{"id":106372,"date":"2025-05-14T10:20:30","date_gmt":"2025-05-14T13:20:30","guid":{"rendered":"https:\/\/ondawebhost3.com.br\/coletiva\/?post_type=materia&#038;p=106372"},"modified":"2026-01-22T17:44:23","modified_gmt":"2026-01-22T20:44:23","slug":"106372-2","status":"publish","type":"materia","link":"https:\/\/ondawebhost3.com.br\/coletiva\/materia\/106372-2\/","title":{"rendered":"Entre o p\u00fablico e o estatal: para onde v\u00e3o esses ve\u00edculos de Comunica\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<div class=\"post entry\">\n<p><span style=\"color: #e3d2ab;\"><strong><span style=\"font-size: 18pt;\">Um levantamento realizado pelo projeto Mais Pelo Jornalismo, do I&#8217;Max, mailing de imprensa que concentra aproximadamente 60 mil jornalistas do Brasil, revela que, de 2014 a 2024, houve um d\u00e9ficit de mais de 2,3 mil m\u00eddias no Pa\u00eds. Isso significa que, do diferencial entre os ve\u00edculos e portais que foram constantemente criados e encerrados ao longo desse per\u00edodo, o saldo \u00e9 negativo em rela\u00e7\u00e3o ao que ent\u00e3o existia.\u00a0<\/span><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">J\u00e1 o Atlas da Not\u00edcia, que compila dados a respeito do Jornalismo, aponta, em sua edi\u00e7\u00e3o de 2023, uma redu\u00e7\u00e3o de 8% nos desertos de not\u00edcia no Brasil &#8211; os lugares em que n\u00e3o h\u00e1 nenhum ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o com informa\u00e7\u00f5es locais operando. De acordo com a pesquisa, isso significa que 26,7 milh\u00f5es de pessoas est\u00e3o sem cobertura sobre o que acontece no seu entorno, abrangendo 2.712 munic\u00edpios.<\/span><\/p>\n<div><span style=\"font-size: 18pt;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"https:\/\/coletiva.net\/files\/d30b1cdd4e457e9643142c12072c30e5\/midia_foto\/20250514\/Olho-Caio.png\" width=\"233\" height=\"405\" \/><\/span><\/div>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">Neste \u00ednterim, os ve\u00edculos de Comunica\u00e7\u00e3o com dota\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria p\u00fablica podem representar uma alternativa diante da falta de abrang\u00eancia jornal\u00edstica que, n\u00e3o necessariamente, podem interessar \u00e0 m\u00eddia comercial ou ao\u00a0<em>mainstream<\/em>. A proposta esbarra no constante manejo e articula\u00e7\u00e3o que essas entidades t\u00eam realizado para a pr\u00f3pria supera\u00e7\u00e3o diante de um contexto de crise.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">Em audi\u00eancia p\u00fablica realizada no Senado Federal em 4 de novembro de 2024, representantes da Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o (EBC) pautaram dificuldades para o funcionamento, como a falta de profissionais, a extin\u00e7\u00e3o do conselho curador em 2016, durante o governo de Michel Temer (MDB), a aus\u00eancia de realiza\u00e7\u00e3o recente de concursos p\u00fablicos para a \u00e1rea e a necessidade de investimentos em tecnologia para a continuidade das opera\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">No Rio Grande do Sul, a principal e maior mola motriz da Comunica\u00e7\u00e3o P\u00fablica cerca-se na TVE RS e na r\u00e1dio FM Cultura, que sofreram reflexos administrativos diante do fim de sua mantenedora, a Funda\u00e7\u00e3o Piratini, extinta pelo decreto N.54.089 durante a gest\u00e3o de Jos\u00e9 Ivo Sartori (MDB). Esses cen\u00e1rios colocam em xeque a autonomia das estruturas p\u00fablicas de funcionamento perante o mercado e como frente propulsora para um debate sobre a participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica na Comunica\u00e7\u00e3o. Qual \u00e9 o futuro deste debate e como as emissoras v\u00e3o sobreviver a partir disso?\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span class=\"forecolor\" style=\"font-size: 24pt; color: #e3d2ab;\"><strong>Ser estatal \u00e9 ser p\u00fablico?