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Comunicação também combate a pandemia

Este texto foi escolhido por uma iniciativa do portal em alusão ao Dia do Estudante, quando alunos de Jornalismo enviaram produções autorais sobre o mercado da Comunicação, com tema livre.


Todos os dias, fatos sobre a pandemia da Covid-19 são noticiados, tanto com informativos da situação quanto com alertas sobre os cuidados necessários para zelar pela segurança. Neste cenário desafiador, que mudou as maneiras de comunicar, estar bem orientado é essencial. Para ir além dos veículos de imprensa, a Beta Redação conversou com profissionais de equipes de comunicação de hospitais gaúchos, a fim de entender como elas atuam e como, principalmente, lidam com as demandas do momento.

No Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), considerado o segundo melhor do país, a relações públicas e coordenadora de marketing Debora da Silva Elmo explica que aconteceram mudanças com a pandemia. Entre escalas de home office e revezamentos ao longo do ano, muitas atividades foram para o ambiente digital. A própria rotina de reuniões presenciais passou a ser virtual. E isso não foi somente nesse departamento, mas na área administrativa do hospital como um todo. “Muitas coisas foram adaptadas. Nós somos uma instituição em que há muitas reuniões para falar do desempenho do hospital, dos serviços, para comunicar isso de modo que todos estejam com a mesma informação e alinhados ao nosso planejamento estratégico. Tudo isso foi tendo que ser adaptado ao longo do ano em função da situação da pandemia”, ressalta.

Com uma equipe variada e um planejamento anual, o setor de comunicação cobre todos os processos do hospital. “Há coisas que não estão planejadas também, coisas da situação. Uma aquisição nova, um novo serviço que está surgindo no hospital e vai ser implementado. Trabalhamos na comunicação disso, envolvendo todos esses profissionais internos mais as nossas assessorias”, adiciona.

Embora o momento carregue um caráter negativo, a jornalista Melina Bellini Fernandes, da Critério, que faz a assessoria de imprensa do Hospital Moinhos de Vento, considera que ele proporciona um aprendizado. “Tirando essa parte pesada, eu acho que, para a comunicação, a pandemia vai deixar um legado muito importante. Nós passamos a nos comunicar de uma forma mais próxima dos veículos de imprensa”, reflete e complementa sobre a aproximação de redações e assessorias em qualquer lugar do mundo, porque algumas fronteiras passaram a não existir mais. Nessa questão, ela relembra dos contatos com as fontes. Se antes marcava para tomar um café, agora, já que não os encontros presenciais ficaram limitados, suas relações se expandiram para fontes de outras regiões, acessíveis pelo modo virtual.

Melina reforça que a defesa em relação ao vírus vem, igualmente, do papel de informar, de levar orientações para o público, de dizer o que está sendo feito em termos de pesquisa, de repassar a importância de se vacinar, de se cuidar, de usar máscara e de manter o distanciamento. “Qual o papel da comunicação na pandemia? É salvar vidas também”, considera e diz que, por mais que não atendam pacientes, fazem com que as pessoas se cuidem e cuidem dos seus e dos outros.

Com informações extremamente qualificadas, por ser um hospital de referência e que é afiliado à Johns Hopkins Medicine International — uma das primeiras instituições no mundo a criar um centro de pesquisa do coronavírus, em fevereiro do ano passado —, havia muito conteúdo para informar, sem contar o compromisso de fazer isso chegar às pessoas. “Fomos o primeiro hospital em Porto Alegre a receber um paciente com Covid-19. Isso também nos colocou como pioneiros, mas, ao mesmo tempo, como responsáveis. Uma responsabilidade maior de ir atrás e de estar atualizando o tempo inteiro o nosso corpo clínico”, completa Debora.

Enfrentamento da Covid-19

Além da comunicação, o Hospital Moinhos de Vento, que estabeleceu um comitê de enfrentamento da Covid-19 logo no começo da pandemia, passou por uma preparação. “No início de fevereiro, montamos um comitê interno que era formado por um grupo multidisciplinar, pela alta direção do hospital e por várias lideranças da casa. Tínhamos [a comunicação] uma cadeira [no comitê] também, justamente para acompanhar tudo isso e para saber todas as providências que teríamos que tomar”, conta Debora. Com todas as mudanças que ocorreram, era muito importante comunicar o público interno, além da sociedade de modo geral.

Melina explica que, com todas as restrições para manter a segurança, passaram a funcionar como agência de notícias. “Geramos uma quantidade absurda de fotos. 

Acho que foram mais de 2.800 fotos, 200 minutos de vídeo gravado dentro do hospital, seja de depoimento, entrevista, imagem. Tudo passou a ser produzidos internamente e, como nem nós podíamos entrar, foi feito com o apoio das equipes de saúde, dos enfermeiros, dos técnicos, dos médicos. Eles passaram a ser os nossos olhos e nossos fotógrafos, cinegrafistas, às vezes até pauteiros dentro do hospital”, comenta, evidenciando que a comunicação se tornou muito colaborativa nesse contexto.

