{"id":17167,"date":"2019-09-13T19:30:00","date_gmt":"2019-09-13T22:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ondawebhost3.com.br\/coletiva\/sem-categoria\/jorge-furtado-pela-forca-do-cinema\/"},"modified":"2019-09-13T19:30:00","modified_gmt":"2019-09-13T22:30:00","slug":"jorge-furtado-pela-forca-do-cinema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ondawebhost3.com.br\/coletiva\/perfil\/jorge-furtado-pela-forca-do-cinema\/","title":{"rendered":"Jorge Furtado: Pela for\u00e7a do cinema"},"content":{"rendered":"<p>H&aacute; alguns anos, Jorge Furtado recebeu uma liga&ccedil;&atilde;o. Do outro lado da linha, um produtor norte-americano. Na conversa, o gringo perguntou: &ldquo;Tu tens interesse em dirigir um filme nos Estados Unidos?&rdquo;. Como resposta, recebeu um &ldquo;n&atilde;o&rdquo;. Fim da chamada. &ldquo;Se ele dissesse &lsquo;tu tens interesse em fazer um filme sobre a vida de um cara incr&iacute;vel que morou no Wyoming ou me contasse uma hist&oacute;ria boa, provavelmente, eu diria &lsquo;sim&rsquo;. Mas n&atilde;o tenho nenhum interesse de fazer apenas porque &eacute; nos Estados Unidos&rdquo;, explica o cineasta, em uma iluminada sala da Casa de Cinema de Porto Alegre, da qual &eacute; um dos fundadores. Enquanto revela a curiosa hist&oacute;ria, os cartazes das obras criadas por ele, todas feitas no Rio Grande do Sul, o cercam.<\/p>\n<p>A partir dessa situa&ccedil;&atilde;o, &eacute; poss&iacute;vel ter uma no&ccedil;&atilde;o de como pensa o cineasta. Jorge se importa com a hist&oacute;ria, com o personagem e com o que ele tem a dizer. Rodar um filme apenas por fazer, independentemente do lugar, n&atilde;o &eacute; algo que lhe interesse. As produ&ccedil;&otilde;es em que trabalha trazem personagens complexos e, acima de tudo, priorizando o lado humano. A sua frase favorita, inclusive, diz muito sobre isso: &lsquo;Jamais r&eacute;el, toujours vrai&rsquo; (&lsquo;Nunca real, sempre verdadeiro&rsquo;), creditada ao franc&ecirc;s Antonin Artaud.<\/p>\n<p>N&atilde;o, o que ele faz n&atilde;o &eacute; real. Os filmes, as piadas, as s&eacute;ries, s&atilde;o todas fic&ccedil;&atilde;o, mas s&atilde;o de verdade. &ldquo;Essa ideia de que, mesmo com a piada mais boba, tu pode botar uma verdade ali, &eacute; algo que fa&ccedil;o porque acredito, isso me move&rdquo;. Categ&oacute;rico, ressalta que est&aacute; nesse neg&oacute;cio porque ama o que faz. Oferecer dinheiro para ele trabalhar em um filme sobre algum assunto qualquer n&atilde;o o motiva. A curiosidade &eacute; um dos seus principais propulsores. Tanto &eacute; que a vontade de querer saber quem era uma mulher chamada Primavera das Neves o levou a fazer um document&aacute;rio, em 2017. Ele quer contar hist&oacute;rias de pessoas para que outras se identifiquem.<\/p>\n<p>Com mais de 300 roteiros para a TV, 10 longas e 13 curtas-metragens no curr&iacute;culo &mdash; que somam v&aacute;rios pr&ecirc;mios, Jorge se orgulha de sua caminhada at&eacute; aqui. Realizado por ter feito muitas coisas, sente que as convic&ccedil;&otilde;es foram importantes, pois filmes n&atilde;o se apagam. Eles perduram. E, por isso, &eacute; essencial que se tenha paix&atilde;o pela obra. Mesmo com mais de 35 anos de carreira, fica com a sensa&ccedil;&atilde;o de que nem come&ccedil;ou ainda, pois tem muito a fazer. &ldquo;Tenho projetos pela frente, uns j&aacute; engatilhados e outros que nem pensei.