{"id":16137,"date":"2009-07-17T00:00:00","date_gmt":"2009-07-17T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ondawebhost3.com.br\/coletiva\/sem-categoria\/um-seculo-em-50-anos\/"},"modified":"2009-07-17T00:00:00","modified_gmt":"2009-07-17T03:00:00","slug":"um-seculo-em-50-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ondawebhost3.com.br\/coletiva\/perfil\/um-seculo-em-50-anos\/","title":{"rendered":"Eduardo Bueno: Um s\u00e9culo em 50 anos"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Cleidi Pereira<\/em><\/p>\n<p>Apesar de toda a ideologia que carrega desde o ber&ccedil;o, Eduardo Bueno foi um garoto t&iacute;mido e introspectivo at&eacute; os seus 16 anos de idade. Dif&iacute;cil de acreditar, mas o jornalista, tradutor e escritor garante que sim. Tudo mudou em mar&ccedil;o de 1974, quando Bob Dylan fez com que, finalmente, ele encontrasse sua verdadeira ess&ecirc;ncia no &lsquo;Peninha&rsquo;. Leve, aventureiro e andarilho, este sim nasceu para o mundo, para viver com o p&eacute; na estrada, fazer c&oacute;cegas e voar. Aos 51 anos, Eduardo Bueno, o Peninha, &eacute; uma avalanche de ideias, energia, talento, cr&iacute;ticas&hellip; Enfim, vida!<\/p>\n<p>J&aacute; experimentou o mundo e diversos tipos de drogas, escreveu 25 livros, vendeu um milh&atilde;o de exemplares, ficou milion&aacute;rio e, em seguida, a falta de organiza&ccedil;&atilde;o fez com que seu dinheiro evaporasse. Contudo, o pol&ecirc;mico e verborr&aacute;gico geminiano acredita ter ainda muitos livros para escrever e lugares para conhecer. Dono de uma boa mem&oacute;ria e de uma narrativa que prende a aten&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; como n&atilde;o se impregnar com o estilo &lsquo;Peninha&rsquo;, leve e acelerado, de levar a vida. Durante a entrevista em sua casa-escrit&oacute;rio repleta de discos, quadros, bonequinhos, carrinhos, livros, pequenas esculturas e m&oacute;veis antigos, ele formula di&aacute;logos, contextualiza, troca e retoma assuntos com muita facilidade.<\/p>\n<p>Ao longo de sua carreira como jornalista, registrou passagem por &oacute;rg&atilde;os de imprensa como Zero Hora, O Estado de S. Paulo, TV Globo, Revista Manchete, TV Cultura e TVE-RS. Como escritor, traduziu On the Road &ndash; P&eacute; na Estrada, de Jack Kerouac, que impulsionou a literatura beat no Brasil. Tamb&eacute;m assinou Bl&aacute;, Bl&aacute;, Bl&aacute; &ndash; A Biografia Autorizada dos Mamonas Assassinas e a cole&ccedil;&atilde;o Terra Brasilis, que lhe rendeu o Pr&ecirc;mio Jabuti em 1999. Como editor, foi respons&aacute;vel pela cole&ccedil;&atilde;o L&amp;PM\/Hist&oacute;ria, que publicou os relatos de grandes viajantes.<\/p>\n<p><strong>Mais gremista do que ga&uacute;cho<\/strong><\/p>\n<p>Bom frasista, &eacute; conhecido por declara&ccedil;&otilde;es do tipo: &ldquo;Sou ga&uacute;cho, mas n&atilde;o exer&ccedil;o. Ali&aacute;s, sou mais gremista do que ga&uacute;cho&rdquo;. As g&iacute;rias e o sotaque porto-alegrense &ndash; com a fala cantada e as vogais esticadas &ndash; n&atilde;o escondem suas origens: Peninha nasceu na capital do Rio Grande do Sul no dia 30 de maio de 1958. Deixou o Estado cedo, aos cinco anos, quando a fam&iacute;lia mudou-se para S&atilde;o Paulo devido &agrave; transfer&ecirc;ncia de seu pai, Milton, que era diretor-geral da Sinteko, empresa su&iacute;&ccedil;a com sede brasileira em Gravata&iacute;.