{"id":16055,"date":"2008-08-22T00:00:00","date_gmt":"2008-08-22T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ondawebhost3.com.br\/coletiva\/sem-categoria\/o-jornalista-obcecado-pelos-livros\/"},"modified":"2008-08-22T00:00:00","modified_gmt":"2008-08-22T03:00:00","slug":"o-jornalista-obcecado-pelos-livros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ondawebhost3.com.br\/coletiva\/perfil\/o-jornalista-obcecado-pelos-livros\/","title":{"rendered":"M\u00e1rio Marcos de Souza: O jornalista obcecado pelos livros"},"content":{"rendered":"<p><P><SPAN>M\u00e1rio Marcos de Souza nasceu em 27 de setembro de 1948, em Crici\u00fama, na casa de Antonina Parente de Souza, professora, e Mario Rufino de Souza, marceneiro. Filho mais velho, tem dois irm\u00e3os (um est\u00e1 nos Estados Unidos, outro trabalha em constru\u00e7\u00e3o) e uma irm\u00e3, ainda professora na cidade natal.<\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><SPAN>Estudar foi decorr\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia: nem na do pai, nem na da m\u00e3e havia algu\u00e9m com curso superior. Mas havia, isso sim, e acima de tudo, entre os Souza, o orgulho de ver um filho formado.<SPAN>&nbsp; <\/SPAN>Nada fazia antever, por\u00e9m, que o primog\u00eanito seria, um dia, jornalista.<\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><SPAN>Crici\u00fama, naqueles in\u00edcios de anos 60, tinha cerca de 60 mil almas. Nem curso Cient\u00edfico ou Cl\u00e1ssico havia por l\u00e1. Da\u00ed que M\u00e1rio Marcos, terminado o Gin\u00e1sio, teve de ir embora para Tubar\u00e3o e, para buscar o canudo de curso superior, teria de enfrentar mais uma mudan\u00e7a: Florian\u00f3polis. O curso, Odontologia. O ano, 1967<\/SPAN><SPAN>.<\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><SPAN>No segundo ano, desistiu. &#8220;Ou eu fazia uma faculdade que me permitisse trabalhar ou nem poderia continuar estudando&#8221;, relembra, num tom longe das queixas, um olhar para o per\u00edodo dif\u00edcil, faculdade cara, livros caros, impossibilidade de receber ajuda financeira de casa. Foi quando escreveu para um amigo de um companheiro da pens\u00e3o em que morava: queria informa\u00e7\u00f5es sobre jornalismo, um curso que lhe permitiria tamb\u00e9m trabalhar e se sustentar. Encorajado pela resposta, encarou outro rompimento com pais e irm\u00e3os: sem avisar ningu\u00e9m, pegou um \u00f4nibus e rumou para Porto Alegre, em busca de um tio cujo endere\u00e7o desconhecia e a quem n\u00e3o via desde pequeno. &#8220;Eu passei por Crici\u00fama de madrugada, torcendo para n\u00e3o ter ningu\u00e9m conhecido na Rodovi\u00e1ria. Quando cheguei em Porto alegre, na velha rodovi\u00e1ria que ficava na avenida J\u00falio de Castilhos, tamb\u00e9m de madrugada, eu tinha uma vaga id\u00e9ia que meu tio, irm\u00e3o do meu pai, trabalhava com areia. E fui caminhando, em dire\u00e7\u00e3o ao bairro Navegantes, costeando o rio. At\u00e9 que o encontrei&#8221;.<\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><SPAN>Era fim de 1968, o ano em que, como todos sabem, o mundo virou de pernas para o ar a partir da revolta dos estudantes de Paris. M\u00e1rio Marcos foi morar com o tio e, ano seguinte, tornou-se mais um bixo em Jornalismo. &nbsp;Hoje, mesmo reconhecendo que, l\u00e1 atr\u00e1s, na adolesc\u00eancia, n\u00e3o havia qualquer pista que indicasse este caminho, admite que gostava, sim, de escrever. Lembra at\u00e9 do quanto ficara impressionado com o relato, na revista &#8220;Realidade&#8221;, que Jos\u00e9 Hamilton Ribeiro havia feito do acidente de que fora v\u00edtima no Vietname e que lhe custou uma perna. &#8220;Fiquei fascinado&#8221;, diz.