1- Quem é você, de onde vem e o que faz?
No livro ‘Os filhos dos dias’, Eduardo Galeano escreveu: “Os cientistas dizem que somos feitos de átomos, mas um passarinho me contou que somos feitos de histórias”. Creio que sou um dos tantos apaixonados em ouvir e contar histórias. Me chamo Ronaldo Bueno, nasci em Caxias do Sul e tenho 26 anos. Sou jornalista graduado pela UCS, com experiência profissional em rádio, impresso e assessoria de imprensa.
Em oito anos trabalhando em redações, fui produtor e apresentador na Tua Rádio São Francisco e atuei como repórter de variedades no Jornal Pioneiro, escrevendo principalmente sobre literatura e comportamento. Desde 2013, participo da cobertura de feiras e eventos literários na Serra Gaúcha, além de escrever alguns versos artesanalmente. Agora, com o lançamento do meu novo projeto, o podcast Atraverso, pretendo intensificar os laços com o mundo dos livros e compartilhar leituras com mais pessoas.
2- Por que decidiu ser jornalista?
A escolha pelo Jornalismo foi um processo um tanto natural, pois é uma área que me fascinava desde a infância. Lembro que, quando criança, brincava de apresentar telejornal: montava uma bancada improvisada no meio do quarto e ficava ali falando “notícias”. Eu também gostava de recortar notícias de jornais e colar em folhas de caderno, fazendo minhas próprias “publicações”, digamos assim. Mais tarde, já na adolescência, estudando em escola pública, ajudei a criar um jornal de estudantes. Por isso, disse que o Jornalismo foi um caminho construído ao longo dos anos. Atualmente, mesmo diante dos ataques que a nossa profissão está sofrendo, não abro mão de ser jornalista. É uma escolha de vida.
3- Quais são os resultados até o momento do lançamento do podcast Atraverso?
Tem sido uma experiência muito instigante. Sou ouvinte assíduo de podcasts há alguns anos e pude acompanhar ótimos formatos que utilizam a narrativa jornalística para contar histórias em áudio: Presidente da Semana, Projeto Humanos, Todas as Letras. Posso dizer que esses projetos serviram de inspiração e também como provocação: por que não produzir um podcast narrativo sobre literatura? A ideia surgiu em abril e, desde então, me debrucei em todas as suas etapas.
Nas duas semanas desde o lançamento do primeiro episódio, conversei com várias pessoas que já ouviram e fizeram questão de mandar recados, observações. O Atraverso está sendo recebido com muito carinho pelo público. E não apenas por pessoas que já faziam parte do meu círculo, mas também pelos novos rostos que o podcast fez com que eu conhecesse. A ideia do Atraverso é justamente essa: formar uma comunidade de leitores-ouvintes para debater sobre as histórias que nos tocam.
4- Na sua opinião, podcast ganhará mais força com o passar dos anos?
Os índices de leitura no Brasil caíram nos últimos quatro anos. Desde 2016, perdemos 4,6 milhões de leitores, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no País. Ao mesmo tempo, a procura pelos clubes de leitura tem crescido bastante. Ou seja, percebo que existe uma demanda por curadoria na hora de escolher as obras. As pessoas querem saber por onde começar, que autores precisam ler, se compram best-sellers ou livros aclamados pela crítica. É neste sentido que um podcast de literatura pode ajudar tanto os leitores mais experientes quanto os que buscam criar ou retomar o hábito da leitura. Não podemos desistir dos livros e do que eles representam para a formação cidadã.
Um detalhe importante: o mercado de podcast está em franca expansão no Brasil. Segundo o Ibope, 40% dos usuários de internet também são ouvintes desta plataforma. E conforme dados do Spotify, o Brasil já é o segundo maior consumidor do formato, atrás apenas dos Estados Unidos. Por isso, a ideia do Atraverso é oferecer uma espécie de curadoria, apresentando autores, trazendo curiosidades sobre livros, contextualizando obras e proporcionando leituras alternativas de histórias que as pessoas já conhecem.
5) Quais são os seus planos para daqui a cinco anos?
Não sou muito bom em projetar o futuro. Talvez porque eu valorize mais os caminhos percorridos, com suas surpresas e seus imprevistos, do que propriamente as chegadas. De qualquer forma, espero que o Atraverso siga rendendo boas histórias e fortaleça os vínculos com seu público. Quem sabe o podcast não se transforme em livro daqui a alguns anos? São ideias que já surgiram e, aos poucos, poderão ganhar forma. Também espero continuar ouvindo e contando histórias, além de voltar para o ambiente acadêmico, unindo esses dois campos de interesse: jornalismo e literatura.
Essa entrevista foi realizada pelos alunos de Estágio I do curso de Jornalismo, do Centro Universitário Metodista IPA. Texto: Mattheus Moraes.