<\/p>\n<p>Com 12 anos, voltou para Porto Alegre notando ser mais &ldquo;refinado&rdquo; do que seus colegas de escola e percebia, assim, um povo beirando &agrave; selvageria. &ldquo;No col&eacute;gio, eu era chamado de paulista e de veado. Por isso, quando vim para c&aacute;, me tornei um p&eacute;ssimo aluno.&rdquo; Nesta &eacute;poca, Peninha desenvolveu uma vis&atilde;o cr&iacute;tica sobre a postura de &ldquo;superioridade&rdquo; dos ga&uacute;chos, a qual mant&eacute;m at&eacute; hoje. Por&eacute;m, reconhece e admira o lado aut&ecirc;ntico, sincero e direto ao ponto deste povo. Ele afirma que fala mal de Porto Alegre e dos porto-alegrenses para implicar, mas que, no &iacute;ntimo, adora a cidade e sua geografia f&iacute;sica.<\/p>\n<p>Do lado paterno, al&eacute;m de dois mil livros, herdou o bel-prazer por bebidas e h&aacute;bitos n&atilde;o-saud&aacute;veis. Contra todas as expectativas, o pai bo&ecirc;mio, que, segundo o escritor, fumava e bebia sem muita modera&ccedil;&atilde;o, morreu em 2006, aos 79 anos. &ldquo;O que &eacute; inacredit&aacute;vel&rdquo;, diz Peninha, lembrando que, desde a sua inf&acirc;ncia, ouvia o patriarca dizer que n&atilde;o passaria dos 40 anos, mais tarde, dos 50, e algum tempo depois, dos 60. J&aacute; sua m&atilde;e Beatriz, que abriu uma das primeiras butiques de cama e mesa da Capital, a Relic&aacute;rio, era o oposto do seu marido: regrada, n&atilde;o bebia nem fumava e praticava exerc&iacute;cios com regularidade. Contudo, faleceu aos 67 anos, v&iacute;tima de um c&acirc;ncer.<\/p>\n<p>Do lado materno, veio a paix&atilde;o pelo Gr&ecirc;mio Foot-Ball Porto Alegrense. Peninha lembra que o pai n&atilde;o era ligado em futebol, mas dizia-se colorado s&oacute; para provocar. Por coincid&ecirc;ncia, os pais Milton e Beatriz casaram-se no dia do 50&deg; anivers&aacute;rio do Gr&ecirc;mio. Em julho de 1968, quando ainda morava em S&atilde;o Paulo, veio passar as f&eacute;rias em Porto Alegre e o av&ocirc; o levou para assistir ao primeiro Gre-Nal de sua vida. O resultado final n&atilde;o poderia ter sido melhor para o ent&atilde;o estreante: 4 a 0 para o tricolor.<\/p>\n<p>Hoje,&nbsp;um dos&nbsp;mais fan&aacute;ticos dos gremistas conhecidos diz colaborar para alimentar intensamente a rivalidade entre Gr&ecirc;mio e Internacional. &Agrave;s vezes, segundo ele, acaba sendo mal-interpretado. &ldquo;&Eacute; &oacute;bvio que n&atilde;o sou nenhum selvagem, que n&atilde;o desejo o exterm&iacute;nio &ndash; pelo menos n&atilde;o completo e total &ndash; do nosso co-irm&atilde;o.&rdquo; Cr&iacute;tico confesso do futebol-arte (o qual considera coisa de &ldquo;veado&rdquo;) e admirador do futebol aguerrido, ele &eacute; autor do livro Gr&ecirc;mio: nada pode ser maior, publicado em 2005 pela Ediouro. Na obra, defende a tese de que o Gr&ecirc;mio n&atilde;o &eacute; um time brasileiro e, sim, uma equipe cisplatina, com ascend&ecirc;ncia germ&acirc;nica, fibra inglesa e sangue nas veias.