<\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><B><SPAN>A estr\u00e9ia em reda\u00e7\u00e3o<\/SPAN><\/B><\/P><br \/><P><B><SPAN><\/SPAN><\/B><SPAN>A data da estr\u00e9ia numa reda\u00e7\u00e3o ele n\u00e3o esquece: 14 de abril de <?xml:namespace prefix = st1 ns = \"urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags\" \/><st1:metricconverter ProductID=\"1970. A\" w:st=\"on\">1970. A<\/st1:metricconverter> Folha da Tarde, na \u00e9poca, fazia uma esp\u00e9cie de concurso para selecionar estudantes. M\u00e1rio Marcos topou. Ele, Nilson Souza (hoje respons\u00e1vel pelos editoriais de ZH) e Cleiton Selistre (em Florian\u00f3polis, h\u00e1 anos dirigindo televis\u00e3o), os tr\u00eas colegas e amigos. O teste era num s\u00e1bado. Pautas distribu\u00eddas, depois as laudas preenchidas a espera da avalia\u00e7\u00e3o de um j\u00fari de jornalistas veteranos. E eis que os tr\u00eas amigos s\u00e3o aprovados: dois para esporte, M\u00e1rio e Nilson, e um para a reportagem geral \u2013 Cleiton.<\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><SPAN>Na primeira reuni\u00e3o com os veteranos da FT, ouve atento o conselho dos veteranos aos mo\u00e7os: ler Ernest Hemingway e, diariamente, o caderno de esportes do Jornal da Tarde, di\u00e1rio paulista que se caracterizou por apresentar uma forma editorial e gr\u00e1fica diferenciada dos demais jornais da \u00e9poca.<\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><SPAN>M\u00e1rio Marcos tira os \u00f3culos, co\u00e7a os olhos, cruza os bra\u00e7os e vai enumerando os nomes dos que, sa\u00eddos de uma editoria que, por anos, merecia at\u00e9 de muitos colegas, um tratamento preconceituoso, hoje pontificam no jornalismo: os velhos parceiros Nilson, chefe de opini\u00e3o de ZH, e Cleiton, diretor de Jornalismo de Televis\u00e3o em Florian\u00f3polis, David Coimbra, Juremir Machado da Silva. Modesto, esquece de se colocar nesta lista. Afinal, ele coleciona pr\u00eamios de Direitos Humanos com suas cr\u00f4nicas em que cuida para unir a quest\u00e3o pontual dos esportes a temas que o inquietam, em geral os sociais. E s\u00f3 de pr\u00eamio ARI (Associa\u00e7\u00e3o Riograndense de Imprensa) s\u00e3o 11!<\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><SPAN>Isso tudo teve um come\u00e7o. <SPAN>Achou que a coluna &#8216;Bola Dividida&#8217; precisava sair do estilo s\u00f3 notas e estampar um assunto que desse outro tipo de recado para o leitor. Prop\u00f4s, ent\u00e3o, usar o s\u00e1bado para integrantes da equipe escreverem textos maiores, <st1:PersonName ProductID=\"em rod&#65517;zio. Por\" w:st=\"on\">em rod\u00edzio. Por<\/st1:PersonName> quest\u00f5es log\u00edsticas, terminou ele escrevendo sozinho. S\u00e3o quase 15 anos de cr\u00f4nicas de s\u00e1bado. Quanto a enfeixar estes anos todos de cronista em livro, diz que at\u00e9 tem vontade, mas acha que tudo o que queria dizer aos leitores est\u00e1 ali, na p\u00e1gina do jornal. &#8220;Tenho trauma com sess\u00e3o de aut\u00f3grafos, de, na hora, tremer a m\u00e3o, esquecer o nome de amigos&#8221;, se diverte e se desculpa o editor de esportes que revela ter durado exatos dez anos o seu tempo de torcedor. O<\/SPAN> Metropol de suas inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia era um time formado por homens que trabalhavam nas minas. <SPAN>&#8220;Hoje, n\u00e3o tor\u00e7o nem em Copa do Mundo, me bloqueio&#8221;.