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">\u00c9 preciso contextualizar as diferen\u00e7as e possibilidades que cada tipo de ve\u00edculo oferece. Isso representa imaginar as esferas p\u00fablicas e governamentais como elementos separados e n\u00e3o necessariamente convergentes, uma vez que possuem linhas editoriais e estruturas legais e administrativas distintas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">A Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, no Art. 223, versa sobre a outorga e renova\u00e7\u00e3o para os servi\u00e7os de radiodifus\u00e3o e indica a necessidade de uma complementaridade entre os sistemas privado, p\u00fablico e estatal. Nessa perspectiva, abre-se a possibilidade de que cada um seja entendido em formatos separados e, cada qual, com suas singularidades. No entanto, a legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o se aprofunda em defini\u00e7\u00f5es mais espec\u00edficas sobre o que seriam essas singularidades, o que demanda um aporte de investiga\u00e7\u00e3o e de redefini\u00e7\u00f5es para que se chegue a uma malha conceitual que d\u00ea conta de delimitar os campos de atua\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">A Lei N. 11.652\/2008, que autorizou a cria\u00e7\u00e3o da Empresa Brasil de Comunica\u00e7\u00e3o, igualmente cita esses princ\u00edpios para observa\u00e7\u00e3o, em alinhamento com a Carta Magna, mas tamb\u00e9m n\u00e3o entra nos meandros das situa\u00e7\u00f5es que caracterizariam cada uma delas, salvo pelo Art. 3\u00ba, que informa sobre os objetivos de uma radiodifus\u00e3o p\u00fablica. Por isso, entender o futuro dos ve\u00edculos de Comunica\u00e7\u00e3o advindos do Estado demanda, antes de mais nada, compreend\u00ea-los em suas propostas e administra\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">Para Maria Helena Weber, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), falar em estruturas estatais significa relacion\u00e1-las ao atendimento \u00e0 estrutura governamental, servindo como uma promotora de a\u00e7\u00f5es do governo e de alinhamento com a gest\u00e3o. Nesse caso, o debate p\u00fablico n\u00e3o \u00e9, necessariamente, privilegiado, funcionando como uma verticaliza\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es que podem ser de interesse da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica divulgar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"https:\/\/coletiva.net\/files\/d30b1cdd4e457e9643142c12072c30e5\/midia_foto\/20250514\/Olho-Maria.png\" width=\"233\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">&#8220;Seus gestores investem na simplifica\u00e7\u00e3o, e a tend\u00eancia \u00e9 que sirvam \u00e0 propaganda das pol\u00edticas governamentais do momento. Essa caracter\u00edstica reduz a capacidade das emissoras de dar visibilidade a projetos e pol\u00edticas p\u00fablicas e ao debate iminente \u00e0s democracias&#8221;, afirma. As emissoras estatais, por isso, ocupam uma posi\u00e7\u00e3o de refor\u00e7ar determinadas posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, com casos em que chegam a servir como assessoria de imprensa oficial do governo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">J\u00e1 as emissoras p\u00fablicas contam com um aporte que possibilita a amplia\u00e7\u00e3o do debate por, na sua administra\u00e7\u00e3o e programa\u00e7\u00e3o, contar com participa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica da sociedade, ligando-se \u00e0 ideia de cidadania. De fato, nos objetivos da radiodifus\u00e3o p\u00fablica dados pelo Art. 3\u00ba da Lei N. 11.652\/2008 \u00e9 mencionado o desenvolvimento da &#8220;consci\u00eancia cr\u00edtica do cidad\u00e3o, mediante programa\u00e7\u00e3o educativa, art\u00edstica, cultural, informativa, cient\u00edfica e promotora de cidadania&#8221; em seu inciso II.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">No seguinte, \u00e9 explicitamente citado o car\u00e1ter que atribui import\u00e2ncia a esse tipo de emissora para a manuten\u00e7\u00e3o de um estado civil democr\u00e1tico: &#8220;Fomentar a constru\u00e7\u00e3o da cidadania, a consolida\u00e7\u00e3o da democracia e a participa\u00e7\u00e3o na sociedade, garantindo o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, \u00e0 livre express\u00e3o do pensamento, \u00e0 cria\u00e7\u00e3o e \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o&#8221;. O antrop\u00f3logo colombiano Jes\u00fas Mart\u00edn-Barbero chega a citar, no texto &#8216;Televis\u00e3o p\u00fablica, televis\u00e3o cultural: entre a renova\u00e7\u00e3o e a inven\u00e7\u00e3o&#8217;, que &#8220;a televis\u00e3o p\u00fablica