1. Quem é você, de onde veio e o que faz?
Sou Rodrigo dMart, jornalista, músico e escritor. Tenho 39 anos. Sou natural de Pelotas, onde me formei em Jornalismo na Universidade Católica (UCPel). Tenho especialização em Desenvolvimento de Jogos Digitais, pela PUC. Trabalho na TVE há mais de 10 anos, atuando como editor para o Jornal da TVE e o Estação Cultura, e como produtor e diretor de programas como Sonora Tribo, Galpão Nativo e documentários. Desde meados de 2012, assumi a coordenação de projetos especiais da emissora.
Paralelamente, produzo projetos em música, literatura, artes visuais, quadrinhos e videogames. Lancei a graphic novel ‘Um Outro Pastoreio’, junto com o designer Indio San, em 2010, e o livro e exposição ‘O Último Homem na Lua’, com o artista plástico Antônio Augusto Bueno, em 2012. Meu projeto mais recente é Orixás, um videogame baseado no universo da graphic novel. Na música, lancei quatro álbuns com a banda de “rock bagual” Doidivanas, atuando como baterista, letrista e produtor executivo. Também desenvolvo projeto de arte e comunicação no ateliê da Imagina Conteúdo Criativo, ao lado da jornalista e fotógrafa Yara Baungarten. De certa forma, transito entre diferentes áreas da comunicação e arte, procurando criar pontes de diálogo entre os campos.
2. O que foi possível conferir no DocMontevideo?
O DocMontevideo agregou diferentes atividades e eventos de formação, mercado, debate e produção de projetos audiovisuais e multiplataformas, envolvendo pitchings, meetings, workshops, estudos de caso de trabalhos voltados para televisão, internet, videogame e produtos interativos. Um verdadeiro caldeirão de projetos de toda América Latina, Canadá, Estados Unidos e do Oriente Médio, com participação de produtores independentes, realizadores, distribuidores, emissoras, redes e instituições.
Também houve exibição de filmes, realização de oficinas e ações muito bacanas como, por exemplo, o Hackation, no qual um grupo, integrado por documentaristas, programadores, designers e produtores, tem que produzir conteúdos culturais interativos em apenas 48 horas.
3. Como foi representar a TVE no evento internacional?
A mensagem principal foi: não estamos sós! Uma experiência incrível. Tantas pessoas de diversas emissoras e redes públicas, educativas, culturais e cooperativadas. Pude fazer contato direto com profissionais de emissoras como a Televisión, de El Salvador; Canal TRO, Canal U y Canal Click e Telemedellín, da Colômbia; C7 Jalisco, do México; Vive TV e Telesur, da Venezuela; Bolivia TV, Ecuador TV; Conlsecor, da Argentina, entre outros. São emissoras com diferentes perfis, tamanhos e histórias, mas com muitos projetos maravilhosos. Temos que abrir os nossos horizontes para a América Latina. Temos muitas coisas em comum e existem inúmeras possibilidades de cooperação, criação e intercâmbios de conteúdos.
4. O que todo coordenador de projetos especiais precisa saber?
A coordenação de projetos especiais é um setor novo na TVE, dentro da diretoria de programação. Tem apenas um ano. Estamos aprendendo e experimentando. É um espaço para intermediação e criação entre ações externas e internas da emissora, como a renovação visual das vinhetas e questões de direito autoral. Então, há uma característica multifacetada no trabalho como um todo. Se há um norte para isso tudo, é crer que as emissoras públicas e educativas devem ser um laboratório de vanguardas.
5. Quais são os planos para os próximos cinco anos?
Muito trabalho! Seguir criando, produzindo, estudando, viajando. Quero auxiliar a Fundação Cultural Piratini a se consolidar como um espaço importante de integração, promoção e criação de conteúdos. Brinco que a TVE está saindo da era dos Flinstones para os Jetsons, mas é verdade. Há um esforço muito grande para se realizar este “upgrade” e acompanhar a revolução digital, mas tecnologia por si só não basta. É preciso ter um conceito de arte e educação em primeiro lugar e, principalmente, a valorização das pessoas. De um lado, buscar a interatividade e, de outro, mobilização social, integração com as comunidades para as quais servimos.
No campo da arte, planejo criar e lançar, pelo menos, três a quatro projetos em literatura, música, artes visuais, quadrinhos e videogame. Comecei a escrever meu terceiro livro. Estou esboçando um disco. Há muita coisa para fazer em cinco anos. O lance é seguir tocando ficha!