<\/SPAN><\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><SPAN><\/SPAN><\/SPAN><SPAN>Entre 1970 e&nbsp;1972, M\u00e1rio Marcos de Souza foi do time de jornalistas da Folha da Tarde, um dos jornais da ent\u00e3o Companhia Jornal\u00edstica Caldas Jr. Um dia, estava ele no Rio, cobrindo a Sele\u00e7\u00e3o Brasileira, quando o colega Jo\u00e3o Carlos Belmonte, da Gua\u00edba, avisou: ele seria convidado para a Folha da Manh\u00e3, filhote mais novo da chamada Casa de Caldas, que surgira com propostas de um novo jornalismo. Era, como para a grande maioria dos estudantes de jornalismo e dos profissionais da \u00e9poca, a concretiza\u00e7\u00e3o de um sonho. Na volta da viagem, mudou-se para a outra reda\u00e7\u00e3o (ali\u00e1s, no mesmo grande sal\u00e3o do primeiro andar do velho pr\u00e9dio da rua Caldas Jr.), e dali s\u00f3 sairia para, atendendo a novo convite, subir o Morro Santa Teresa e coordenar a editoria de esportes da nov\u00edssima TV2 Gua\u00edba. &#8220;Foi boa a experi\u00eancia. Mas eu n\u00e3o a repetiria&#8221;, comenta M\u00e1rio.<\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><SPAN>Em 1984, no que ele classifica de &#8220;auge da crise&#8221; da Caldas Jr (que resultou no fechamento do Correio do Povo e da Folha da Tarde, pois a Folha da Manh\u00e3 j\u00e1 havia sido fechada), foi chamado a mudar de endere\u00e7o e de empresa. Desta feita, pelas m\u00e3os de N\u00fabia Silveira. Entrou como sub, saiu como editor de geral de Zero Hora, em 1993, quando retornou a seu ninho, o jornalismo esportivo, pelas m\u00e3os de Divino Fonseca. <\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><B><SPAN>Amor para a vida toda<\/SPAN><\/B><\/P><br \/><P><B><SPAN><\/SPAN><\/B><SPAN>A estas alturas, Mario Marcos de Souza j\u00e1 era um senhor casado, pai de filho. Desde 74, estava unido a Maria Helena, pedagoga, que fora sua colega na cadeira de &#8220;Estudos de Problemas Sociais Brasileiros ou algo do tipo&#8221;, na verdade uma aula que reunia alunos de diferentes cursos no Sal\u00e3o de Atos da Reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, uma vez por semana.<\/SPAN><SPAN> <SPAN>&#8220;Lembro como se fosse agora. Era noite, eu estava saindo de casa com o Cleiton, hav\u00edamos matado aula. E eu vi a Maria Helena na parada, esperando \u00f4nibus. Estava de conjunto cinza de saia e casaquinho, e com uma bota que ia at\u00e9 acima do joelho. Eu fui nocauteado ali&#8221;, se encanta, olhos brilhando e sorriso maroto enquanto relembra a cena.<\/SPAN><\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><SPAN><\/SPAN><\/SPAN><SPAN>Isso foi em 1972. Um ano depois,&nbsp;estavam casados, com b\u00ean\u00e7\u00e3o, presen\u00e7a de amigos e colegas, parentes da noiva, na Igreja Santo Ant\u00f4nio. N\u00e3o avisou os pais, prevendo a dificuldade para que deixassem Crici\u00fama. Repetia o que j\u00e1 havia feito antes, quando n\u00e3o os avisara da mudan\u00e7a de Crici\u00fama para Porto Alegre, nem da desist\u00eancia em ser dentista, tampouco da decis\u00e3o de ser jornalista. Foi um novo rompimento, como o primeiro, aos 14 anos.