&rdquo;<\/p>\n<p>Seu amor pelo trabalho &eacute; tanto que nem hesita em afirmar que, no futuro, espera estar se dedicando &agrave;s mesmas coisas de agora. Essa &eacute; uma das vantagens de sua profiss&atilde;o: pode envelhecer fazendo. Destaca que conhece v&aacute;rios diretores que escreveram e dirigiram at&eacute; muito tarde. E um dos seus principais expoentes nesse quesito &eacute; Jean Rouch, documentarista franc&ecirc;s, que morreu aos 93 anos, durante o trabalho. &ldquo;Isso que &eacute; vida boa: morrer, com quase 100 anos, em um acidente de jipe na &Aacute;frica, enquanto filma.&rdquo;<\/p>\n<p><strong>Da Medicina ao cinema<\/strong><\/p>\n<p>N&atilde;o foi uma decis&atilde;o r&aacute;pida a de fazer Cinema. Jorge cursou quatro gradua&ccedil;&otilde;es diferentes, mas n&atilde;o terminou nenhuma. Em 1977, entrou para a Medicina e, ao mesmo tempo, para a Psicologia. Logo, percebeu que era imposs&iacute;vel conciliar o primeiro com qualquer outro curso. Ent&atilde;o, se voltou &agrave; miss&atilde;o de se formar m&eacute;dico: ficou por tr&ecirc;s anos e meio no curso. No entanto, decidiu fazer outro vestibular, desta vez, para Artes Pl&aacute;sticas. Passou. E, mesmo sabendo que era algo extremamente dif&iacute;cil, ficou cursando as duas.<\/p>\n<p>No entanto, no in&iacute;cio dos anos 1980, come&ccedil;ou uma onda de cinema em Porto Alegre, realizado com c&acirc;meras Super 8, com filmes de Giba Assis Brasil, Nelson Nadotti e Carlos Gerbase. &ldquo;Eu vi a possibilidade de fazer isso e me interessou muito. Larguei a Medicina, para a qual eu n&atilde;o tinha voca&ccedil;&atilde;o nenhuma&rdquo;. Assim, fez outro vestibular, dessa vez para Jornalismo. Entrou e conciliou o novo curso com as Artes Pl&aacute;sticas. J&aacute; na Comunica&ccedil;&atilde;o, juntou-se a um grupo de estudantes da Ufrgs, para, ent&atilde;o, realizar uma atra&ccedil;&atilde;o-piloto para a TVE, o &lsquo;Quizumba&rsquo;. Depois, largou as duas gradua&ccedil;&otilde;es. Mas n&atilde;o a paix&atilde;o pelo audiovisual.<\/p>\n<p>Autodidata &mdash; assim como toda a sua gera&ccedil;&atilde;o, pois n&atilde;o havia curso de Cinema no Brasil &mdash;, Jorge aprendeu o que sabe vendo filmes, lendo, pesquisando, participando de cineclubes e conversando. Foi no extinto cinema Bristol, que ficava na Avenida Osvaldo Aranha, que teve contato com os grandes cineastas do passado, com ciclos que iam de Jean-Luc Godard a Fran&ccedil;ois Truffaut. &ldquo;Eu ia ao cinema praticamente todos os dias. Eram cinco filmes em uma semana&rdquo;, relembra. E foi assim que descobriu que havia milhares de maneiras diferentes de se dedicar &agrave; s&eacute;tima arte. &ldquo;Foi a&iacute; que eu percebi que existia alguma coisa por tr&aacute;s da tela. Isso tamb&eacute;m me motivou muito&rdquo;, explica. E foi assim que ele se deu conta de que fazer filmes poderia ser mais divertido do que imaginava.<\/p>\n<p><strong>Do bairro Petr&oacute;polis&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Nascido em Porto Alegre, em 9 de junho de 1959, Jorge Alberto Furtado &eacute; filho de Jorge Alberto Jacobs Furtado, professor de Filosofia e de Sociologia e funcion&aacute;rio p&uacute;blico, e de Dercy Terezinha Vieira Furtado, que foi vereadora e deputada estadual, bem como uma l&iacute;der feminista. Ele &eacute; o quinto de seis irm&atilde;os &mdash; e quase todos s&atilde;o da &aacute;rea de Humanas: Cl&aacute;udio, o mais velho, &eacute; jornalista; S&eacute;rgio &eacute; publicit&aacute;rio; Nina &eacute; m&eacute;dica-psicanalista; Maria da Gra&ccedil;a &eacute; professora e psic&oacute;loga; e Ta&iacute;s, que &eacute; a irm&atilde; mais jovem, &eacute; professora da Ufrgs e jornalista.