<\/p>\n<p>A paix&atilde;o pelo futebol e pelo Gr&ecirc;mio foi aumentando conforme o time perdia. Nesta parte, Peninha aproxima-se do gravador, eleva o tom de voz e brada: &ldquo;Tem que ficar registrado que em 11 d&eacute;cadas, 11 d&eacute;cadas, de rivalidade Gre-Nal, o Gr&ecirc;mio ganhou nove! S&oacute; perdeu nos anos 40 para o tal &lsquo;Rolo&rsquo; e nos anos 70 para aquele time outro l&aacute;&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Tra&ccedil;a de biblioteca<\/strong><\/p>\n<p>Fascinado pelo mundo das palavras desde que se conhece por gente, Peninha cresceu entre as duas mil obras que compunham a biblioteca do seu pai. E foi incentivado por ele que, aos 10 anos, leu seus primeiros livros, os cl&aacute;ssicos de aventura do escritor franc&ecirc;s Julio Verne e do alem&atilde;o Karl May. Depois disso, o dinheiro da mesada j&aacute; tinha destino garantido e a literatura nunca mais saiu de sua vida, que passou a ser dividida por fases classificadas conforme as obras que leu. Assim, ao longo destas cinco d&eacute;cadas passou pelas fases do Egito, dos grandes mist&eacute;rios da humanidade, da esquerda, do Bob Dylan e da cultura beatnik. Estas duas &uacute;ltimas influ&ecirc;ncias fizeram com que ele ficasse fascinado pela cultura norte-americana, a qual o levou a querer estudar a hist&oacute;ria brasileira, que o tornou um escritor best-seller.<\/p>\n<p>Seus livros sobre a hist&oacute;ria do Brasil colonial conseguiram algo incomum no mercado editorial brasileiro: venderam mais de um milh&atilde;o de exemplares. Entretanto, foi muito antes de lan&ccedil;ar pela editora Objetiva os quatro volumes da cole&ccedil;&atilde;o Terra Brasilis &ndash; A Viagem do Descobrimento (1998), N&aacute;ufragos, Traficantes e Degredados (1998), Capit&atilde;es do Brasil (1999) e A Cruz, a Coroa e a Espada (2006) &ndash;, que Eduardo escreveu suas primeiras palavras em 200 folhas de dois cadernos espirais. &ldquo;Era uma compila&ccedil;&atilde;o de todos os livros que li sobre o Egito, como s&atilde;o meus livros ainda hoje. N&atilde;o passam de compila&ccedil;&otilde;es!&rdquo;, diz, referindo-se &agrave;s cr&iacute;ticas que recebe.<\/p>\n<p>O deslumbramento pelo Egito era t&atilde;o grande que ele acreditava (e ainda acredita) ter sido eg&iacute;pcio em uma vida passada. Por isso, quando crian&ccedil;a pensava em ser egipt&oacute;logo, depois, quis ser arque&oacute;logo. E, durante alguns anos, enchia o peito de orgulho para afirmar a futura profiss&atilde;o: &ldquo;Serei arque&oacute;logo!&rdquo; Com o andar dos anos, descobriu n&atilde;o ter habilidade e muito menos paci&ecirc;ncia para a atividade e, aos 14 anos, decidiu que queria escrever sobre arqueologia e Hist&oacute;ria em jornais. Decepcionado, viu-se obrigado a mudar novamente de planos ao descobrir que as pessoas n&atilde;o eram apaixonadas nem por arqueologia nem por Hist&oacute;ria. &ldquo;At&eacute; hoje n&atilde;o consigo entender isso!&rdquo;<\/p>\n<p><strong>&ldquo;Ih, contratamos um Peninha!