&nbsp;<SPAN>&nbsp;<\/SPAN><\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><SPAN><\/SPAN><\/SPAN><SPAN>&#8220;Quando Felipe, meu filho mais velho, fez 14 anos, eu lembrei a ele o que representava sair de casa. Contei que eu chorava o dia todo. Hoje, seria diferente&#8221;, continua M\u00e1rio, retra\u00e7ando estes afastamentos m\u00faltiplos de suas ra\u00edzes, retomando mem\u00f3rias da ruptura no tecido familiar que significou, acima de tudo, cuidar da pr\u00f3pria vida. <SPAN>&nbsp;<\/SPAN>O necess\u00e1rio envolvimento familiar, cuja falta tanto o fizera chorar quando teve de viver, ainda menino, numa pens\u00e3o, ele encontraria na rela\u00e7\u00e3o com Maria Helena, paix\u00e3o para a vida toda.<\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><SPAN>Hoje, Felipe tem 27 anos, \u00e9 engenheiro que faz seu doutorado, saiu de casa. Tiago, 21 anos, ainda est\u00e1 com &#8220;os velhos&#8221;, cursa engenharia mec\u00e2nica. Estes guris talentosos que M\u00e1rio elogia com aquele brilho de pai orgulhoso nos olhos, a seu ver, &#8220;talvez por a\u00e7\u00e3o do subconsciente&#8221;, nem se aproximaram de esporte ou jornalismo. &#8220;Fui muito ausente&#8221;, afirma, sem melodrama, o homem que fez v\u00e1rias Copas do Mundo, uma Olimp\u00edada e muitas, mas muitas viagens para cobrir a tal Sele\u00e7\u00e3o Canarinho e clubes brasileiros envolvidos com a Libertadores da Am\u00e9rica.<\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><B><SPAN>Trauma de telex<\/SPAN><\/B><\/P><br \/><P><B><SPAN><\/SPAN><\/B><SPAN>Viagens que, l\u00f3gico, geraram muitas lembran\u00e7as. Como a da ida, em 1975, para os Estados Unidos, ver a estr\u00e9ia de Pel\u00e9 no Cosmos. Era a primeira manh\u00e3 <st1:PersonName ProductID=\"em Nova Iorque\" w:st=\"on\">em Nova Iorque<\/st1:PersonName>, ele e o fot\u00f3grafo S\u00e9rgio Arnaud resolveram ir at\u00e9 o velho est\u00e1dio do time estadounidense. M\u00e1rio Marcos perguntou por Pel\u00e9 a um funcion\u00e1rio que lhe disse: j\u00e1 est\u00e1 a\u00ed. Onde? No vesti\u00e1rio. A imagem que vem, quando narra o fato, \u00e9 a de um vesti\u00e1rio modesto e, no meio dele, uma s\u00f3 pessoa, com a perna esquerda sobre um banco de madeira, colocando uma atadura: Pel\u00e9. &#8220;Eu sentei neste banco e conversamos&#8221;.<\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><SPAN>Depois, era a loucura de correr, enviar o material sem saber se chegaria. Nesta ocasi\u00e3o, muito antes de os computadores chegarem \u00e0s reda\u00e7\u00f5es locais, M\u00e1rio Marcos enviou suas reportagens di\u00e1rias digitadas nos terminais da velha UPI, ag\u00eancia que nem existe mais. Assim como n\u00e3o existe mais o telex, um assunto traum\u00e1tico para ele. &#8220;H\u00e1 anos fa\u00e7o controle da hipertens\u00e3o arterial e devo isso, tenho certeza, \u00e0 tens\u00e3o permanente nas viagens.