{"id":17221,"date":"2020-04-04T11:20:00","date_gmt":"2020-04-04T14:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ondawebhost3.com.br\/coletiva\/sem-categoria\/luciamen-winck-na-simplicidade-da-vida\/"},"modified":"2020-04-04T11:20:00","modified_gmt":"2020-04-04T14:20:00","slug":"luciamen-winck-na-simplicidade-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ondawebhost3.com.br\/coletiva\/perfil\/luciamen-winck-na-simplicidade-da-vida\/","title":{"rendered":"Luciamem Winck: Na simplicidade da vida"},"content":{"rendered":"<p>Quando crian&ccedil;a, admiradora da jornalista Sandra Passarinho, ela pegava o gravador de rolo de seu pai Jairo e encarnava a personagem favorita: a L&uacute; Periquito. Com isso, sa&iacute;a entrevistando pessoas e produzia mat&eacute;rias que nunca ultrapassaram os limites da doce imagina&ccedil;&atilde;o infantil. Sem gostar do pr&oacute;prio nome, &ldquo;uma inven&ccedil;&atilde;o do pai, que resolveu juntar os dois nomes da m&atilde;e (Carmem L&uacute;cia)&rdquo;, Luciamem Caiaffo Winck adotou para si a simplifica&ccedil;&atilde;o mais &oacute;bvia: L&uacute; Winck. Quando precisou escolher a profiss&atilde;o que seguiria, a press&atilde;o familiar n&atilde;o foi suficiente. Enquanto seu Jairo, administrador p&uacute;blico e de empresas, chegou a prometer o mundo caso ela escolhesse o Direito, a m&atilde;e, psic&oacute;loga e professora aposentada, incentivava a filha a seguir pela Odontologia. Quem ganhou? A L&uacute;, que sempre quis ser jornalista. E assim o fez, quando colou grau, em 1987, na Famecos.<\/p>\n<p>O orgulho da profiss&atilde;o &eacute; tanto que tentou muitas vezes convencer a enteada, Maria Eduarda, 24 anos, mas, definitivamente, a &aacute;rea das exatas tem mais a ver com ela. Ali&aacute;s, Duda, como a chama carinhosamente, &eacute; resumida com a frase &ldquo;um encanto de pessoa&rdquo;. Quando conheceu o marido, o produtor de eventos Milton Sardi, a menina j&aacute; tinha 11 anos e passava os finais de semana com o casal e, um ano depois, foi morar com eles. &ldquo;Na &eacute;poca, eu n&atilde;o entendia como uma m&atilde;e poderia entregar a filha a uma desconhecida, mas Duda perdeu a Marilu com 15 anos. Ent&atilde;o, entendi que aquilo era algo divino, preparando a fam&iacute;lia para sermos n&oacute;s tr&ecirc;s&rdquo;, reflete. A esperan&ccedil;a agora recai sobre a afilhada Nicole, de 17 anos, que j&aacute; escreveu tr&ecirc;s livros e demonstra todo interesse pela Comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Ent&atilde;o, atualmente, com Duda j&aacute; casada, o n&uacute;cleo familiar de L&uacute; se resume ao casal e os tr&ecirc;s cachorros: Thor, Lully e Alph, que &eacute; um &lsquo;c&atilde;odeirante&rsquo;, segundo ela. Ali&aacute;s, se pudesse, moraria em uma casa bem grande e com muitos bichos, pois &ldquo;s&atilde;o seres especiais&rdquo;, na opini&atilde;o da jornalista, que &eacute; esp&iacute;rita (e m&eacute;dium). E quando se trata de fam&iacute;lia, gosta mesmo &eacute; de casa cheia. Por exemplo, no dia do bate-papo com a coordenadora de Produ&ccedil;&atilde;o do Correio do Povo, ela estava na praia de Atl&acirc;ntida Sul, seu maior ref&uacute;gio, em quarentena com irm&atilde;os, m&atilde;e e sobrinhos, todos se prevenindo contra a pandemia do coronav&iacute;rus.<\/p>\n<p>S&atilde;o seus irm&atilde;os Aline, militar aposentada; Jairo J&uacute;nior, &aacute;rbitro de futebol e radialista do Internacional; e William, que atua na &aacute;rea da tecnologia, tem 25 anos e &eacute; fruto do segundo casamento de seu Jairo. O patriarca, ali&aacute;s, partiu cedo, aos 49 anos, v&iacute;tima de c&acirc;ncer. Entre tantas heran&ccedil;as, uma delas &eacute; o time do cora&ccedil;&atilde;o. Colorada como o pai e o v&ocirc; Nico (Nicolau Ant&ocirc;nio Gon&ccedil;alves Caiaffo), ela frequentava muito o Beira-Rio, mas desde a perda de ambos entende que sua presen&ccedil;a no est&aacute;dio perdeu o sentido, al&eacute;m de achar o local muito violento nos dias de hoje. &ldquo;N&atilde;o sou mais fan&aacute;tica. E nem odeio o Gr&ecirc;mio&rdquo; pondera.