{"id":15927,"date":"2007-05-18T00:00:00","date_gmt":"2007-05-18T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ondawebhost3.com.br\/coletiva\/sem-categoria\/o-rei-do-veneno\/"},"modified":"2007-05-18T00:00:00","modified_gmt":"2007-05-18T03:00:00","slug":"o-rei-do-veneno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ondawebhost3.com.br\/coletiva\/perfil\/o-rei-do-veneno\/","title":{"rendered":"Jo\u00e3o Carlos Terlera: O rei do veneno"},"content":{"rendered":"<p><P><I><SPAN><\/SPAN><\/I><SPAN>Com a carteira profissional nas m\u00e3os, Jo\u00e3o Carlos Terlera vira p\u00e1gina por p\u00e1gina para contar toda a sua carreira sem se perder nas datas. E ele tem motivos. Nascido em 1941, em Mu\u00e7um, sua hist\u00f3ria na imprensa come\u00e7a em 1959, na R\u00e1dio Alto Taquari, munic\u00edpio de Estrela, em uma fun\u00e7\u00e3o que nem existe mais, a de &#8220;noticiarista&#8221;. Em 1962, foi convidado pelo ent\u00e3o deputado estadual Ad\u00e3o Henrique Fett para trabalhar com ele na R\u00e1dio Porto Alegre. No mesmo ano, tirou o primeiro lugar em um concurso para datil\u00f3grafo da Assembl\u00e9ia Legislativa do Rio Grande do Sul, concorrendo com 122 candidatos. Em 1966, substituiu um jornalista da Assembl\u00e9ia, onde, desde 1970, atua como jornalista fixo. Agora, n\u00e3o por acaso, a nova sala de imprensa da casa \u00e9 batizada com o seu nome, como uma homenagem ao profissional que dedicou mais de 40 anos de sua vida \u00e0 AL ga\u00facha.<\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><B><SPAN>Muito veneno<\/SPAN><\/B><\/P><br \/><P><B><SPAN><\/SPAN><\/B><SPAN>Como o trabalho na Assembl\u00e9ia era s\u00f3 \u00e0 tarde, arranjou tempo para cobrir diariamente o aeroporto, no per\u00edodo das 8h \u00e0s 13h, para a R\u00e1dio Farroupilha e o Di\u00e1rio de Not\u00edcias. &#8220;Eu fiquei cinco anos no aeroporto, e isso foi uma escola para mim, porque ali apareciam pol\u00edticos, cantores, intelectuais, e eu tinha que entender de tudo um pouco para entrevistar essas pessoas&#8221;, explica Terlera. Neste per\u00edodo, ainda trabalhou por nove anos na Folha da Manh\u00e3, o que motivou sua nomea\u00e7\u00e3o para setorista da Assembl\u00e9ia, em fun\u00e7\u00e3o do seu envolvimento com a Casa. Foi a partir da\u00ed que ingressou na \u00e1rea da cobertura pol\u00edtica. <\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><SPAN>Em 1978, a convite de Carlos Fehlberg e Cec\u00edlio Pereira, se transferiu como rep\u00f3rter para a Zero Hora, tamb\u00e9m cobrindo a Assembl\u00e9ia. No ano seguinte, se tornou o respons\u00e1vel por uma coluna pol\u00edtica estadual, com o nome &#8216;Bastidores&#8217;, que durou 13 anos e pode ser considerada precursora da atual &#8216;P\u00e1gina 10&#8217;, assinada por Rosane de Oliveira. &#8220;Eu realmente incomodava muito. Fazia mat\u00e9rias fortes, picantes, como eu gosto de fazer at\u00e9 hoje. Eu trabalhava em uma sala que o deputado C\u00e9zar Schirmer batizou de &#8216;Serpent\u00e1rio&#8217;, e colocou at\u00e9 placa. Era muito veneno mesmo&#8221;, diverte-se. Terlera confessa que essa coluna lhe causou muitos problemas, mas que nunca foi processado. &#8220;Na d\u00favida, eu sempre consultava o Ney Moura, advogado amigo meu, especializado em lei de imprensa, sobre o que eu deveria publicar ou n\u00e3o.&#8221; <\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><SPAN>Chegou a ser nomeado chefe de Imprensa da Assembl\u00e9ia, mas abdicou do cargo, em fun\u00e7\u00e3o da atividade paralela na ZH, porque podia &#8220;n\u00e3o pegar bem&#8221;. Atualmente, al\u00e9m do trabalho na AL, escreve para o Grupo Sinos, no jornal ABC Domingo. A f\u00f3rmula \u00e9 a mesma, coluna pol\u00edtica estadual ao estilo dos textos venenosos das d\u00e9cadas de 70 e 80.