{"id":15813,"date":"2006-04-10T00:00:00","date_gmt":"2006-04-10T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ondawebhost3.com.br\/coletiva\/sem-categoria\/jornalismo-na-genetica\/"},"modified":"2006-04-10T00:00:00","modified_gmt":"2006-04-10T03:00:00","slug":"jornalismo-na-genetica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ondawebhost3.com.br\/coletiva\/perfil\/jornalismo-na-genetica\/","title":{"rendered":"Wanderley Costa Soares: Jornalismo na gen\u00e9tica"},"content":{"rendered":"<p><P><SPAN>Wanderley Soares pode ser considerado um jornalista nato. Viveu a \u00e9poca &#8220;rom\u00e2ntica&#8221; do jornalismo. Uma \u00e9poca em que &#8220;as reda\u00e7\u00f5es eram vibrantes&#8221;, onde o profissional buscava, acima de tudo, a verdade e o compromisso com a cidadania. &#8220;A vibra\u00e7\u00e3o do dia-a-dia era muito boa, as mesas eram compridas como as de churrasco e tinha uma s\u00e9rie de m\u00e1quinas de escrever Olivetti. Dentro da reda\u00e7\u00e3o da \u00daltima Hora&nbsp;havia um bar que vendia inclusive cerveja, valia tudo. Hoje as reda\u00e7\u00e3o est\u00e3o muito ass\u00e9pticas&#8221;, lamenta. <?xml:namespace prefix = o ns = \"urn:schemas-microsoft-com:office:office\" \/><o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN>Wanderley Costa Soares nasceu em Porto Alegre h\u00e1 66 anos. Passou os primeiros anos de vida em uma ch\u00e1cara no bairro Vila Nova, mas aos dois anos mudou-se com a fam\u00edlia para a Cidade Baixa. Filho da dona-de-casa Vidalvina e do linotipista &#8211; esp\u00e9cie de digitador nas reda\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas da \u00e9poca &#8211; Waldomiro dividiu a inf\u00e2ncia com cinco irm\u00e3os. A profiss\u00e3o do pai fez com que Wanderley e os irm\u00e3os fossem criados num ambiente ligado&nbsp;\u00e0 imprensa. &#8220;Cresci com o cheiro dos jornais que papai trazia para casa, por isso me considero jornalista por uma quest\u00e3o gen\u00e9tica&#8221;, diz. <o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN>Da inf\u00e2ncia, Wanderley guarda as lembran\u00e7as das brincadeiras de rua, dos jogos de futebol, das bolinhas de gude, al\u00e9m de outras lembran\u00e7as nem t\u00e3o alegres assim: &#8220;Apesar da pouca idade que tinha, lembro perfeitamente da enchente de 1941, da \u00e1gua barrenta que invadiu as casas e tamb\u00e9m das conversas sobre a 2\u00aa Guerra Mundial e do p\u00e3o da guerra que era feito de centeio. P\u00e3o de farinha de trigo era s\u00f3 de vez em quando e era uma festa, ali\u00e1s nem existe mais p\u00e3o de trigo, esse p\u00e3o que a gente come hoje \u00e9 um horror&#8221;, diz com certo saudosismo. A 2\u00aa Guerra Mundial era tema das conversas entre a fam\u00edlia e vizinhos. &#8220;Para n\u00f3s alem\u00e3o era o diabo&#8221;, relembra. &#8220;T\u00ednhamos uns vizinhos que eram alem\u00e3es e a divers\u00e3o da gurizada da rua era apedrejar a casa deles&#8221;. <o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/><P><STRONG>Profissional autoditada<\/STRONG> <\/P><br \/><P><SPAN>Wanderley bem que tentou investir em outro caminho profissional, mas n\u00e3o conseguiu. Embora o primeiro emprego j\u00e1 tenha sido como office boy do jornal Estado do Rio Grande, aos 14 anos, ele conciliava o trabalho com o curso de t\u00e9cnico em contabilidade. Chegou a trabalhar na \u00e1rea administrativa de algumas empresas, mas em 1960 