<\/p>\n<p><strong>A chegada da Pol&iacute;cia<\/strong><\/p>\n<p>Em junho de 1986, ingressou em Zero Hora como auxiliar administrativa do Arquivo Fotogr&aacute;fico, ap&oacute;s passar por uma sele&ccedil;&atilde;o. O curioso aqui &eacute; que a vaga pedia estudantes do quinto semestre, mas ela estava no s&eacute;timo. Foi vencendo as etapas at&eacute; que resolveu abrir o jogo, sabendo que poderia perder a chance. &ldquo;O meu empregador sempre soube, mas queria ver at&eacute; onde eu iria e entendeu que fiz aquilo porque queria muito a oportunidade&rdquo;, recorda.<\/p>\n<p>Depois de um tempo, abriu uma vaga na editoria de Pol&iacute;cia, &aacute;rea que sempre quis, ainda que o visual da &eacute;poca n&atilde;o favorecesse o gosto, pois andava sempre de salto alto. H&aacute;bito completamente abandonado por ela, que h&aacute; muito tempo adotou como melhor visual &ldquo;uma batinha, leggin e rasteirinha&rdquo; &#8211; h&aacute; duas coisas com as quais n&atilde;o consegue conviver: meias e golas altas. Voltando ao segundo processo seletivo, disputou com outros nove colegas, todos homens. Ali&aacute;s, garantiu a vit&oacute;ria em outra situa&ccedil;&atilde;o inusitada. Cada um dos finalistas faria um teste de um m&ecirc;s atuando na equipe. Na sua terceira semana, foi escalada para cobrir um crime passional no bairro Restinga, mas no caminho mudou o destino.<\/p>\n<p>Acontece que uma viatura da pol&iacute;cia passou por ela e o fot&oacute;grafo numa clara persegui&ccedil;&atilde;o e foi questionada pelo colega se queria manter a pauta que lhe fora dada na reda&ccedil;&atilde;o, ou se preferia &ldquo;seguir a not&iacute;cia&rdquo;. Ao optar pela segunda alternativa, voltou para ZH com uma nova hist&oacute;ria e uma s&eacute;rie de fotos exclusivas dos fugitivos. &Eacute; claro que foi chamada aten&ccedil;&atilde;o pela desobedi&ecirc;ncia, mas, no dia seguinte, uma semana antes de encerrar seu teste, ganhou a vaga e a contrata&ccedil;&atilde;o efetiva como rep&oacute;rter. Come&ccedil;ava a longa caminhada de pautas policiais. Passou ainda por Band, empresa jornal&iacute;stica Planalto M&eacute;dio, Correio Brigadiano, Habitasul, C&acirc;mara dos Vereadores, Prefeitura de Porto Alegre (gest&atilde;o de Jos&eacute; Foga&ccedil;a), entre outras experi&ecirc;ncias.<\/p>\n<p><strong>A segunda casa<\/strong><\/p>\n<p>Em ZH foram sete anos, encerrados de forma abrupta por conta de uma demiss&atilde;o por (in) justa causa, sob acusa&ccedil;&atilde;o de que ela e mais um colega, a quem sequer conhecia, violaram segredos da RBS. Restou, claro, uma ferida: &ldquo;J&aacute; virei a p&aacute;gina, perdoei, mas n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil esquecer que fui humilhada, levada para fora da empresa por seguran&ccedil;a, sem pegar pertences na minha mesa&rdquo;, detalha. Respondeu a processo e n&atilde;o apenas foi inocentada, como recebeu indeniza&ccedil;&atilde;o por danos morais e abalo de imagem, al&eacute;m de uma tentativa por parte da empresa de reintegr&aacute;-la, op&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o aceitou. A maior perda, para ela, n&atilde;o foi o emprego, mas o v&ocirc; Nico, que, por conta da hist&oacute;ria, sofreu um ataque card&iacute;aco fulminante.