<\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><B><SPAN>Truques de rep\u00f3rter<\/SPAN><\/B><\/P><br \/><P><B><SPAN><\/SPAN><\/B><SPAN>Tanto cobrindo a Assembl\u00e9ia como o Pal\u00e1cio Piratini, Terlera lan\u00e7ou m\u00e3o de muitos truques para conseguir suas informa\u00e7\u00f5es. Ele conta que gar\u00e7ons e servidores de cafezinho eram os seus preferidos. &#8220;Eu comprava esse pessoal, no bom sentido, com presentes. Trouxe muito queijo e salame do Interior para presente\u00e1-los. Enquanto os pol\u00edticos conversavam, meus informantes ficavam em volta, escutando&#8221;, relembra Terlera. Os operadores de telex tamb\u00e9m eram constantemente acionados para que divulgassem com anteced\u00eancia para ele o conte\u00fado das mensagens.<\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><SPAN>Um epis\u00f3dio marcante \u00e9 da \u00e9poca em que trabalhava tamb\u00e9m para o Correspondente Renner, o principal noticioso da R\u00e1dio Gua\u00edba. O ent\u00e3o governador Synval Guazzelli havia marcado uma coletiva para fazer um comunicado importante. Como Terlera havia chegado cedo no Pal\u00e1cio, encontrou a primeira-dama e foi convidado para tomar um cafezinho no gabinete do governador, que estava ausente. Em determinado momento, a primeira-dama saiu da sala e Terlera notou uma folha de telex em cima da mesa. &#8220;Eu li aquilo e vi que era uma mensagem do presidente Geisel comunicando que estava decidido que o 3\u00ba P\u00f3lo Petroqu\u00edmico se instalaria no Rio Grande do Sul&#8221;, conta. Na \u00e9poca, a disputa pelo P\u00f3lo estava acirrada entre Rio Grande do Sul, S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. &#8220;Eu li com aten\u00e7\u00e3o e passei a not\u00edcia. Deu o maior rolo pra cima de mim, pois consegui aquela informa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de uma atitude um tanto mal-educada, de olhar pap\u00e9is em cima da mesa dos outros. Mas dei o furo, e o governo teve que confirmar porque era aquilo mesmo&#8221;, orgulha-se.<\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><SPAN>Outra hist\u00f3ria que se diverte em contar \u00e9 a da inaugura\u00e7\u00e3o da Free-Way. Terlera estava em Os\u00f3rio, onde se localizava o ponto inaugural da estrada. Jo\u00e3o Dentice, na \u00e9poca chefe da Casa Civil do governo de Peracchi Barcelos, vinha de Porto Alegre. &#8220;Ele mandou o motorista tocar pela pista da esquerda, que estava mais livre. Resultado: foi at\u00e9 l\u00e1 pela contram\u00e3o, pois n\u00e3o tinha retorno. E isto foi publicado!&#8221;, enfatiza.&nbsp;<SPAN>&nbsp;<\/SPAN><\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><SPAN><\/SPAN><\/SPAN><B><SPAN>Saindo do arm\u00e1rio<\/SPAN><\/B><\/P><br \/><P><B><SPAN><\/SPAN><\/B><SPAN>Em 1978, a uruguaia Lilian Celiberti, militante de esquerda, foi seq\u00fcestrada pela pol\u00edcia brasileira em Porto Alegre e levada para o Uruguai, junto com seu marido, Universindo Dias. Motivada por Pedro Simon, l\u00edder da oposi\u00e7\u00e3o na \u00e9poca, foi realizada uma reuni\u00e3o fechada na Assembl\u00e9ia para tentar apurar o seq\u00fcestro. Acontece que, pouco antes do encontro, Terlera se escondeu dentro de um grande arm\u00e1rio que se encontrava na sala. &#8220;Eu ouvi toda a reuni\u00e3o, as confus\u00f5es e as broncas do Simon e dos outros deputados&#8221;, relembra. Neste debate, ainda foi lida, em voz alta, uma nota que seria enviada reservadamente ao governador Guazelli. <\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><SPAN>Terlera memorizou algumas partes, j\u00e1 que n\u00e3o podia anotar no escuro. &#8220;S\u00f3 que eu fui de um azar terr\u00edvel. Quando a maioria j\u00e1 tinha ido embora e eu nem sabia quem ainda estava l\u00e1, fui acometido por um ataque de espirros, por causa da poeira, e n\u00e3o pude segurar, era um atr\u00e1s do outro&#8221;, lamenta. &#8220;Um assessor retardat\u00e1rio, o \u00fanico que ainda n\u00e3o havia sa\u00eddo, come\u00e7ou a gritar: &#8220;\u00c9 assombra\u00e7\u00e3o!!!