iniciou a carreira de rep\u00f3rter no jornal \u00daltima Hora. &#8220;Meu irm\u00e3o Waldomiro Soares era fot\u00f3grafo e me indicou para a vaga&#8221;, conta o jornalista. &#8220;Lembro perfeitamente do meu primeiro dia de trabalho. Me mostraram a reda\u00e7\u00e3o e me deixaram sozinho, tive que me virar&#8221;. <o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN>Com o golpe militar de 1964, a \u00daltima Hora fechou as portas e alguns meses depois Wanderley foi convidado por Ari Carvalho a integrar a equipe da Zero Hora que estava sendo formada. &#8220;Trabalhei na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da \u00daltima Hora e na primeira edi\u00e7\u00e3o da Zero Hora&#8221;, relembra. Dois anos depois, a convite do jornalista Ant\u00f4nio Gonzalez, Wanderley foi trabalhar na editoria de pol\u00edcia da Folha da Tarde. &#8220;Fiz de tudo, fui rep\u00f3rter, editor e copy desk. &#8220;Foram nove anos na Folha da Tarde. Tive grandes momentos na Caldas Jr&#8221;, relembra. <o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN>Entre as grandes reportagens assinadas por Wanderley uma lhe d\u00e1 muito orgulho: &#8220;o caso das m\u00e3os amarradas&#8221;, que envolvia o sargento Manoel Raimundo Soares, morto pela ditadura. &#8220;O corpo foi encontrado no Rio Jacu\u00ed com as m\u00e3os amarradas nas costas. Acompanhei toda a investiga\u00e7\u00e3o e consegui o relat\u00f3rio do promotor de Justi\u00e7a que acusava o militar Menna Barreto como autor do crime. Quando peguei aquele material vi que tinha uma bomba nas m\u00e3os. No outro dia foi publicada a mat\u00e9ria e uma foto minha, na capa, pegando o relat\u00f3rio com o promotor, em plena ditadura&#8221;, conta com entusiasmo. <o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/><P>A carreira do jornalista inclui ainda uma passagem pelo Jornal da Produ\u00e7\u00e3o, de Carazinho, onde atuou por tr\u00eas anos. De volta a Porto Alegre, em 78, assumiu o cargo de subchefe de reportagem na Folha da Manh\u00e3, mas o &#8220;estigma de pol\u00edcia&#8221; o acompanhava. &#8220;Meses depois o editor de pol\u00edcia do jornal recebeu uma proposta para trabalhar em Bras\u00edlia e adivinha pra quem sobrou o cargo? Foi a\u00ed que desisti de pensar em sair da editoria de pol\u00edcia&#8221;. Com a decad\u00eancia da Caldas Jr., em 80, veio o fechamento da Folha da Manh\u00e3. Wanderley voltou ent\u00e3o para a Zero Hora como subeditor de pol\u00edcia e mais tarde assumiu o cargo de editor. &#8220;Fui a convite do Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Ribeiro, montamos uma equipe de pol\u00edcia b\u00e1rbara, s\u00f3 com grandes profissionais&#8221;. Por l\u00e1 ficou durante 11 anos. <\/P><br \/><P><SPAN>Em 1992, o jornalista resolveu abra\u00e7ar um novo desafio: foi trabalhar como assessor de imprensa do Tribunal de Justi\u00e7a. Sete anos depois Wanderley aposentou-se e voltou a trabalhar no que mais gostava, a reda\u00e7\u00e3o, desta vez como redator do Correio do Povo. <o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN>Atualmente, Wanderley Soares assina uma coluna de pol\u00edcia do jornal O Sul, de ter\u00e7a a domingo. &#8220;Sou o \u00fanico jornalista brasileiro que tem uma coluna quase di\u00e1ria sobre seguran\u00e7a p\u00fablica&#8221;, orgulha-se.