<\/p>\n<p>As primeiras lembran&ccedil;as de inf&acirc;ncia s&atilde;o no bairro Petr&oacute;polis, onde teve uma vida de cal&ccedil;ada, de jogar futebol em um campinho pr&oacute;ximo ao Jardim Bot&acirc;nico, de brincar na rua. O Centro Hist&oacute;rico tamb&eacute;m tem um espa&ccedil;o especial nas recorda&ccedil;&otilde;es do cineasta, principalmente por conta do bonde, que, mesmo sendo crian&ccedil;a, pegava sozinho para ir aonde queria.<\/p>\n<p>Cresceu alimentando duas paix&otilde;es: escrever e desenhar. E achava que esses dois mundos, o da palavra e o da imagem, eram distantes e, por isso, meio inconcili&aacute;veis. Mais tarde, percebeu que o cinema era exatamente a jun&ccedil;&atilde;o das duas atividades que amava fazer. No entanto, confessa: se soubesse desenhar bem, possivelmente, iria fazer hist&oacute;rias em quadrinhos. &ldquo;Eu gosto muito de HQs, pois &eacute; a mistura da imagem com a palavra. O cinema &eacute; a mesma coisa, mas para quem n&atilde;o sabe desenhar&rdquo;, brinca, rindo.<\/p>\n<p><strong>&#8230; para o mundo.<\/strong><\/p>\n<p>Quando da &eacute;poca do &lsquo;Quizumba&rsquo;, conheceu Giba Assis Brasil. Em 1984, dois anos depois de entrarem na televis&atilde;o, fizeram o seu primeiro curta, que foi &lsquo;Temporal&rsquo;, com a Luz Produ&ccedil;&otilde;es, empresa fundada por Jorge, Ana Azevedo e <strong><a href=\"http:\/\/www.coletiva.net\/perfil\/ze-pedro-goulart-a-bordo-de-um-zeppelin,189460.jhtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Z&eacute; Pedro Goulart<\/a><\/strong>. Mas, para come&ccedil;ar a fazer Cinema na Capital, foram muitas dificuldades. Na cidade, por exemplo, n&atilde;o tinha video assist, ent&atilde;o, quando filmava com uma c&acirc;mera 35mm, era preciso mandar o conte&uacute;do para S&atilde;o Paulo para revelar. Uma semana depois, recebia o copi&atilde;o, e, ent&atilde;o, projetava para saber o que havia sido filmado. &ldquo;Se estava fora de foco, se a atriz piscou, se uma mosca pousou no nariz dela&hellip; S&oacute; ia dar para saber sete dias depois&rdquo;.<\/p>\n<p>Assim, surgiu a Casa de Cinema de Porto Alegre, em 1988, juntando 13 pessoas com a ideia de fazer filmes na Capital, pois todo mundo que queria fazer Cinema ia para o Rio de Janeiro ou para S&atilde;o Paulo. &ldquo;N&oacute;s n&atilde;o. N&atilde;o quer&iacute;amos ir embora. Quer&iacute;amos fazer Cinema e continuar aqui. E, a&iacute;, criamos a Casa de Cinema de Porto Alegre &mdash; n&atilde;o &eacute; &agrave; toa que tem esse nome. E aqui permanecemos h&aacute; 31 anos&rdquo;, afirma, orgulhoso.