acaba sendo, hoje, um decisivo lugar de inscri\u00e7\u00e3o de novas cidadanias, onde a emancipa\u00e7\u00e3o social e cultural adquire uma face contempor\u00e2nea&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">O papel da radiodifus\u00e3o p\u00fablica, assim, vai al\u00e9m do proposto pela estatal &#8211; funcionando como uma porta-voz do que acontece nas esferas administrativas &#8211; ao amplificar os debates e oferecer visibilidade \u00e0 diversidade cultural e social. O Jornalismo j\u00e1 tem, por si s\u00f3, esclarecer o cidad\u00e3o e apresentar a pluralidade da sociedade como uma de suas 12 finalidades apontadas pela pesquisadora Gisele Reginato na obra &#8216;As finalidades do Jornalismo&#8217;. No sentido iluminista do termo, como a autora menciona, isso significa que ele busca apresentar aos leitores que o mundo \u00e9 mais complexo do que se imagina, valendo-se de in\u00fameras vozes e opini\u00f5es para pintar o quadro da sociedade. No caso das emissoras p\u00fablicas, o papel \u00e9 ainda mais singular, pois n\u00e3o se trata apenas de Jornalismo, e sim, de uma programa\u00e7\u00e3o que cont\u00e9m Entretenimento e Educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">Al\u00e9m disso, as emissoras p\u00fablicas apresentam possibilidades de divulga\u00e7\u00e3o para al\u00e9m das emissoras comerciais e que possam ultrapassar as limita\u00e7\u00f5es que o mercado e os patrocinadores imp\u00f5em. O deputado federal e ex-ministro-chefe da Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o Social da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica durante o terceiro governo Lula, Paulo Pimenta (PT), afirma que as empresas p\u00fablicas cumprem um papel, inclusive, diante do contexto de circula\u00e7\u00e3o de desinforma\u00e7\u00f5es: &#8220;Elas garantem que temas de interesse nacional sejam abordados de forma plural e educativa, sem a l\u00f3gica do mercado privado&#8221;.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">Neste sentido, Mart\u00edn-Barbero refor\u00e7a, com os grifos de sua autoria: &#8220;Assim como na esfera do mercado, a regulamenta\u00e7\u00e3o estatal se justifica pelo ineg\u00e1vel\u00a0<em>interesse coletivo<\/em>, presente em toda atividade de comunica\u00e7\u00e3o de massa, a exist\u00eancia de\u00a0<em>meios p\u00fablicos<\/em>\u00a0justifica-se pela necessidade de possibilitar\u00a0<em>alternativas de comunica\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0que deem entrada a todas aquelas exig\u00eancias culturais que n\u00e3o cabem nos par\u00e2metros do mercado, sejam elas provenientes das maiorias ou das minorias&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"forecolor\" style=\"font-size: 24pt; color: #e3d2ab;\"><strong>H\u00e1 uma crise no modelo?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">Luiz Artur Ferraretto, tamb\u00e9m professor da UFRGS e ex-presidente do Conselho Deliberativo da extinta Funda\u00e7\u00e3o Piratini, defende que &#8220;emissoras, para serem consideradas p\u00fablicas, precisam ter, obrigatoriamente, conselhos deliberativos com representatividade da sociedade&#8221;. O pesquisador, por\u00e9m, pondera: &#8220;\u00c9 rar\u00edssimo isso no Brasil. Isso j\u00e1 diminui o impacto delas&#8221;. No caso da TVE e da FM Cultura, ap\u00f3s a dissolu\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o, ambas foram subordinadas ao Departamento de Radiodifus\u00e3o e Audiovisual da Secretaria Estadual de Comunica\u00e7\u00e3o (Secom), ficando diretamente ligadas \u00e0 administra\u00e7\u00e3o estadual.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"https:\/\/coletiva.net\/files\/d30b1cdd4e457e9643142c12072c30e5\/midia_foto\/20250514\/Olho-Paulo.png\" width=\"233\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">Para Ferraretto, h\u00e1 uma falta de empenho, por parte dos governos, em fazer essas entidades continuarem seus trabalhos. O professor cita, na sequ\u00eancia da extin\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Piratini, um processo de desconstru\u00e7\u00e3o e desmonte das emissoras, que contavam com a participa\u00e7\u00e3o de representantes da sociedade civil. &#8220;Parece que h\u00e1 uma incompreens\u00e3o, por parte dos governos, a respeito do real papel dessas emissoras. Muitas vezes, o