As eleições municipais serão no dia 15 de novembro de 2020, provavelmente, com a pandemia ainda em curso.
Para a maioria dos eleitores nem deveria haver eleições, pois política partidária não combina com pandemia! Tanto pelas novas preocupações relacionadas às questões sanitárias e de saúde pública (de como será o contato do candidato com os eleitores, de como será o processo de votação, etc.) até a indignação com o clientelismo, que será ampliado com os candidatos tentando trocar cestas básicas por voto.
Será uma campanha muito diferente em um momento de muitas incertezas, medos e expectativas. O eleitor tem uma lista de demandas: de um lado os problemas tradicionais da cidade e de outro todos os problemas e as sequelas que estão sendo causados pela pandemia.
Antes da pandemia a expectativa dos eleitores estava associada às suas dores sociais, aos seus incômodos ou às suas necessidades. Na prática, trata-se dos serviços públicos que não funcionam quando as pessoas precisam.
No começo do ano, na maior parte das cidades, a tendência de pauta seguia a seguinte ordem: saúde (acesso a consulta, a especialistas, a exames e até mesmo a cirurgias), infraestrutura/zeladoria do município (que envolve limpeza, iluminação, cuidado com as ruas, com os bairros, etc.), segurança pública (combate à violência, aumento do policiamento, câmeras de segurança, cercamento eletrônico, política de prevenção às drogas, etc.), educação (que também inclui o número de vagas nas creches). Conforme o tamanho do município, havia destaque para mobilidade social e trânsito ou geração de emprego, com atração de novas empresas.
De repente, veio a pandemia! Todas as demandas e expectativas listadas acima continuaram sendo importantes para a população. Entretanto, os eleitores esperam que os candidatos tenham a capacidade de guiar a sociedade para a saída da pandemia.
Significa dizer que a Covid-19 estará no bojo dos debates da eleição. Os candidatos terão que sinalizar que acompanham as possíveis vacinas, indicar como será o planejamento de saída da pandemia e, principalmente, como será a gestão das sequelas da pandemia, como será a vida no pós pandemia.
É um contexto que mantém a saúde no centro da discussão e traz o desenvolvimento econômico e o desenvolvimento social para o palco do debate. As pessoas querem saber como a economia da cidade será reconstruída. Querem saber se haverá incentivo para as empresas reabrirem? Se haverá atração de novas empresas? Se terão empregos?
Quanto ao desenvolvimento social, a população espera que os candidatos tenham um plano de restabelecimento do bem-estar social e da qualidade de vida da população. Envolve desde a assistência social, o apoio psicológico, até um plano de recuperação das perdas pedagógicas ocasionadas pela pandemia. Há muita inquietação sobre como será a reestruturação das atividades de lazer, o resgate da cultura, do esporte e de tudo o que fazia bem para as pessoas.
A pauta de necessidades dos eleitores é imensa, pois somou-se aos problemas tradicionais, todos os novos dilemas causados pela pandemia.
E os eleitores não estão com paciência para ouvir o blá-blá-blá de sempre. Querem saber se o candidato tem currículo e capacidade para cuidar de uma cidade em pandemia e se tem um plano de reestruturação da cidade para o futuro. Não será uma eleição fácil para os eleitores e muito menos para os candidatos!