<\/p>\n<p>Da empreitada, surgiram grandes obras do audiovisual nacional &mdash; todas tendo o Rio Grande do Sul como cen&aacute;rio: &lsquo;Ilha das Flores&rsquo;, vencedor em festivais como Gramado e Berlim; &lsquo;O Homem que Copiava&rsquo;, campe&atilde;o do Grande Pr&ecirc;mio Cinema Brasil de 2004; e &lsquo;Doce de M&atilde;e&rsquo; que, como telefilme, rendeu um Emmy Internacional para Fernanda Montenegro, em 2013, e, dois anos depois, como s&eacute;rie, venceu na mesma distin&ccedil;&atilde;o o trof&eacute;u de Melhor Com&eacute;dia &mdash; a estatueta dourada, inclusive, &eacute; um dos destaques na sala de reuni&otilde;es da Casa de Cinema de Porto Alegre e uma de suas maiores satisfa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><strong>Entre rotina, fam&iacute;lia e palavras <\/strong><\/p>\n<p>Foi em um set de filmagens onde conheceu Nora Goulart, produtora e s&oacute;cia da Casa de Cinema, h&aacute; 30 anos. Casaram e, juntos, t&ecirc;m uma filha, Alice. Antes, foi casado por mais de 10 anos com Eliana. Deste matrim&ocirc;nio, nasceram dois filhos: J&uacute;lio e Pedro &mdash; este, seguindo os passos do pai. Depois de trabalhar como ator, ele atua como roteirista. J&uacute;lia &eacute; formada em Psicologia e est&aacute; fazendo doutorado em Portugal. Alice, que &eacute; a mais jovem, cursa Arquitetura.<\/p>\n<p>Nos poucos dias de folga, costuma ficar em casa, com a fam&iacute;lia. F&atilde; de s&eacute;ries &mdash; afinal, trabalha com isso na Rede Globo e precisa estar sempre atualizado &mdash;, tamb&eacute;m gosta muito de passear, ir ao cinema, ler e viajar. Em rela&ccedil;&atilde;o aos filmes atuais, revela estar mais atrasado. &ldquo;Quase n&atilde;o vejo filmes blockbusters, estou por fora de &lsquo;Vingadores&rsquo;. Essas megaprodu&ccedil;&otilde;es que ganham o Oscar n&atilde;o me interessam muito. Prefiro filmes menores, mais humanistas&rdquo;, conta.<\/p>\n<p>Apaixonado por comida brasileira, como guisadinho de milho, arroz, feij&atilde;o e farofinha, confessa n&atilde;o saber lidar com as panelas, mas se garante &agrave; frente de uma churrasqueira. Formado no catolicismo, n&atilde;o tem religi&atilde;o &mdash; mas gosta e estuda sobre o assunto. Gremista, o cineasta aprecia todos os esportes &mdash; menos beisebol, que &ldquo;n&atilde;o tem gra&ccedil;a&rdquo;. Nos momentos de lazer, a sua distra&ccedil;&atilde;o principal tamb&eacute;m est&aacute; nas palavras: gosta de arrumar os livros. &ldquo;Agora, ela est&aacute; uma bagun&ccedil;a. Mas tenho uma biblioteca toda em ordem alfab&eacute;tica pelos autores, organizada pelo assunto&rdquo;. E, dentre todas as obras, uma de suas favoritas &eacute; &lsquo;Grande Sert&atilde;o: Veredas&rsquo;, de Guimar&atilde;es Rosa. Jorge &eacute; t&atilde;o f&atilde; que, ao lado de Guel Arraes, fez um roteiro para transform&aacute;-lo em filme.<\/p>\n<p>Sem preconceitos, pois, de acordo com ele, esse &eacute; o pior defeito que um criador pode ter, afirma que ouve de tudo. Assim, mesclando com sua curiosidade, transita entre funk e rock. E, ao falar de m&uacute;sica, n&atilde;o demora para mostrar a carteirinha da Uni&atilde;o Brasileira dos Compositores. Ao realizar a s&eacute;rie &lsquo;Mr. Braun&rsquo;, fez as letras de v&aacute;rias m&uacute;sicas e, por isso, agora &eacute; um compositor. Por estar sempre fazendo muitas coisas, acaba sendo uma pessoa um pouco dispersiva e, ao mesmo tempo, desorganizada &mdash; com sua avers&atilde;o por usar agenda e rel&oacute;gio, acaba se esquecendo ou perdendo algumas coisas. &ldquo;Mas tudo bem&rdquo;, segundo garante.