papel que \u00e9 atribu\u00eddo a elas \u00e9 de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, ou de assessoria de imprensa&#8221;, comenta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">A superintendente de Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, V\u00e2nia Lain, destaca o protagonismo das emissoras p\u00fablicas quando se trata de transpar\u00eancia e de compromisso com a sociedade ao promover diversidade de pautas. &#8220;Emissoras p\u00fablicas, como a TV Assembleia, devem ser analisadas a partir de uma vis\u00e3o sobre a import\u00e2ncia da informa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, da pluralidade midi\u00e1tica e da adapta\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.&#8221; Ela destaca que esses canais funcionam como pontes diretas entre os cidad\u00e3os e, nesse caso, o poder Legislativo, que representa a integralidade da popula\u00e7\u00e3o do estado. &#8220;As emissoras p\u00fablicas e legislativas reverberam uma realidade muito heterog\u00eanea, nem sempre acolhida como pauta pelo ponto de vista do jornalismo de\u00a0<em>hard news<\/em>; elas ampliam o acesso a vozes e temas que dificilmente teriam espa\u00e7o em canais comerciais. Elas contribuem para a diversidade de narrativas, de pensamento e participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3&#8221;, complementa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">A TV C\u00e2mara, vinculada \u00e0 C\u00e2mara Municipal de Vereadores de Porto Alegre, tamb\u00e9m vem com uma perspectiva de ampliar temas que s\u00e3o de interesse p\u00fablico. Dividindo com a TV Assembleia o canal 16 da NET, a emissora apresenta uma revista eletr\u00f4nica, entrevista personalidades da cena local e transmite as sess\u00f5es do Legislativo municipal, incluindo diversas reprises ao longo da semana.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">A TVE, em opera\u00e7\u00e3o desde 1974, veicula programas que possuem uma longa rela\u00e7\u00e3o com o povo ga\u00facho, como Radar e Pandorga. J\u00e1 a FM Cultura, no ar desde 1989, tem em sua grade, na mesma linha, Conversa de Botequim e Caf\u00e9 Cultura. Ambas as emissoras funcionam como fomentadoras de um conte\u00fado produzido de uma forma plural e da cultura ga\u00facha, apresentando quadros locais e que refor\u00e7am a divulga\u00e7\u00e3o dessa agenda t\u00edpica do Estado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">A longa rela\u00e7\u00e3o com o povo do RS tamb\u00e9m \u00e9 marcada por instabilidades administrativas e quanto \u00e0 pr\u00f3pria exist\u00eancia das emissoras, cujo hist\u00f3rico \u00e9 marcado por uma trajet\u00f3ria de lutas para a continuidade de seu car\u00e1ter p\u00fablico. De acordo com o Relat\u00f3rio de Realiza\u00e7\u00f5es da gest\u00e3o 2011-2024 da Funda\u00e7\u00e3o Piratini, de 2003 a 2010, foram investidos apenas R$ 515 mil reais &#8211; no ano de 2008, o valor chegou a ser de somente R$ 4,7 mil reais.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">O atual diretor do Departamento de Radiodifus\u00e3o e Audiovisual, Caio Klein, diz que tem buscado parcerias para a manuten\u00e7\u00e3o das atividades das emissoras, citando uma reestrutura\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria Secom, al\u00e9m de uma preocupa\u00e7\u00e3o com a continuidade, no longo prazo, do oferecimento dos servi\u00e7os. &#8220;Quando n\u00f3s assumimos, j\u00e1 tinha esse cen\u00e1rio posto.\u00a0A gente reorganizou as for\u00e7as de trabalho e aumentamos, significativamente, a produ\u00e7\u00e3o da programa\u00e7\u00e3o local. O fato de estarmos ligados diretamente a uma secretaria n\u00e3o \u00e9, por si s\u00f3, uma quest\u00e3o ruim&#8221;, frisa. O gestor demonstra expectativa com a implementa\u00e7\u00e3o da TV 3.0, a nova gera\u00e7\u00e3o da televis\u00e3o digital brasileira, que dever\u00e1 unir a tradicional transmiss\u00e3o pelo ar com a\u00a0<em>broadband<\/em>, que \u00e9 a transmiss\u00e3o pela internet.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"forecolor\" style=\"font-size: 24pt; color: #e3d2ab;\"><strong>E o futuro?