&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p>O in&iacute;cio de sua carreira no jornalismo foi embalado pela paix&atilde;o pelo Gr&ecirc;mio e pelas palavras. Aos 17 anos, foi pedir emprego em Zero Hora ao jornalista Fernando Ernesto Corr&ecirc;a, parente de sua m&atilde;e e bra&ccedil;o-direito do fundador da empresa, Maur&iacute;cio Sirotsky Sobrinho. Come&ccedil;ou a atuar no ve&iacute;culo aos 18 anos como estagi&aacute;rio, quando j&aacute; cursava Jornalismo na Fabico e, evidentemente, a inten&ccedil;&atilde;o de Peninha era ser uma esp&eacute;cie de porta-voz do time tricolor no jornal. Por&eacute;m, para sua tristeza, foi destinado a acompanhar o esporte amador.<\/p>\n<p>O escritor garante que antes mesmo de dar os primeiros passos no meio jornal&iacute;stico j&aacute; havia gente determinada a dificultar as coisas para o seu lado. &ldquo;Fui muito maltratado na Zero Hora por ser o &lsquo;filhinho de papai&rsquo; que foi pedir emprego e que conseguiu por indica&ccedil;&atilde;o. Ningu&eacute;m falava comigo. S&oacute; me davam ordens.&rdquo; Os longos cabelos castanhos e o jeito atrapalhado lhe renderam o apelido que o acompanha at&eacute; hoje.<\/p>\n<p>O epis&oacute;dio que originou o codinome ocorreu quando o ent&atilde;o estagi&aacute;rio resolveu pedir um pouco da aguardente que ficava escondida na Reda&ccedil;&atilde;o. A contragosto dos colegas, por insist&ecirc;ncia, p&ocirc;de servir-se. Mas, ao fazer isso, o jovem desprovido de habilidades manuais quebrou as duas garrafas de vidro e ainda ganhou um corte na m&atilde;o. Nisso, o jornalista Mauro Bor&oacute; Toralles proferiu a frase causadora do apelido: &ldquo;Ih, contratamos o Peninha!&rdquo; No in&iacute;cio, soava como vingan&ccedil;a dos colegas, j&aacute; que o nome referia-se ao avoado rep&oacute;rter hom&ocirc;nimo do jornal A Patada, dos quadrinhos da Disney. &ldquo;Eu era mesmo parecido com o Peninha, mas aquilo me irritou muito &ndash; at&eacute; por ser verdade. Se eu tivesse ficado quieto, n&atilde;o teria durado dois dias.&rdquo;<\/p>\n<p>&ldquo;Peninha &eacute; um personagem que me protege&rdquo;, admite. Uma defini&ccedil;&atilde;o da alcunha que, at&eacute; hoje, carrega com carinho foi dada pelo amigo Victor Maymudes, que durante 30 anos trabalhou como tour manager do &iacute;dolo do ga&uacute;cho, o cantor Bob Dylan. &ldquo;Uma pena voa, faz c&oacute;cegas e escreve.&rdquo;<\/p>\n<p>Em 1978, enquanto cobria a Copa do Mundo na Argentina, aproveitou o visto que conseguiu para sair do Pa&iacute;s, demitiu-se de Zero Hora via Telex e foi fazer um tour de quase dois anos pela Europa e pelos Estados Unidos. Mais tarde, em 1992, ele retornaria com Augusto Nunes para ZH. &ldquo;Para mim, foi o atestado definitivo da mediocridade e da fal&ecirc;ncia do jornalismo ga&uacute;cho.&rdquo;<\/p>\n<p>Quando voltou do tour, foi convidado para ser rep&oacute;rter especial da TV Globo, com sal&aacute;rio que mensalmente equivalia a um valor superior ao de uma Bras&iacute;lia zero quil&ocirc;metros, &ldquo;o melhor carro do Brasil na &eacute;poca&rdquo;, segundo ele. No auge da rebeldia de seus 22 anos, achava a emissora &ldquo;muito vendida ao sistema&rdquo; e abdicou de todos os benef&iacute;cios para atuar na Coojornal, a Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre, e &ldquo;defender a causa&rdquo; da imprensa alternativa ga&uacute;cha.