Para a informação ao público, Debora relata que, nas redes sociais, constantemente trabalham esses conteúdos. No site, há um boletim diário a respeito da situação do coronavírus no hospital. “Muitas pessoas o acessam para saber como está a situação do hospital e como fonte de informação”, afirma e revela que as pessoas se sentem seguras de encontrar, ali, informação atualizada e real. Aliás, com as mudanças para o virtual, foi possível realizar eventos, como o Moinhos Talks, publicado no YouTube, que aborda temas que vão além da saúde.

Comunicação interna e externa

Em São Leopoldo (RS), a assessora de comunicação da Fundação Hospital Centenário, Aline Marques, conta que sua equipe circula pelo hospital para saber o que há, para transformar em notícia. Procura atender todas as áreas, com matérias sobre o pronto-socorro, o bloco cirúrgico e a maternidade, por exemplo. Agora, o maior fluxo de matérias e de informações é por conta da pandemia. “Cobrimos todas as altas dos pacientes internados na Covid. Registramos em vídeo, porque temos, aqui na recepção da área Covid, um sino. Quando o paciente sai, ele toca aquele sino, que representa a alta dele”, relata. Aline acrescenta que há muitas pautas interessantes que surgem por lá sobre as histórias das famílias, dos pacientes e dos próprios funcionários.

Na formação da equipe, Aline conta com duas estagiárias: uma de Publicidade e uma de Jornalismo. Entre as atividades, ela destaca a produção visual do hospital, como os cards e a edição de vídeos, além da escrita e divulgação das matérias, fotografias, cobertura de jornalismo e abastecimento das redes sociais, como o Instagram e o Facebook, do site e da Intranet, que é a comunicação interna. A profissional explica que as pessoas podem tanto buscar o hospital para ter acesso a informações como podem pesquisar por essas redes, utilizadas para falar de seus serviços.

Com mais de 700 funcionários no hospital, Aline explica a comunicação interna pela Intranet. Ali, somente os funcionários têm acesso e é onde colocam os comunicados de todos os setores, bem como algumas matérias. “São informações internas que as chefias, por exemplo, querem comunicar sobre mudança de escala médica, alguma ordem de serviço, alteração ou informação de Recursos Humanos. Temos um espaço que é o Hospital Centenário Informa”, considera.

As matérias mais complexas, com maiores informações, são direcionadas à imprensa por um mailing. “Nós começamos a usar aquela bolha de respiração individual na área Covid. Então, antes de tornar isso público, eu ia todo dia lá, conversava com fisioterapeutas, médicos, enfermeiros, pacientes. Via o retorno positivo. Tentei entender o máximo possível sobre a bolha, fiz toda a matéria com fotos, vídeo e ofereci para a imprensa”, exemplifica Aline, que sugeriu a novidade antes de divulgar nas redes sociais do Hospital Centenário, pois era algo inédito na região. Em outros momentos, quando a imprensa entra em contato para sugerir a pauta, é ela quem busca o perfil do profissional solicitado e vê o interesse em dar a entrevista.

Na cidade vizinha de São Leopoldo, o Hospital Regina, de Novo Hamburgo (RS), também pode ser procurado por quem quer se informar. “A população possui o hospital como referência, devido a sua tradição na região. Sabemos da importância e impacto que as informações que compartilhamos possuem”, comenta a coordenadora de marketing e relacionamento, Carina Silveira Maruyama. Através de campanhas em diversos tipos de mídias e vídeos com profissionais especializados de cada área, o hospital comunica sobre prevenção e cuidados com a saúde e, por causa da pandemia, sobre os assuntos relacionados à Covid-19.

Segundo Carina, a equipe de comunicação do hospital conta, atualmente, com três colaboradores, sendo das áreas de marketing, jornalismo e um estudante de Publicidade e Propaganda. A equipe teve redução em número, mas recebeu aumento das demandas, principalmente referentes à comunicação interna e de imprensa. “Como dificuldade, eu citaria a velocidade que as informações mudavam e precisavam ser repassadas e atualizadas, tanto a colaboradores, como ao público externo, exigindo uma dedicação muito maior de todo o setor”, sinaliza.

De acordo com a profissional, no início da pandemia, ainda antes de ser lançado o site para acompanhamento do Estado, o hospital foi um dos primeiros no Vale do Rio dos Sinos, região em que fica a cidade, a iniciar boletins diários com números de atendimentos e de internações. Esses dados eram enviados a veículos e publicados nas redes sociais do Hospital Regina para, além de conscientizar sobre o cenário, trazer transparência. Para realizar entrevistas, a equipe intermedeia o contato para conectar os profissionais com os veículos e fornecer retornos à imprensa. Na escolha de profissionais, eles normalmente são indicados pela diretoria técnica, de acordo com as áreas de atuação.

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