1 – Quem é você, de onde vem e o que faz?
Sou a Karina Schuh Reif. Nasci e cresci em Porto Alegre, onde me formei em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em 2006. Nos primeiros anos de profissão, trabalhei em assessoria de imprensa, mas sempre quis atuar em veículos de Comunicação. Em 2008, comecei como repórter do jornal O Sul e, logo depois, entrei para o site do Correio do Povo, que tinha acabado de ser lançado, em 2009. Dois anos mais tarde, eu me candidatei para o jornal impresso e passei a ser repórter de Geral do CP, período em que aprendi praticamente tudo o que sei de reportagem. Foram várias coberturas e matérias especiais, mas o dia a dia da editoria é que foi me ensinando a apurar e a ter jogo de cintura.
Enquanto ainda estava no CP, em 2014, iniciei o mestrado em Sociologia e, no ano da minha defesa, em 2016, passei para uma vaga no Doutorado e decidi me dedicar somente à academia. Nesses sete anos, participei de pesquisas e tive a oportunidade de morar por um ano no Reino Unido, quando fiz Doutorado Sanduíche na Newcastle University. Também integrei, por cinco anos, um projeto de uma parceria da PUCRS com a Petrobras, chamada Human Factors, para investigar e propor melhorias de segurança em plataformas de petróleo em alto mar. Nessa pesquisa, atuava como pesquisadora, mas também como jornalista, ao traduzir os resultados técnicos e acadêmicos para uma linguagem mais acessível, compartilhada na mídia e nas redes sociais. Terminado esse projeto neste ano, fui convidada para voltar ao jornal, como editora assistente de Economia. Hoje em dia edito matérias dessa área e faço reportagens especiais sobre o assunto, principalmente com o objetivo de simplificar e de aproximar o tema do leitor comum, mostrando o impacto da economia na rotina das pessoas. Paralelamente, sou vinculada a um grupo de pesquisa interdisciplinar da PUCRS, chamado Hfactors, e participo, eventualmente, de atividades e publicações.
2 – O que a atraiu para estudar e trabalhar com Jornalismo?
Sempre fui muito curiosa e gostava de ler e de escrever. Na hora de escolher a profissão, não me imaginava em um trabalho monótono. Queria ter um dia diferente do outro e era isso que eu pensava sobre o Jornalismo. Cheguei a pensar em cursar Arquitetura e Psicologia, mas acho que, no final das contas, fiz a escolha certa, apesar de todos os desafios do setor. Quando comecei a ir para a rua, entrevistar, ver o que acontecia e reportar, vi que podia ocupar meus dias fazendo isso sempre!
3 – Há alguns meses, você voltou a trabalhar no Correio do Povo, desta vez como editora assistente de Economia. Como você avalia esse período até aqui?
Tem sido um aprendizado diário e uma experiência muito mais leve do que a minha passagem anterior, pois, dessa vez, tenho mais segurança e experiência. Além disso, já conhecia boa parte da equipe. A editora Simone Schmidt é uma grande parceira, assim como os outros colegas, que me recepcionaram muito bem no meu retorno. Aos poucos, temos procurado trazer mais reflexão para a editoria, com materiais que aproximem os leitores do assunto, com temas que possam se identificar no dia a dia.
4 – Com pós-doutorado, você também é pesquisadora dos grupos de Sociologia e Mídia. O que mais a atrai nessas áreas? Elas colaboram com a sua atuação como profissional da Comunicação? Como?
Na corrida do dia a dia, a gente não tem muito tempo para refletir sobre a técnica e o conteúdo do que fazemos. Então, nesses anos como pesquisadora, tive a oportunidade de ver de fora a produção jornalística e de pensar sobre isso de várias formas. Na Sociologia, pesquisei sobre temas que abordava quando era repórter: prisão, gênero e violência. Ouvi trajetórias biográficas de mulheres com experiência de prisão aqui no Brasil e na Inglaterra. Além de aprender mais sobre os assuntos, repensei, exercitei e aprimorei muito a técnica de entrevista para pesquisa e, com certeza, isso me ensinou a ser uma jornalista mais capacitada.
Na área de Comunicação, tenho pesquisado técnica jornalística considerando os fatores que impactam no comportamento dos jornalistas. Certamente, os resultados disso retroalimentam a minha rotina no trabalho.
5 – Quais são os seus planos para daqui a cinco anos?
Pretendo continuar atuando como jornalista em veículos, mas também fazendo parte de pesquisas, tanto em Comunicação como em Sociologia. Penso em, quem sabe, lecionar na área nos próximos anos. Mas também quero aproveitar o momento que estou vivendo agora e esperar as oportunidades, sem planejar isso tanto, me dedicar a coisas pessoais, viajar, etc.