1- Quem é você, de onde vem e o que faz?
Bom eu sou o Rafa, gaúcho de Porto Alegre. Sou apaixonado pelas pessoas, afinal a fotografia é sobre pessoas e as suas histórias – e assim tem sido também um meio que me faz ficar ainda mais próximo delas.
2- Por que você decidiu se tornar fotógrafo?
Não sei se foi bem uma decisão minha de me tornar fotógrafo, às vezes penso que ela me escolheu. Mas para que tudo tenha um sentido, por assim dizer, venho de uma família de artistas (músicos) e a fotografia sempre esteve presente na nossa vida, desde que a minha mãe – dona Veimar, comprou a primeira câmera da família, quando estava grávida de mim. Então, temos muitas histórias guardadas naquelas caixas de sapato. A verdade é que nunca me imaginei sendo fotógrafo. Tive uma carreira promissora na área de logística de grandes empresas nacionais e internacionais, e a fotografia veio chegando de mansinho e, como quem não quer nada, dominou todo o espaço aqui. Foi aí que percebi que isso era exatamente o que fazia sentido não só para minha vida, mas para as famílias à minha volta.
3- Você é responsável por imortalizar momentos de famílias em diversos tipos de ocasiões. Como você lida com essa responsabilidade?
Participar dos ciclos das famílias me faz lembrar que antigamente tinha o médico da família. Hoje fazer parte da formatura, do casamento, da gestação, do nascimento, além dos primeiro, segundo, terceiro anos -, sinto-me o fotógrafo da família. Este é, sim, um dos maiores privilégios que tenho na minha carreira: acompanhar cada nova etapa das famílias, ano após ano.
4- Você está acostumado a ter trabalhos premiados. Sobre o Documentary Family Award, como é ter este reconhecimento?
Esse é um grande desafio. Colocar o nosso trabalho para ser avaliado, e até mesmo ser criticado por um júri, é colocá-lo à prova. Sempre acreditei que a fotografia não é somente sobre uma boa foto, ela precisa ter uma mensagem também. Participar da DFA, que hoje é o concurso de família mais concorrido e disputado mundialmente, e ter quatro fotos finalistas em um único round, é para encher o coração de alegria aqui. Mostrar que no Brasil, aqui no Sul, tem gente fazendo um trabalho com excelência, dessa quebra de alguns paradigmas também em relação a ser um homem fotografando partos. Tenho orgulho disso.
5- Quais são os seus planos para daqui a cinco anos?
Estou com alguns planos de mentoria para fotógrafos de família, ajudar no desenvolvimento de carreira, linguagem fotográfica, curadoria, processos, dentre outros. Mas hoje, o que eu mais queria era poder fazer com que a fotografia de parto pudesse ter um alcance maior, que a gente pudesse ter muito mais fotógrafos assim no nosso Estado, que as famílias pudessem ter a livre escolha dos profissionais para registrar esse, que é o momento mais lindo da vida de uma família – a chegada de um filho, independente da instituição hospitalar. Esse é o meu maior desejo para os próximos cinco anos.
Essa entrevista foi realizada pelos alunos de Estágio I do curso de Jornalismo, do Centro Universitário Metodista IPA. Texto: Douglas Webber