<\/p>\n<p>Dois dias depois da demiss&atilde;o, soube que o diretor de Reda&ccedil;&atilde;o do <a href=\"https:\/\/coletiva.net\/por-dentro\/correio-do-povo-um-jovem-senhor,276768.jhtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Correio do Povo<\/strong><\/a>, <a href=\"https:\/\/www.coletiva.net\/perfil\/telmo-flor-chef-de-jornal,161767.jhtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Telmo Flor<\/strong><\/a>, estava atr&aacute;s dela &ndash; ele, ali&aacute;s, ganha o t&iacute;tulo de &ldquo;grande cara e um irm&atilde;o&rdquo;. Tratava-se de uma vaga freelancer na editoria de Pol&iacute;cia. Come&ccedil;ava n&atilde;o apenas uma longa jornada, mas uma hist&oacute;ria de amor com o impresso. Um m&ecirc;s como tempor&aacute;ria e uma oportunidade no jornal O Povo, do Cear&aacute;, quase a tirou do CP, mas seus chefes optaram por assinar sua carteira para n&atilde;o perd&ecirc;-la. &ldquo;&Eacute; a minha segunda casa e, &agrave;s vezes, at&eacute; a primeira. Vou fazer 27 anos de empresa&rdquo;, orgulha-se ela, que est&aacute; aposentada h&aacute; tr&ecirc;s anos e n&atilde;o parou. Transferiu o plano de desacelerar para quando fizesse 55, idade atual. Agora, prorrogou para 60, mas sabe que s&oacute; est&aacute; enganando a si mesma, afinal, quando chegar nessa idade, inventar&aacute; outra desculpa para seguir.<\/p>\n<p>Ainda que n&atilde;o consiga se imaginar indo embora, sabe que esse dia vai chegar, mas acredita que ainda tem bastante a contribuir. &ldquo;Vou seguir l&aacute; me arrastando com uma bengala. A menos que me mandem embora antes disso, e tudo bem, faz parte. Se isso acontecer, n&atilde;o levarei m&aacute;goa, sairei satisfeita porque fui feliz. Vou continuar amando aquele lugar e sempre que puder voltarei pra visitar. A gratid&atilde;o vai ser eterna&rdquo;, garante.<\/p>\n<p><strong>Feitos de uma rep&oacute;rter<\/strong><\/p>\n<p>Na v&eacute;spera do falecimento do pai, L&uacute; ouviu o &uacute;ltimo pedido dele: sair da editoria de Pol&iacute;cia, pois ele n&atilde;o estaria mais l&aacute; para proteg&ecirc;-la. Continuou por mais uns dois anos, mas sempre lembrava do di&aacute;logo. Quando houve um problema na cobertura de Litoral, pediram que ela cobrisse por uma semana. A chefe de reportagem da &eacute;poca, Rosane Frigeri, pediu, no entanto, que a rep&oacute;rter ficasse at&eacute; o final da temporada. Ent&atilde;o, o que era pra ser r&aacute;pido, durou tr&ecirc;s meses e ainda emendou com f&eacute;rias. Por conta disso, L&uacute; fez um trato: &ldquo;Quando eu voltar, v&atilde;o ter tr&ecirc;s pautas de Geral na minha mesa?&rdquo;. A gestora dela aceitou e cumpriu. A partir dali, a Geral passou a ser seu ch&atilde;o, fazendo com que, aos poucos, largasse a Pol&iacute;cia, conforme tinha pedido seu Jairo.<\/p>\n<p>Teve ainda mais uma situa&ccedil;&atilde;o que quase a tirou do jornal. No governo do Ol&iacute;vio Dutra, recebeu a proposta para trabalhar na r&aacute;dio da Emater. Nessa &eacute;poca, acumulava CP e r&aacute;dio <a href=\"https:\/\/coletiva.net\/por-dentro\/radio-guaiba-um-ecossistema-pulsante,289657.jhtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Gua&iacute;ba<\/strong><\/a>, e teria que abrir m&atilde;o de um deles. Quando foi pedir demiss&atilde;o do impresso, seus superiores cobriram a proposta salarial e a promoveram &agrave; rep&oacute;rter especial, fun&ccedil;&atilde;o que aprendeu a gostar demais por n&atilde;o ter rotina, de tanto que viajava. &ldquo;E &eacute; disso que mais sinto falta estando na coordena&ccedil;&atilde;o, pois fico mais presa &agrave; reda&ccedil;&atilde;o. Gosto mesmo &eacute; de estar na rua, gastando sola de sapato atr&aacute;s de pautas&rdquo;, confessa.