1 – Quem é você, de onde vem e o que faz?
Eu sou Jonathas Costa, tenho 32 anos, sou formado em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e atualmente faço MBA em Digital Business pela Universidade de São Paulo (USP). Nasci em Porto Alegre, mas morei minha infância e adolescência em Alvorada, na Região Metropolitana.
Saí de casa aos 17 anos para morar sozinho em Palhoça, em Santa Catarina, onde comecei minha graduação. Fiz transferência para a Escola de Comunicação, Artes e Design (Famecos) um ano depois, quando comecei a estagiar na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS). Em 2010, ainda cursando a faculdade, entrei no Correio do Povo como auxiliar de redação. Em janeiro de 2012, deixei o CP e, em março, fundei o jornal O Alvoradense. Em abril, nasceu meu filho, em junho, fali a empresa, em novembro voltei para o CP e em dezembro tive que passar por uma cirurgia de emergência. Sim, foi um ano intenso! Tudo isso ainda fazendo faculdade.
Mas a partir dali passei a administrar melhor as coisas, fiz meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) sobre a experiência, até então, desastrosa com O Alvoradense, tirei 10 e apliquei o estudo na prática. Coloquei a empresa para funcionar enquanto atuava no Correio do Povo, a essa altura como diagramador. A experiência com o jornal em Alvorada se tornou tão exitosa que ganhei meu primeiro ‘Prêmio ARI/Banrisul de Jornalismo’ e cinco anos depois acabei recebendo uma proposta de compra da empresa. Acordo fechado, passei a focar na minha carreira no Correio do Povo, onde, em janeiro de 2022, fui convidado para assumir como gerente de Jornalismo, meu atual cargo. Hoje gerencio toda a redação do jornal, participo das decisões estratégicas da empresa, coordeno as coberturas e faço a capa da edição impressa diariamente.
2 – Por que optou pelo Jornalismo?
Nunca optei pelo Jornalismo, eu nasci jornalista. Sem medo de cometer algum exagero, nunca pensei ser outra coisa que não jornalista. Meus brinquedos e brincadeiras sempre foram relacionados ao fazer jornalístico, muito antes de eu entender o que isso significava. Na quinta série do ensino fundamental criei um jornal na escola, o qual vendia por R$ 1,00. Eu imprimia as chamadas e textos em uma folha A4, recortava e colava em uma A3, montando colunas, manchetes e boxes, e depois fazia uma cópia. Era, ao fim e ao cabo, as chapas sendo montadas por um tipografista, o que fui saber anos depois.
Minha certeza sempre foi tão sólida sobre que área seguir, que no último ano do ensino médio boicotei todos os testes vocacionais que me propuseram fazer. Ainda hoje, com mais de 12 anos atuando na área e em tempos onde recomeçar e buscar novos desafios são tão valorizados, tenho dúvidas se gostaria de fazer algo que não estivesse relacionado ao Jornalismo.
3 – No último ano, você conquistou o primeiro lugar do ‘Prêmio ARI/Banrisul de Jornalismo’ na modalidade Projeto Gráfico/Arte. O que esse reconhecimento significa para a sua carreira?
Além do enorme respeito, tenho muito carinho por essa premiação. Em 2015, recebi meu primeiro reconhecimento, um primeiro lugar na categoria Web Reportagem pela cobertura das enchentes em Alvorada realizada no jornal O Alvoradense. Foi um trabalho que me marcou muito como jornalista e como ser humano, e ter ganhado a distinção coroou um período muito especial da minha vida.
De lá para cá foram mais quatro troféus (2016, 2018, 2019 e 2022) e outras quatro menções honrosas (2018, 2019, 2020 e 2022), todos pelo Correio do Povo. Digo sempre que não almejo ganhar, mas estar na lista de finalistas já é um grande reconhecimento. No mais, lembro do conselho dito pelo ex-presidente da ARI Batista Filho sobre guardar a estátua criada pelo artista plástico Waldomiro Motta em um lugar de fácil visualização para que, nas suas palavras, “a gente se lembre ao acordar o que nos faz levantar da cama todos os dias: o fazer jornalístico profissional, ético e responsável”. Sigo o conselho até hoje.
4 – Você assumiu o cargo de gerente de Jornalismo do Correio do Povo há pouco mais de um ano. Como tem sido essa experiência até aqui?
Sem dúvidas, foi o maior desafio da minha carreira até aqui. Aprendi a me apaixonar pela história desse jornal centenário, tão importante para a história do próprio Estado. Foi dentro da redação do Correio do Povo, local já habitado por grandes nomes do Jornalismo gaúcho e brasileiro, que aprendi o dia a dia da profissão e onde encontrei um ambiente altamente acolhedor e respeitoso, que me proporcionou crescer na carreira de forma orgânica. Entrei como auxiliar de redação e fui promovido para diagramador, editor assistente, editor de arte, coordenador multimídia e, desde janeiro de 2022, gerente de Jornalismo. Administro uma redação diversa, com excelentes profissionais empenhados em fazer o melhor jornal possível dentro das condições que lhe são oferecidas. Tenho orgulho de cada colega.
5 – Quais são os seus planos para daqui a cinco anos?
Estar melhor do que hoje, em todos os aspectos dos quais conseguir evoluir. Profissionalmente, tenho consciência que sou um profissional jovem ainda, com muito a aprender. Os desafios me estimulam (e aqui não vai nenhum ‘papo coaching’). Gosto de empreender, de inovar, de me movimentar. De me sentir posto à prova. Não sei onde estarei daqui a cinco anos, mas certamente onde esse sentimento siga vivo. Ainda mantenho o desejo antigo de sair da aldeia. Por questões pessoais, foi preciso esperar. Mas sinto que a cada dia que passa, esse momento se aproxima. A busca pelo MBA também foi neste sentido. Quero voar, e sinto que minhas asas estão prontas.