&#8221;&nbsp; Tudo por causa do telex, ferramenta que exigia um constante trabalho de, a cada viagem, descobrir onde poderia o texto ser digitado e, a seguir, transformado naquela fita cheia de furos que um operador teria de transmitir para Porto Alegre. <\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><SPAN>Em abril de 1978, ficou um m\u00eas acompanhando a Sele\u00e7\u00e3o pela Europa e Ar\u00e1bia Saudita. Viagem cansativa. Para evitar problemas, em Paris, j\u00e1 se adiantara, tratando de mandar sua mat\u00e9ria (por telex, \u00e9 claro) para o jornal. \u00c0s tr\u00eas da manh\u00e3, j\u00e1 no hotel, em Jeddah, descobre (informado por Samuel de Souza Santos, colega da Gua\u00edba das lides esportivas) que tudo o que ele, diligentemente, havia enviado de v\u00e9spera, se perdera no caminho entre o telex franc\u00eas e Porto Alegre. Por sorte, havia levado com ele a fita. Mas teria de se acertar com o telexista \u00e1rabe, num pa\u00eds fechado ao mundo, e convenc\u00ea-lo a transmitir o texto.&nbsp;<SPAN>&nbsp;<\/SPAN><\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><SPAN><\/SPAN><\/SPAN><SPAN>J\u00e1 havia conseguido coisa parecida, quatro anos antes, na viagem a Santiago, em plena ditadura chilena, para decis\u00e3o da Libertadores. Foi assim: ap\u00f3s o jogo, M\u00e1rio Marcos e Divino Fonseca se dirigiram \u00e0 cabine de telex. Por volta de meia noite, miss\u00e3o cumprida, irresponsavelmente \u2013 como assinala \u2013 decidiram voltar para o hotel. O operador aconselhou: n\u00e3o saiam, o toque de recolher est\u00e1 valendo desde as 23h. Sa\u00edram. Caminharam pelo meio da rua, ele carregando a m\u00e1quina de escrever port\u00e1til, de ferro, pesada. De repente, a <st1:metricconverter ProductID=\"100 metros\" w:st=\"on\">100 metros<\/st1:metricconverter> do hotel, uma sirene. Eles se puseram a correr. Mas os gritos de algu\u00e9m sem rosto na noite, ordenando que parassem e erguessem as m\u00e3os, interromperam a corrida. O bra\u00e7o de M\u00e1rio Marcos, levantado, do\u00eda, com a m\u00e1quina suspensa. Mas n\u00e3o podia se mexer. O medo era imenso. At\u00e9 que o porteiro do hotel veio em socorro da dupla. Assim mesmo, depois de cruzada a portaria, permaneceu, por minutos, o p\u00e2nico de um tiro pelas costas.<\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><B><SPAN>Fins de semana tranq\u00fcilos<\/SPAN><\/B><\/P><br \/><P><B><SPAN><\/SPAN><\/B><SPAN>M\u00e1rio curte estas lembran\u00e7as. J\u00e1 poderia estar aposentado, mas continua preso ao jornalismo. Claro que se sente atra\u00eddo pela possibilidade do famoso tempo livre, que jornalista nenhum tem, enquanto est\u00e1 <st1:PersonName ProductID=\"em reda&#65511;&#65507;o. Da&#65517;\" w:st=\"on\">em reda\u00e7\u00e3o. Da\u00ed<\/st1:PersonName> o valor que d\u00e1 aos fins de semana de folga. \u00c9 hora dos filmes que, afirma, devem fazer pensar. Com\u00e9dia, s\u00f3 inglesa (&#8220;a americana \u00e9 burra&#8221;), document\u00e1rios sempre, em especial os de Michael Moore. Os vinis (um velho toca-discos garante a sess\u00e3o musical) e os CDs misturam Paulinho da Viola, Chico, Gil, Elis, Tom, Pink Floyd, Led Zeppelin e Mercedes Sosa. Tudo isso \u00e9 prazer de estar em casa, com Maria Helena, que ele classifica de companheira ideal de viagem, como aquela que fizeram, h\u00e1 pouco, It\u00e1lia afora. Ressalva: &#8220;Eu tamb\u00e9m sou um excelente companheiro de viagem&#8221;.