Panorama

Falas sobre desafios da reforma tributária marcam abertura da Expoagas 2023

A sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) sedia, até amanhã, 24, a Expoagas 2023 – 40ª Convenção Gaúcha de Supermercados. A abertura, ocorrida na terça-feira, 22, no Teatro do Serviço Social da Indústria (Sesi), teve a presença de autoridades e foi marcada pelo debate sobre os desafios da reforma tributária no Brasil. Após a cerimônia, o público assistiu à palestra do economista Aod Cunha sobre as oportunidades para o País.

Logo no início, o presidente da Associação Gaúcha dos Supermercados (Agas), Antônio Cesa Longo, falou que a Expoagas não é somente antecipar tendências e alavancar negócios que fazem a economia girar, “é palco de questionamentos para termos um setor cada vez mais responsável e sustentável para que todos tenhamos um mundo melhor”. No discurso, o dirigente criticou a maneira como está sendo conduzida a reforma tributária. Para ele, toda a alteração deve simplificar. “Infelizmente o que estamos vendo é que cada setor vai no seu governante e pede uma regulamentação ou um benefício diferente. Uns continuarão pagando mais do que os outros.” 

Nesse sentido, ele lembrou que “o Brasil está no ranking mundial das maiores cargas tributárias e a que menos retorna pelo valor que os brasileiros pagam”. O gestor falou ainda sobre Educação, questões legislativas e saudou os participantes de diferentes estados, mas, especialmente os gaúchos. “Somente no Estado são gerados 132 mil empregos diretos e recebidas quase quatro milhões de pessoas diariamente em suas lojas”, celebra.

Para o governador Eduardo Leite (PSDB), a Expoagas é fundamental para a economia gaúcha, pois há a previsão de que sejam firmados mais de R$ 640 milhões em negócios. Sobre a reforma, ele acredita que a insegurança e a incerteza são os grandes problemas. “Somos empreendedores e uma reforma tributária é fundamental, mas é preciso que seja simples”. Entre as críticas ao Governo Federal, o chefe do executivo gaúcho classificou como “inadmissível a volta do imposto sindical”. Ainda falou sobre as privatizações no Estado: “Realizamos um amplo programa de privatizações de cinco empresas, onde o Rio Grande do Sul arrecadou mais de R$ 8 bilhões que já estão retornando em serviços para a população”.

Já o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), destacou a importância do setor supermercadista e disse que o paço municipal será parceiro caso a Fiergs deseje ampliar a próxima edição. Sobre a reforma tributária, Melo afirmou que “é igual à reforma política” e classificou esse processo como um “tapetão tributário”. O presidente da Fiergs, Gilberto Petry, falou sobre o consumidor, pois “sem ele não adianta nada a indústria produzir”, e afirmou que na reforma tributária “todos têm medo do que vão perder”. O dirigente ainda pontuou que o Estado transfere R$ 10 bilhões ao ano para a União e recebe R$ 2 bilhões, o que precisa ser resolvido. 

Na ocasião, o empresário Mércio Tumelero foi homenageado com o ‘Troféu Supermercadista Honorário’. Orgulhoso em receber o prêmio, ele lembrou da infância em Sananduva, onde, praticamente nasceu no negócio da família. “Eu era criança, pequeno e precisava de um banquinho para alcançar o balcão.” 

Palestra

‘Desafios e oportunidades para o Brasil’ foi o tema da explanação do economista Aod Cunha. Entre os destaques, o profissional disse que “é fundamental que o País aumente a produtividade”, pois, a população brasileira está envelhecendo rapidamente. Ele explicou que o crescimento econômico pode ser decomposto entre o aumento da força de trabalho e da produtividade. “Quando termina o bônus demográfico, o crescimento da economia precisa vir, fundamentalmente, de uma maior produtividade”, salienta.

Em relação à economia global, conforme Cunha, o mundo cresceu nas últimas décadas, no entanto, o Brasil se desenvolveu menos do que a média geral. O economista chamou o sistema de tributos de “manicômio tributário brasileiro”, pois, “se somarmos todos os municípios brasileiros temos mais de cinco milhões de combinações tributárias”. Como o Brasil está no final do seu bônus demográfico, conforme ele, os desafios são imediatos em relação ao aumento da produtividade e das reformas. “O nosso País precisa olhar e aprender com o que aconteceu nas últimas décadas” 

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