<\/p>\n<p>Como qualquer rep&oacute;rter, L&uacute; tem trabalhos que lhe fazem o cora&ccedil;&atilde;o bater forte at&eacute; hoje. &Eacute; o caso da cobertura mais triste que j&aacute; fez, quando da queda do avi&atilde;o da TAM, em Congonhas, em 2007. O voo JJ3054 nunca mais foi esquecido por ela, pois acompanhou o acidente, a chegada dos familiares no aeroporto, dos corpos, o enterro e a missa de s&eacute;timo dia. Essa &uacute;ltima a fez chegar na reda&ccedil;&atilde;o e pedir para sair da pauta, pois j&aacute; n&atilde;o conseguia ficar bem. Com &oacute;tima mem&oacute;ria e 34 anos de carreira, ela tamb&eacute;m lembra de nomes de entrevistados marcantes, como o menino Douglas, morto em Esteio por motivo banal. Nesse caso, recorda de ter chorado ao fazer a pauta e pensado ter quebrado o juramento profissional, achando que n&atilde;o estava sendo imparcial. &ldquo;Demorei a entender que deixar o sentimento aflorar n&atilde;o &eacute; sin&ocirc;nimo de fraqueza ou falta de &eacute;tica, &eacute; apenas ser humana&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p><strong>Para ficar na hist&oacute;ria<\/strong><\/p>\n<p>Se teve uma reportagem da qual jamais se esquecer&aacute;, esta &eacute; a entrevista realizada com Cl&aacute;udio Adriano Ribeiro, o Papagaio &ndash; considerado um dos maiores assaltantes de bancos da Regi&atilde;o Sul. Ao descobrir o celular da fonte, ligava todas as noites, mesmo que sempre ouvisse negativas quanto a dar entrevista. Nos primeiros dias de 2008, ele ligou para a rep&oacute;rter, aceitando o bate-papo naquele mesmo dia. Ao lado do grande parceiro de pautas, o fot&oacute;grafo Diego Vara, foi ao encontro do preso sem contar a ningu&eacute;m. Chegando no local combinado, soube que s&oacute; ela poderia v&ecirc;-lo. Medo? Claro, mas foi mesmo assim.<\/p>\n<p>J&aacute; no in&iacute;cio da conversa, Papagaio deu as condi&ccedil;&otilde;es, dizendo como deveria ser a mat&eacute;ria, inclusive pedindo para n&atilde;o ser chamado pelo apelido, assim como pelo adjetivo de criminoso. Ela sabia que era uma chance &uacute;nica e aceitou. Ao final da entrevista, quis uma foto, no que ele negou. L&uacute; explicou que, sem esta, n&atilde;o sairia a reportagem, porque poderia ter falado com qualquer um na rua e dizer que era ele. Quando ouviu resposta positiva, ligou para Vara e passou a orienta&ccedil;&atilde;o de que s&oacute; poderia ser uma foto, mas com um c&oacute;digo que dizia, na verdade, &ldquo;fa&ccedil;a v&aacute;rias&rdquo;. Resultado: voltaram para reda&ccedil;&atilde;o com a exclusiva e mais de 500 imagens, o que rendeu mat&eacute;ria de p&aacute;gina inteira com direito a foto de capa.<\/p>\n<p>Com muitas controv&eacute;rsias na reda&ccedil;&atilde;o sobre o tom da mat&eacute;ria, L&uacute; conta que foi para casa, mas n&atilde;o conseguia dormir, pensando que podiam mudar seu texto e descumprir com alguma das combina&ccedil;&otilde;es. No dia seguinte, foi acordada com uma liga&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio Papagaio, elogiando a reportagem. &ldquo;Fui trabalhar e passei o dia recebendo elogios, acompanhando a repercuss&atilde;o. Lembro que o diretor do jornal na &eacute;poca era o Luiz Cl&aacute;udio Costa, ele desceu na reda&ccedil;&atilde;o, botou a m&atilde;o no meu ombro e disse &lsquo;Esse &eacute; o Jornalismo que eu quero&rsquo;&rdquo;, recorda, cheia de orgulho.<\/p>\n<p>Com os resultados da reportagem, outros ve&iacute;culos passaram a assedi&aacute;-la. Por isso, foi pleitear um aumento, um pouco antes de sair de f&eacute;rias. Quando retornou, tomou um susto com o contracheque e foi conferir se n&atilde;o tinha erro, pois as cifras eram maiores, inclusive, do que as que tinha pedido. Aconteceu que foi promovida &agrave; secret&aacute;ria de Reda&ccedil;&atilde;o, cargo exercido at&eacute; Rosane Frigeri sair e Telmo pedir para ela ficar na fun&ccedil;&atilde;o at&eacute; encontrar outra pessoa. Nunca achou. Ap&oacute;s isso, o chefe reformulou a reda&ccedil;&atilde;o e criou o cargo de coordenadora de produ&ccedil;&atilde;o, de modo que, hoje, controla todas as equipes.