<o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/><P><STRONG>No embalo da vida<\/STRONG> <\/P><br \/><P>H\u00e1 18 anos Wanderley teve uma grande perda na vida. A esposa Neusa morreu v\u00edtima de um c\u00e2ncer, aos 42 anos. Al\u00e9m de mulher de Wanderley, Neusa era sua parceira de boemia. &#8220;Dan\u00e7o muito bem. Chegava tarde do jornal, \u00e0s 3h da manh\u00e3, pegava minha mulher e sa\u00edamos para dan\u00e7ar todos os dias. Muitas pessoas achavam que n\u00e3o \u00e9ramos casados e sim que t\u00ednhamos um caso&#8221;, diverte-se. &#8220;Isso durante todo o nosso casamento, que durou mais de 20 anos&#8221;, diz o amante de samba e chorinho. Neusa e Wanderley tiveram tr\u00eas filhas: Luciene, que vive com o pai, Laura e Tatiana.<SPAN>&nbsp; <\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN>Hoje, Wanderley divide essa paix\u00e3o com a namorada Gilda Barlezi, professora de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica aposentada, que ele namora h\u00e1 quase 16 anos. &#8220;Sem nenhuma perspectiva de casamento&#8221;, deixa claro. Outra paix\u00e3o do jornalista \u00e9 a leitura. &#8220;Ler para mim \u00e9 como comer&#8221;, e destaca o gosto pelas obras cl\u00e1ssicas. O gosto pela literatura motivou-o a escrever uma s\u00e9rie de cr\u00f4nicas publicadas h\u00e1 seis anos na obra &#8220;O Feiticeiro&#8221;. Agora ele prepara-se para o lan\u00e7amento de mais um livro: A Ronda do Feiticeiro, que deve reunir cr\u00f4nicas e poemas. &#8220;Estou fazendo a leitura final do livro e pretendo lan\u00e7\u00e1-lo ainda este ano&#8221;. Se tudo der certo, Wanderley pretende abra\u00e7ar um novo caminho. &#8220;Pretendo trabalhar s\u00f3 com literatura&#8221;, planeja.<SPAN>&nbsp; <\/SPAN><o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><br \/><P>Para desopilar, sua receita \u00e9 bater um bom papo e de prefer\u00eancia sobre assuntos que rendam uma boa discuss\u00e3o. Das qualidades, Wanderley destaca a habilidade em escrever; dos defeitos, queixa-se de sempre pensar nos outros primeiro. Seguidor da filosofia Rosacruz, Wanderley aprendeu a valorizar o potencial interior do ser humano. &#8220;A Ordem Rosacruz ensina voc\u00ea a realizar na sua vida os objetivos fundamentais de desenvolvimento pessoal e autoconhecimento, mostra como crescer espiritual e materialmente e leva a compromissos com a humanidade&#8221;, explica. <\/P><br \/><P><SPAN>Planejar o futuro n\u00e3o faz parte do modo de vida de Wanderley, que prefere viver um dia de cada vez. &#8220;Nunca pensei em me casar e casei; nunca pensei em ter filhos e tive; jamais imaginei que ficaria vi\u00favo, minha mulher era jovem, linda e saud\u00e1vel, e a primeira vez que ela ficou doente, morreu, ent\u00e3o n\u00e3o tenho por que construir castelos&#8221;, revela o jornalista. Para ele, que j\u00e1 vivenciou grandes hist\u00f3rias, <\/SPAN><SPAN>o sucesso pode estar em cada dia que come\u00e7a. &#8220;Falar de sucesso \u00e9 muito relativo porque varia de pessoa pra pessoa. Pra mim, sucesso \u00e9 viver cada dia e nunca estar em d\u00edvida contigo mesmo&#8221;.<\/SPAN><\/P><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ondawebhost3.com.br\/coletiva\/wp-content\/uploads\/lega\/y\/\/perfil194.jpg\" alt=\"Imagem\" class=\"aligncenter size-full\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Wanderley Soares pode ser considerado um jornalista nato. Viveu a \u00e9poca &#8220;rom\u00e2ntica&#8221; do jornalismo. 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