<\/p>\n<p>Com o epis&oacute;dio das bombas lan&ccedil;adas contra bancas que vendiam exemplares da publica&ccedil;&atilde;o e com a consequente queda na circula&ccedil;&atilde;o, Peninha foi demitido da Cooperativa. &ldquo;Nunca fui demitido &ndash; a n&atilde;o ser na Coojornal. A situa&ccedil;&atilde;o come&ccedil;ou a ficar aflitiva e vieram me dizer: &lsquo;vamos fazer um enxugamento e como tu &eacute; o &uacute;nico rico e o &uacute;nico que mora no Moinhos de Vento, vai ser tu. Ent&atilde;o, na verdade, pediram para eu sair.&rsquo;&rdquo;, lembra, &agrave;s gargalhadas.<\/p>\n<p><strong>A pedra rolando na estrada<\/strong><\/p>\n<p>Escrever sobre Peninha e n&atilde;o registrar a influ&ecirc;ncia que Robert Allen Zimmerman, o Bob Dylan, teve em sua vida &eacute; o mesmo que n&atilde;o apontar Deus na biografia do mais fervoroso evang&eacute;lico. Dylan mudou a vida de Peninha, que traduziu On the road, o livro que mudou a vida de Dylan, que mudou a vida de Peninha. Antes de conhecer a m&uacute;sica do cantor e compositor norte-americano, o jornalista diz que sua exist&ecirc;ncia era &ldquo;totalmente oca, vazia e imprest&aacute;vel&rdquo;.<\/p>\n<p>Considerada uma das can&ccedil;&otilde;es mais influentes de Dylan, Like a Rolling Stone foi o som que apresentou o cantor ao escritor. Desde ent&atilde;o, ele passou a considerar a m&uacute;sica como a trilha sonora de sua vida. &ldquo;Eu ouvi o cara e, bah, aquilo foi como um raio no meu cora&ccedil;&atilde;o, um flash de luz!&rdquo; Este foi o momento crucial para o ent&atilde;o jovem t&iacute;mido e introspectivo. &ldquo;N&atilde;o tinha &iacute;mpeto para botar minha opini&atilde;o para fora, nem para botar o dedo na cara das pessoas.&rdquo;<\/p>\n<p>Depois de Dylan, chutou as pedras do caminho e abra&ccedil;ou a rebeldia: come&ccedil;ou a usar brinco, a fumar maconha, ler os chamados poetas malditos, como Baudelaire, Rimbaud, Verlaine, at&eacute; chegar &agrave; gera&ccedil;&atilde;o beat e descobrir On the Road, livro de Jack Kerouac lan&ccedil;ado em 1957, que influenciou Dylan e a juventude dos anos 60, que colocava o p&eacute; na estrada e a mochila nas costas.<\/p>\n<p>Aos 23 anos, Peninha traduziu a obra de Kerouac, que foi lan&ccedil;ada no Brasil, em fevereiro de 1984, sob o t&iacute;tulo &lsquo;P&eacute; na estrada&rsquo;. Al&eacute;m de valorizar o passe do escritor, o resultado do trabalho de oito meses o tornou conhecido nacionalmente. A publica&ccedil;&atilde;o vendeu 122 mil exemplares. Neste momento da entrevista, puxa um dos exemplares do livro lan&ccedil;ado h&aacute; 25 anos da sua biblioteca. Al&eacute;m da data do lan&ccedil;amento em Porto Alegre (17 de mar&ccedil;o de 1984), a obra estampa a seguinte dedicat&oacute;ria, que ele l&ecirc; em voz alta: &ldquo;Para minha querida e amada m&atilde;ezinha, o livro que traduzi com fervor e paix&atilde;o, a mesma que ela sempre me deu.