públicos, sejam aplicados no rigor da lei, com total transparência e de forma eficiente e eficaz”.
Participaram da reunião, além do presidente e do relator, os deputados Adolfo Brito (PP), Cassiá Carpes (PTB), Jurandir Maciel (PTB), Gilmar Sossella (PDT), Giovani Feltes (PMDB), Alexandre Lindenmeyer (PT), Nelsinho Metalúrgico (PT) e Lucas Redecker (PSDB). Conforme Odone, um estudo da empresa de consultoria Ketchum indica que apenas em infraestrutura – área que vai do sistema de transporte urbano à construção de estádios, passando por hotéis, hospitais e aeroportos, os dois eventos programados para os próximos anos, Copa do Mundo e Olimpíadas, devem envolver investimentos de mais de R$ 120 bilhões no país. Apenas em infraestrutura de transportes urbanos, o que inclui metrô, trens e vias públicas, o investimento nas 12 cidades-sede de jogos da Copa deve chegar a R$ 67 bilhões, segundo o estudo. Outros R$ 13 bilhões poderão ser investidos na construção e ampliação de hotéis e R$ 7 bilhões deverão ser destinados a portos e aeroportos.
Outro estudo – da Ernst & Young e Fundação Getúlio Vargas – aponta que o fluxo de turistas deverá estimular o consumo no país, gerando receitas adicionais de até R$ 5,9 bilhões para as empresas brasileiras. A competição deve provocar um efeito cascata na economia: além dos gastos de R$ 22,5 bilhões para garantir a infraestrutura e a organização, o evento deverá injetar, adicionalmente, R$ 112,8 bilhões na economia brasileira, com a produção em cadeia de efeitos indiretos e induzidos. No total, o país deve movimentar R$ 142,4 bilhões adicionais no período 2010-2014, gerando 3,6 milhões de empregos ao ano e R$ 63,5 bilhões de renda para a população.
O relatório também menciona a questão da liberação ou não de bebidas alcoólicas nos estádios. O documento registra que o Rio Grande do Sul proíbe a venda e o consumo de bebidas nos estádios desde a promulgação da Lei 12916/2008, mas que o governo federal está propenso a liberá-las no período da Copa, até 31 de dezembro de 2014, como consta na Lei Geral da Copa, cujo projeto esteve em debate na Assembleia Legislativa no dia 18/11/2011. De acordo com o relatório, este é um dos pontos que poderão ser revistos, como também a punição ao marketing de emboscada, publicidade não permitida feita por concorrentes dos patrocinadores oficiais.