<\/p>\n<p><strong>Nem tudo precisa ter uma moral&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>&ldquo;Eu sou uma pessoa curiosa com obsess&otilde;es tempor&aacute;rias&rdquo;, define-se. Quando descobre algo, quer saber tudo sobre e, depois de levar para a TV ou para o cinema, desencana e parte para outra &mdash; menos Shakespeare, esse perdura. Generalista, Jorge se interessa por tudo que &eacute; humano. E o cinema entra nesse meio, pois &eacute; uma atividade coletiva. Precisa de pessoas para conseguir rodar um filme, ao contr&aacute;rio de outras artes, que podem ser feitas sozinhas.<\/p>\n<p>Essa predile&ccedil;&atilde;o pelo ser humano teve um relevante cap&iacute;tulo ap&oacute;s o sucesso de &lsquo;Ilha das Flores&rsquo;. O Channel 4, do Reino Unido, convidou-o para fazer uma produ&ccedil;&atilde;o de 20 minutos para a emissora, com tema livre. O cineasta, ent&atilde;o, quis provar que a vida de qualquer um poderia render um filme. E foi isso o que ele fez: bateu em uma porta aleat&oacute;ria, encontrou Noeli Cavalheiro e, ent&atilde;o, come&ccedil;ou a contar a sua hist&oacute;ria para o curta &lsquo;Esta n&atilde;o &eacute; a sua vida&rsquo;. &ldquo;O resultado ficou incr&iacute;vel, pois a vida dela &eacute; espetacular&rdquo;.<\/p>\n<p>Durante as grava&ccedil;&otilde;es, ao sair do bairro da Gl&oacute;ria, onde a protagonista morava, e ir para Tr&ecirc;s de Maio, cidade em que morava a fam&iacute;lia dela, Jorge recorda de um momento que sempre lhe provoca risadas: &ldquo;Fomos em uma equipe de 15 pessoas, em um &ocirc;nibus, mais ela e os filhos. Quando chegamos, as pessoas perguntavam o que ela fez de t&atilde;o incr&iacute;vel para estarem filmando. E n&oacute;s diz&iacute;amos que n&atilde;o aconteceu nada, est&aacute;vamos apenas filmando a vida dela. Quando chegou o &ocirc;nibus, come&ccedil;ou todo mundo a descer e j&aacute; descarregar os equipamentos. E o pai e a m&atilde;e dela meio que se assustaram. O pai, com um sotaque bem alem&atilde;o, perguntou: &lsquo;O que houve ali, Noeli?&rsquo;. E ela come&ccedil;ou, no meio da equipe, a me procurar para ver onde eu estava, enquanto dizia &lsquo;Tem um que explica&rsquo;. Me dei conta que essa &eacute; a fun&ccedil;&atilde;o do diretor: explicar. Sou eu que explico&rdquo;.<\/p>\n<p>Um dos momentos mais marcantes da carreira n&atilde;o est&aacute; relacionado a nenhuma grande personalidade ou pr&ecirc;mio internacional, mas, sim, com uma senhora evang&eacute;lica, que esteve na pr&eacute;-estreia de &lsquo;O Homem que Copiava&rsquo;. Na trama, os bandidos saem livres. A veterana mulher, ent&atilde;o, chegou para Jorge e comentou: &ldquo;Gostei muito do filme, mas tu devias botar uma coisa escrita, assim &oacute;: &lsquo;Tr&ecirc;s dias depois, eles foram presos&rsquo;&rdquo;, diverte-se relembrando. O cineasta, ent&atilde;o, explica que, na sua vis&atilde;o, fez &lsquo;O Homem que Copiava&rsquo; em uma &eacute;poca em que o Brasil &ldquo;n&atilde;o era t&atilde;o abobado&rdquo; e que, hoje, seria imposs&iacute;vel rodar esse filme. Justifica suas decis&otilde;es utilizando &lsquo;Alice&rsquo;, de Lewis Carrol, que, em sua vis&atilde;o, &eacute; apenas uma aventura. &ldquo;A personagem principal mesmo fala: &lsquo;Algumas hist&oacute;rias n&atilde;o precisam ter moral&rsquo;. E eu concordo&rdquo;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H&aacute; alguns anos, Jorge Furtado recebeu uma liga&ccedil;&atilde;o. Do outro lado da linha, um produtor norte-americano. 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