<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">Weber considera &#8220;complexo&#8221; o futuro das emissoras governamentais de comunica\u00e7\u00e3o, ressaltando a import\u00e2ncia dessas institui\u00e7\u00f5es para a contribui\u00e7\u00e3o no debate social e para a promo\u00e7\u00e3o da verdade. Segundo ela, se, por um lado, o r\u00e1dio \u00e9 financeiramente mais f\u00e1cil de ser mantido, por outro, \u00e9 grande o aporte de recursos necess\u00e1rios para a perman\u00eancia da televis\u00e3o, especialmente em tempos de hibrida\u00e7\u00e3o e de integra\u00e7\u00e3o com novas plataformas e formatos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"https:\/\/coletiva.net\/files\/d30b1cdd4e457e9643142c12072c30e5\/midia_foto\/20250514\/Olho-Luiz.png\" width=\"233\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">Nesta linha, afirma que \u00e9 necess\u00e1rio definir princ\u00edpios para o correto manejo dos investimentos, recursos e ferramentas, tamb\u00e9m pela distin\u00e7\u00e3o que esses ve\u00edculos ocupam em rela\u00e7\u00e3o aos outros tipos de meios de comunica\u00e7\u00e3o. &#8220;Essa perspectiva &#8211; associada ao ambiente digital -, as coloca em lugar privilegiado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demais m\u00eddias porque as torna singulares e, assim, atraem p\u00fablicos espec\u00edficos&#8221;, explica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">O apontamento de Weber alinha-se com o crescimento dos ambientes digitais e a necessidade de um posicionamento cada vez mais intenso nos ambientes de redes. Esta associa\u00e7\u00e3o com o ambiente digital, assim como tamb\u00e9m j\u00e1 acontece com os demais modelos de meios de comunica\u00e7\u00e3o, dever\u00e1 estar mais intimamente em pauta. Klein reconhece a necessidade de uma maior inser\u00e7\u00e3o da TVE e da FM Cultura nas redes sociais como propulsoras de divulga\u00e7\u00e3o e como alguns dos principais canais de divulga\u00e7\u00e3o de conte\u00fado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">&#8220;N\u00f3s precisamos, al\u00e9m do canal tradicional, ter, tamb\u00e9m, uma inser\u00e7\u00e3o nessas m\u00eddias novas. A gente entende que o consumo de m\u00eddia est\u00e1 muito nesses canais, e estamos com o desafio de como conseguimos transformar nossos programas para que o p\u00fablico nos perceba em outras formas de distribui\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">Lain, na mesma linha, considera essencial a incurs\u00e3o nos meios digitais e uma adapta\u00e7\u00e3o ao sistema de\u00a0<em>streaming<\/em>\u00a0e \u00e0s redes, sendo uma forma de dar visibilidade para um trabalho cujo objetivo \u00e9 a cidadania. &#8220;A produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado multiplataforma \u00e9 fundamental para alcan\u00e7ar novos p\u00fablicos, especialmente os mais jovens. \u00c9 um desafio constante se reinventar e se comunicar com a sociedade&#8221;, diz. Ela afirma que o futuro desses ve\u00edculos est\u00e1 ligado a esta capacidade de reinven\u00e7\u00e3o, realizando adapta\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas e proporcionando espa\u00e7os com participa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e de fortalecimento da rela\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico, que considera ser o aspecto social mais relevante.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">As particularidades das emissoras p\u00fablicas, assim, fundem-se com a crescente e necessidade de presen\u00e7a digital, umas vez que diferentes conte\u00fados s\u00e3o consumidos somente nas redes, tornando, estas, propulsoras de conte\u00fado adaptados para a realidade da plataforma.\u00a0&#8220;O desafio \u00e9 juntar o tradicional com o novo de uma forma que fa\u00e7a sentido para a popula\u00e7\u00e3o ga\u00facha&#8221;,\u00a0diz Klein.\u00a0Lain explica que a converg\u00eancia nas plataformas tamb\u00e9m \u00e9 um dos balizadores para a compreens\u00e3o do futuro das emissoras p\u00fablicas, e que estas tamb\u00e9m funcionam como importantes ferramentas no combate \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e \u00e0s not\u00edcias falsas. &#8220;Acredito que [o futuro tecnol\u00f3gico] passe pela cria\u00e7\u00e3o de modelos h\u00edbridos, com parcerias que preservem o interesse p\u00fablico como prioridade. Os ve\u00edculos p\u00fablicos bem-sucedidos, no futuro, ser\u00e3o aqueles que conseguirem aliar inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica com compromisso \u00e9tico, diversidade e transpar\u00eancia&#8221;, pondera.