&rdquo;<\/p>\n<p>O livro &lsquo;P&eacute; na estrada&rsquo;, que foi uma esp&eacute;cie de divisor de &aacute;guas, abriu portas em sua vida profissional. Foi convidado a apresentar, na d&eacute;cada de 80, o programa &lsquo;Pr&aacute; come&ccedil;o de conversa&rsquo;, da TVE. A atra&ccedil;&atilde;o marcou &eacute;poca e foi uma das primeiras a dar espa&ccedil;o para bandas de rock ga&uacute;chas. Em 1989, foi para O Estado de S. Paulo e, no dia 17 de janeiro de 1990, por ser o tradutor do On the Road, conheceu Bob Dylan. Nascia ali o que, na medida do poss&iacute;vel, pode ser considerada uma amizade. Mas, amigo mesmo, Peninha ficou do tour manager de Dylan, Victor Maymudes, que chegou a morar com o escritor no Brasil.<\/p>\n<p>Quando Bob Dylan tocou em Porto Alegre, em 1991, Peninha fez as honras de anfitri&atilde;o: levou o cantor &ldquo;fumar um&rdquo; no Morro Santa Teresa e, depois, tomar sorvete na banca 40 do Mercado P&uacute;blico. E garante que ningu&eacute;m o reconheceu! O jornalista j&aacute; acompanhou turn&ecirc;s, assistiu a mais de 70 shows, tem toda a discografia Dylan e conhece mais de 400 letras de m&uacute;sica de cor e salteado. Com os tempos modernos, a internet facilitou o acompanhamento dos passos do &iacute;dolo.<\/p>\n<p><strong>Peninha, o pol&ecirc;mico<\/strong><\/p>\n<p>Peninha &eacute; um provocador nato. Gosta mesmo &eacute; do embate de ideias. Mas acredita que, na maioria das vezes, de duas, uma: ou se expressa mal ou &eacute; mal interpretado. Suas declara&ccedil;&otilde;es j&aacute; geraram muita pol&ecirc;mica e fizeram com que ele perdesse amigos e, tamb&eacute;m, ganhasse inimizades. &ldquo;Eu sou a fim de confronto, mas do confronto intelectual, do debate de ideias, de dinamitar a hipocrisia. Mas, ao mesmo tempo, sou relativamente hist&eacute;rico, algumas vezes, quando eu fico &lsquo;braba&rsquo;. E eu j&aacute; fiquei braba muitas vezes! N&atilde;o me arrependo do conte&uacute;do das declara&ccedil;&otilde;es, mas da forma e do desdobramento&rdquo;, avalia.<\/p>\n<p>Quando questionado sobre suas qualidades e defeitos, ele revela o lado debochado, que mistura ironia, bom humor e sarcasmo: &ldquo;Minha principal qualidade, com certeza, &eacute; a mod&eacute;stia. Eu diria, at&eacute;, que a minha mod&eacute;stia &eacute; a maior do mundo. Eu sou o cara mais modesto que existe e, se algu&eacute;m tiver a coragem, o desplante, de falar que a mod&eacute;stia dele &eacute; maior que a minha, eu sou capaz de espancar. N&atilde;o existe mod&eacute;stia mais bonita que a minha. Al&eacute;m da mod&eacute;stia, &eacute; claro, tem o brilhantismo, a generosidade, a luminosidade e a intensidade, mas todos suplantados pela mod&eacute;stia. Meu principal defeito &eacute; essa mod&eacute;stia excessiva. Eu deveria ser mais exibido e falar mais de mim.