Você já parou para pensar que a pandemia irá marcar toda uma geração?
O primeiro grande evento global do novo milênio fará parte da nossa história e da história de nossos filhos. Nossos netos e bisnetos irão ouvir sobre como era na época em que “não se podia nem ir para uma sala de aula presencial”. Fico lembrando da minha avó me contando como era a vida na Segunda Guerra Mundial e imagino que irei contar para meus netos, como era a vida na pandemia.
Cada pesquisa realizada pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião nessa pandemia mostra que as pessoas se preocupam com o presente, a maioria das pessoas se aflige com a saúde (com o risco da infecção) e com a economia (ampliação das dificuldades financeiras).
Saúde e economia são os temas que inquietam momentaneamente a sociedade. Mas há muita preocupação com os impactos futuros da pandemia, em especial, na vida das crianças e dos adolescentes. Diante dessa inquietação, a educação é um tema angustiante. Até porque é um momento de mais dúvidas e incertezas do que de diagnósticos e encaminhamentos.
Os governos ainda estão focados em tentar estabilizar as aulas híbridas, levando para a sala de aula os alunos que não conseguem acompanhar as aulas remotas digitalmente. Os professores aguardam pela vacinação e temem que a Covid-19 se espalhe dentro das salas de aula, com o argumento de que nem todas as escolas têm estruturas adequadas, funcionários suficientes e EPIs necessários.
A grande pergunta dos pais é, qual será o déficit educacional deixado pelas aulas remotas? Quais são as lacunas que a pandemia está deixando na educação de toda uma geração? E quais serão as sequelas emocionais dessa geração que perdeu o contato social e foi obrigada a ficar em isolamento?
Esse debate se reflete em perguntas práticas, realizadas pelos entrevistados, quando pensam sobre a educação no pós-pandemia:
– Quanto o isolamento irá prejudicar no processo de socialização das crianças e dos jovens? E quanto a falta de conexão cotidiana irá diminuir a empatia entre eles?
– Qual o impacto das aulas remotas para as crianças que estavam em processo de alfabetização? Esse processo de educação a distância pode garantir que haja um aprendizado minimamente adequado? Quais serão os impactos na vida educacional de uma criança alfabetizada de forma remota?
Os pais se preocupam muito com a validade efetiva das aprovações. Há muitas perguntas sobre o real avanço em termos de aprendizado. Um aluno que começou a pandemia no sétimo ano, foi para o oitavo, em muitos casos, recebendo apenas material impresso em sua casa. Esse aluno está apto para um oitavo ano com aulas remotas?
Há muita inquietação com alunos que terminaram um ciclo escolar e começaram outro durante a pandemia. Os pais relatam que os filhos que fizeram o último ano do fundamental ou do médio de forma remota se sentem perdidos, ansiosos ou deslocados. Imagine a situação: um aluno começou o nono ano de forma remota em 2020. Em 2021 é matriculado em uma escola de ensino médio, recebe material impresso sem nem conhecer seus colegas e professores. Não é um desafio fácil para um adolescente! Mais ainda se ele terminou o ensino médio e não teve um desempenho satisfatório no ENEM.
Se de um lado se busca a volta do ensino presencial, de outro, temos que pensar nos diagnósticos dos déficits que a pandemia causou na área da educação e no futuro de toda uma geração.