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"https:\/\/coletiva.net\/files\/d30b1cdd4e457e9643142c12072c30e5\/midia_foto\/20250515\/Olho-Vania.png\" width=\"233\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">Pimenta declara que, enquanto esteve \u00e0 frente da\u00a0Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o Social da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, uma dos desafios foi estabelecer uma comunica\u00e7\u00e3o institucional com clareza, num contexto de polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, e de moderniza\u00e7\u00e3o das da forma de relacionamento governamental com os diferentes p\u00fablicos. Ao mesmo tempo, tamb\u00e9m frisa a necessidade de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s novas m\u00eddias e aos seus formatos de intera\u00e7\u00e3o com estes p\u00fablicos, admitindo que os formatos de consumo de m\u00eddia possuem novas din\u00e2micas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">&#8220;O futuro dessas emissoras passa pela digitaliza\u00e7\u00e3o, pela integra\u00e7\u00e3o com novas plataformas e pelo fortalecimento de uma comunica\u00e7\u00e3o cada vez mais interativa e participativa&#8221;, complementa. O ex-ministro, que tamb\u00e9m \u00e9 jornalista formado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), enfatiza que deve haver um compromisso com a informa\u00e7\u00e3o de interesse p\u00fablico e com a independ\u00eancia editorial para que essas m\u00eddias sigam cumprindo um &#8220;papel essencial na democracia brasileira&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">A preocupa\u00e7\u00e3o com as verbas s\u00e3o intr\u00ednsecas quanto ao futuro e \u00e0 pr\u00f3pria administra\u00e7\u00e3o das entidades, estando o volume de investimentos e de qualidade de programa\u00e7\u00e3o correlacionados com a capacidade de sustentar as atividades das emissoras. Ferraretto versa sobre as possibilidades de futuro, que podem ir do mundo desejado ao mundo pr\u00e1tico.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">&#8220;Sem investimento, a tend\u00eancia \u00e9 n\u00e3o ir al\u00e9m do que se tem hoje e, at\u00e9, piorar essa situa\u00e7\u00e3o. Sem investimento, n\u00e3o se faz nada. Sem dinheiro, n\u00e3o se faz nada. E \u00e9 preciso ser entendido pelo poder p\u00fablico que esses ve\u00edculos precisam ser pensados, verdadeiramente, como um projeto do Estado para o futuro da Comunica\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o um projeto do partido [pol\u00edtico]&#8221;, comenta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">O futuro das esta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de comunica\u00e7\u00e3o passa por uma reestrutura\u00e7\u00e3o de seus conceitos diante das m\u00eddias digitais e da necessidade de reinven\u00e7\u00e3o para a formula\u00e7\u00e3o de conte\u00fados que possam ser consumidos tanto pelas pessoas mais velhas quanto pelos jovens, hiperconectados e com novas linguagens que passam a fazer parte do cotidiano social.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt;\">Como frutos de pol\u00edticas de democratiza\u00e7\u00e3o, essas estruturas, para sua consolida\u00e7\u00e3o p\u00fablica, especialmente no contexto de difus\u00e3o de redes, precisar\u00e3o, cada vez mais, refor\u00e7ar a sua import\u00e2ncia como meios de comunica\u00e7\u00e3o com capacidade de participa\u00e7\u00e3o popular e, assim, de fortalecimento da ideia de meios de comunica\u00e7\u00e3o que t\u00eam a cidadania no seu \u00e2mago. Investimentos em tecnologia e uma compreens\u00e3o melhor estruturada das redes s\u00e3o fundamentais para que esses ve\u00edculos n\u00e3o s\u00f3 se comuniquem com seus p\u00fablicos, como permane\u00e7am existindo e prestando servi\u00e7os \u00e0 sociedade brasileira.<\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um levantamento realizado pelo projeto Mais Pelo Jornalismo, do I&#8217;Max, mailing de imprensa que concentra aproximadamente 60 mil jornalistas do Brasil, revela que, de 2014 a 2024, houve um d\u00e9ficit de mais de 2,3 mil m\u00eddias no Pa\u00eds. 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