&rdquo;<\/p>\n<p>Vegetariano desde a d&eacute;cada de 80, Peninha se define como falastr&atilde;o, desorganizado, &ldquo;maconh&oacute;logo&rdquo;, idiossincr&aacute;tico e individualista, mas ressalta que o seu individualismo&nbsp;&eacute; &agrave; la Bob Dylan. &ldquo;Sou neuroticamente individualista e s&oacute; me interesso por mim, num certo sentido. Acho que sou um cara ecum&ecirc;nico, que tem uma obra &lsquo;social&rsquo;, que fez um monte de coisa pela hist&oacute;ria do Brasil e pela edi&ccedil;&atilde;o de livros, mas no fundo eu tenho esse individualismo americano, &agrave; la Bob Dylan. N&atilde;o no sentido ego&iacute;sta.&rdquo;<\/p>\n<p>Entre os arrependimentos, est&aacute; o fato de ter viajado bem menos do que gostaria, pois, segundo ele, os livros exigem muita dedica&ccedil;&atilde;o. Pretende ainda conhecer o Egito, o Alasca e lugares da &Aacute;sia. Quando o jornalista se autoavalia, enxerga um homem com mente de escritor, que percebe o mundo atrav&eacute;s de suas leituras e de seus projetos autorais. &ldquo;Minha vis&atilde;o de mundo est&aacute; diretamente ligada a uma vis&atilde;o andarilha, caminhante, n&ocirc;made, aventureira. Em fun&ccedil;&atilde;o das exig&ecirc;ncias da minha obra, acabo viajando muito menos do que gosto e preciso.&rdquo;<\/p>\n<p>Na inst&acirc;ncia pessoal, lamenta algumas &ldquo;lamban&ccedil;as&rdquo; e de n&atilde;o ter sido incauto na vida amorosa, a qual iniciou muito cedo. Com cinco anos, come&ccedil;ou a &ldquo;namorar&rdquo; Gigi e este relacionamento durou 19 anos. A amizade permanece at&eacute; hoje. Para Peninha, casamento e namoro n&atilde;o s&atilde;o sin&ocirc;nimos de monogamia. &ldquo;Eu anuncio: &lsquo;se quer me namorar, me namora. N&atilde;o vou te cobrar nada, mas n&atilde;o sou monog&acirc;mico.&rsquo;&rdquo; A explica&ccedil;&atilde;o dele para esta postura? &ldquo;P&ocirc;, sou hippie, n&eacute;? Mas sempre d&aacute; merda.&rdquo;<\/p>\n<p>Depois da Gigi, viveu durante 14 anos com a designer Ana Adams e assumiu as enteadas Bel&eacute;m, 28 anos, e Flora, 25, como filhas. Mais tarde, foi casado com a jornalista L&uacute;cia Brito, com quem teve uma filha, L&iacute;zia, 12 anos. E, atualmente, namora a escritora, publicit&aacute;ria e jornalista Paula Taitelbaun. &ldquo;At&eacute; que eu sou um cara bem longevo, porque, se voc&ecirc; for somar tudo, eu permaneci casado por mais de 40 anos.&rdquo;<\/p>\n<p>Um ritmo desacelerado em uma casa &agrave; beira-mar. &Eacute; o que Peninha espera do futuro. O que n&atilde;o significa que ele deixar&aacute; os livros de lado, pois ainda planeja escrever mais 50 obras. J&aacute; tem at&eacute; os temas definidos. S&oacute; precisa se livrar do mau h&aacute;bito herdado do jornalismo de escrever sob tens&atilde;o, &agrave; base de caf&eacute; e com um m&eacute;todo criativo muito atribulado. Intenso e inquieto, Eduardo Bueno &eacute; assim mesmo: excesso de vida em uma s&oacute;. E, dependendo do vento, Peninha tamb&eacute;m vai al&eacute;m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Cleidi Pereira Apesar de toda a ideologia que carrega desde o ber&ccedil;o, Eduardo Bueno foi um garoto t&iacute;mido e introspectivo at&eacute; os seus 16 anos de idade. Dif&iacute;cil de acreditar, mas o jornalista, tradutor e escritor garante que sim. 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