<\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><SPAN>Leitura \u00e9 o prato principal servido neste menu de lazer caseiro, degustado com satisfa\u00e7\u00e3o. T\u00e3o importante \u00e9 o item que, obsessivamente, quando n\u00e3o encontra o t\u00edtulo desejado no mercado nacional, n\u00e3o hesita <st1:PersonName ProductID=\"em importar. As\" w:st=\"on\">em importar. As<\/st1:PersonName> escolhas seguem um m\u00e9todo pr\u00f3prio deste leitor voraz: se v\u00ea refer\u00eancia, em uma obra, a assunto que lhe desperta interesse, M\u00e1rio Marcos vai atr\u00e1s de algum livro que aborde exatamente este tema. Foi assim com &#8220;Senhores de Roma&#8221;, cujo quinto volume, sem tradu\u00e7\u00e3o no Brasil, se viu obrigado a buscar l\u00e1 fora, em espanhol. <\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><SPAN>Foi assim com livro sobre Alexandre, o Grande, em que leu sobre um di\u00e1rio de viagem de um dos comandados: consultou Voltaire Schilling, o historiador, para saber se este di\u00e1rio fora resgatado. N\u00e3o, foi a resposta, acompanhada da sugest\u00e3o de que lesse &#8220;Anabasis&#8221;, de Xenofonte. N\u00e3o teve d\u00favida: mandou vir da Espanha.<\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><SPAN>Os temas jornal\u00edsticos, \u00e9 claro, permeiam toda esta leitura que, em noites de pouco tempo, podem se restringir a uma ou duas p\u00e1ginas. Ficar sem ler, jamais! <\/SPAN><SPAN>Da lista, fazem parte, entre t\u00edtulos e autores (&#8220;sou ruim para lembrar nomes&#8221;, avisa) &#8220;Hiroshima&#8221;, de&nbsp;John Hersey, &#8220;Fama e Anonimato&#8221;, reedi\u00e7\u00e3o de obra de Gay Talese, &#8220;Rivalidades Produtivas&#8221;, de Michael White, e escritos de Jos\u00e9 Hamilton Ribeiro, Ruy Castro, John Lee Anderson e Fernando Morais.<\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><\/SPAN><SPAN>Ali\u00e1s, Fernando chamou sua aten\u00e7\u00e3o j\u00e1 quando ousou escrever sobre Cuba, local que \u00e9 o atual objeto de desejo para viagem do jornalista que veio de Crici\u00fama. As contradi\u00e7\u00f5es da ilha andam chamando a aten\u00e7\u00e3o de M\u00e1rio Marcos de Souza. Afinal, lembra ele, Nelson Mandela, quando saiu da pris\u00e3o, quis se encontrar com Fidel para agradecer pelo que Cuba fez em favor da elimina\u00e7\u00e3o do apartheid na \u00c1frica. Est\u00e1 no document\u00e1rio &#8220;Cuba, uma Odiss\u00e9ia Africana&#8221;, de Jihan El-Tahri, que ele comprou pela Amazon. Agora, \u00e9 conferir<SPAN> in loco. Mesmo que, depois, tenha de aturar, com sua proverbial calma, caso resolva escrever a respeito, os patrulheiros de plant\u00e3o. <\/SPAN><\/SPAN><\/P><br \/><P><SPAN><SPAN><\/SPAN><\/SPAN><SPAN>Quem convive com M\u00e1rio Marcos sabe: nada abala as convic\u00e7\u00f5es deste cara de vis\u00edvel bonomia mesmo na defesa dos pontos de vista mais pol\u00eamicos. <\/SPAN><SPAN><?xml:namespace prefix = o ns = \"urn:schemas-microsoft-com:office:office\" \/><o:p><\/o:p><\/SPAN><\/P><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ondawebhost3.com.br\/coletiva\/wp-content\/uploads\/lega\/y\/\/perfil317.jpg\" alt=\"Imagem\" class=\"aligncenter size-full\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e1rio Marcos de Souza nasceu em 27 de setembro de 1948, em Crici\u00fama, na casa de Antonina Parente de Souza, professora, e Mario Rufino de Souza, marceneiro. 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