<\/p>\n<p><strong>Fora do Jornalismo<\/strong><\/p>\n<p>Nos dias de folga, L&uacute; e Milton pegam o carro e fogem para praia, local que chama de pequeno para&iacute;so, cheio de &aacute;rvores e tranquilidade. &ldquo;&Eacute; a extens&atilde;o da minha casa&rdquo;, diz, empolgada. Al&eacute;m disso, como seu c&atilde;odeirante Alph passou tr&ecirc;s meses sendo cuidado em Atl&acirc;ntida Sul, aceitou ter guarda compartilhada com a respons&aacute;vel por reabilitar o mascote, Karini Bacella. Hoje, o filho canino fica 30 dias em Porto Alegre e 15 no Litoral. Em casa, gosta de receber os amigos e a fam&iacute;lia em volta da churrasqueira, de prefer&ecirc;ncia, ao som de um bom samba. &ldquo;Gosto das coisas mais simples. Quando me aposentar, a vontade &eacute; vir morar na praia, sem d&uacute;vida&rdquo;, conta, completando que jazz &eacute; o tipo de m&uacute;sica que a acalma, enquanto MPB, sem d&uacute;vida, &eacute; o g&ecirc;nero preferido.<\/p>\n<p>Toda essa simplicidade se estende em diversas &aacute;reas da vida, como a gastronomia. Milton &eacute; quem comanda a cozinha, mas garante que se vira bem fazendo, por exemplo, costela assada no forno, macarronada, carreteiro, feij&atilde;o e &ldquo;coisas mais simples&rdquo;. &ldquo;N&atilde;o nasci talhada para cozinha, mas me viro bem. Se me pedirem pra fazer um bolo, vou no mercado, compro a mistura pronta e fa&ccedil;o. O que tenho &eacute; boa vontade&rdquo;, detalha. Al&eacute;m disso, n&atilde;o abre m&atilde;o do seu suco de ma&ccedil;&atilde; verde, abacaxi e &aacute;gua de coco, tudo batido no liquidificador. &ldquo;Essa &eacute; a minha &aacute;gua&rdquo;, diz ela, que colocou a bebida no lugar da Coca-Cola, seu antigo v&iacute;cio. Atualmente, s&oacute; mant&eacute;m &ldquo;o maldito cigarro&rdquo;. Chegou a parar de fumar por 10 anos, mas diz que voltou de besta que &eacute;. O mau h&aacute;bito, inclusive, est&aacute; martelando em sua cabe&ccedil;a, a ponto de achar que n&atilde;o chega em 2021 como fumante.<\/p>\n<p>Duas obras marcaram a vida de L&uacute;: o filme &#8216;Al&eacute;m da eternidade&#8217;, de Steven Spielberg, e o livro &#8216;Fern&atilde;o Capelo Gaivota, de Richard Bach, o primeiro que leu na vida e com o qual se identifica desde ent&atilde;o. &ldquo;Enquanto alguns preferem comer peixinho na beira da praia, eu quero voar&rdquo;, compara. Para falar de si mesma, a jornalista se resume como uma pessoa simples, humana, sens&iacute;vel, que se preocupa com os outros e que &eacute; capaz de tirar a roupa do corpo pelo pr&oacute;ximo. Ainda que dizer essas coisas pare&ccedil;a piegas, ela garante que &eacute; assim mesmo. &Eacute; claro que tem momentos que explode, mas amanh&atilde; &eacute; um novo dia e j&aacute; est&aacute; tudo bem de novo, sem m&aacute;goas. &ldquo;Oferecer bem ao outro faz melhor pra quem d&aacute; do que para quem recebe&rdquo;, ensina.<\/p>\n<div class=\"galleries mceNonEditable\"><input class=\"gallery\" type=\"hidden\" value=\"11603\" \/><img decoding=\"async\" class=\"\" src=\"..\/pictures-icon-22.gif\" \/><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando crian&ccedil;a, admiradora da jornalista Sandra Passarinho, ela pegava o gravador de rolo de seu pai Jairo e encarnava a personagem favorita: a L&uacute; Periquito. Com isso, sa&iacute;a entrevistando pessoas e produzia mat&eacute;rias que nunca ultrapassaram os limites da doce imagina&ccedil;&atilde;o infantil. 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