&#8221; Chamou outras pessoas e me acharam ali dentro&#8221;, recorda. Integrantes da Assembl\u00e9ia criticaram duramente Terlera e receberam a resposta de que nada seria publicado. &#8220;No outro dia, eu publiquei e deu uma confus\u00e3o danada&#8221;, revela, ainda saboreando o feito.<\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><SPAN>O repert\u00f3rio de epis\u00f3dios inusitados \u00e9 vasto na carreira de Terlera. No come\u00e7o dos anos 70, o MDB se reunia para escolher o nome do suplente na chapa do ent\u00e3o deputado Pedro Simon, que estava concorrendo ao Senado. A disputa estava entre Alcides Saldanha e Ivo Sprandel. A escolha seria feita atrav\u00e9s de um simples sorteio, utilizando dois pap\u00e9is dentro de um cinzeiro em uma sala na Assembl\u00e9ia. Saldanha contava com a prefer\u00eancia de Simon e foi justamente o sorteado. &#8220;Eu acendi um cigarro e puxei o cinzeiro. Na hora de ir embora, depois de tudo escolhido, tive um &#8216;estalo&#8217; e resolvi pegar o outro papel. Abri e nele tamb\u00e9m estava escrito o nome do Alcides Saldanha. Publiquei!&#8221;, conta. Outras confus\u00f5es aconteceram, mas, no final, Saldanha se manteve como suplente.<\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><B><SPAN>A Sala-homenagem<\/SPAN><\/B><\/P><br \/><P><B><SPAN><\/SPAN><\/B><SPAN>Na Assembl\u00e9ia, existia uma sala espec\u00edfica do Clube dos Rep\u00f3rteres Pol\u00edticos, que n\u00e3o possu\u00edam v\u00ednculo com a AL, mas que cobriam a Casa diariamente. Depois de abandonada por um bom tempo, a id\u00e9ia foi retomada este ano pelo presidente Frederico Antunes. A sala especial para o trabalho dos jornalistas j\u00e1 est\u00e1 batizada com o nome de J.C. Terlera. \u00c9 um ambiente que possibilita que os rep\u00f3rteres escrevam suas mat\u00e9rias de l\u00e1 mesmo e enviem para as suas reda\u00e7\u00f5es. &#8220;Evidente que a sugest\u00e3o n\u00e3o foi minha&#8221;, adianta. &#8220;Mas a homenagem deve ser em fun\u00e7\u00e3o de eu ter sido o exemplo t\u00edpico do credenciado pela Assembl\u00e9ia e funcion\u00e1rio dela. A sala em si \u00e9 um grande benef\u00edcio para a categoria, e o fato dela levar o meu nome talvez seja o reconhecimento pelos 40 anos sempre trabalhando na \u00e1rea da pol\u00edtica, ajudando e cultivando amigos&#8221;, acredita o homenageado.<\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><B><SPAN>Divers\u00f5es discretas<\/SPAN><\/B><\/P><br \/><P><B><SPAN><\/SPAN><\/B><SPAN>Ele tamb\u00e9m revela que suas op\u00e7\u00f5es de lazer s\u00e3o simples. &#8220;Nos finais de semana, dificilmente fico na Capital. Gosto muito de sair, passear, conhecer lugares do Rio Grande e fora daqui. Ao cinema, eu n\u00e3o vou muito. Costumo encontrar amigos em shoppings, mas nada muito badalado. Tanto que tenho pavor a homenagens. Mas tenho que ir&#8221;, explica.<\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><SPAN>Sua maior manifesta\u00e7\u00e3o \u00e9 o fanatismo pelo Gr\u00eamio. Segundo ele, &#8220;o Gr\u00eamio n\u00e3o \u00e9 um hobby, \u00e9 uma paix\u00e3o&#8221;, caracter\u00edstica facilmente identificada pelo adesivo do time ga\u00facho colado no arm\u00e1rio do seu gabinete. Terlera possui uma outra caracter\u00edstica interessante. Com 66 anos de idade, casou pela primeira vez h\u00e1 um ano e meio. &#8220;Sou tempor\u00e3o. Sempre morei com minha m\u00e3e e n\u00e3o possuo filhos, pelo menos ningu\u00e9m nunca levantou investiga\u00e7\u00e3o de paternidade&#8221;, brinca.<\/SPAN><\/P><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ondawebhost3.com.br\/coletiva\/wp-content\/uploads\/lega\/y\/\/perfil251.jpg\" alt=\"Imagem\" class=\"aligncenter size-full\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a carteira profissional nas m\u00e3os, Jo\u00e3o Carlos Terlera vira p\u00e1gina por p\u00e1gina para contar toda a sua carreira sem se perder nas datas. E ele tem motivos. 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