À medida que a Inteligência Artificial (IA) se torna cada vez mais central para personalizar experiências e otimizar a entrega de conteúdo, um obstáculo clássico se mantém: dados desconectados e fragmentados. Esses silos não apenas dificultam a visão 360° do cliente, mas também limitam o potencial da IA de gerar experiências verdadeiramente em tempo real e contextualizadas.
No levantamento ‘IA e Tendências Digitais: Dados e Insights‘ de 2025 da Adobe, 76% dos profissionais afirmaram que dados em silos impedem a personalização em tempo real, afetando a capacidade de acompanhar ações do usuário e entregar conteúdos adequados no momento certo. Além disso, 75% relatam que essa fragmentação dificulta o engajamento nos momentos críticos da jornada do cliente.
A urgência de romper silos para personalização em tempo real
Dados fragmentados significam que sistemas analíticos de Inteligência Artificial não conseguem consolidar perfis completos de usuários: cada banco contém pedaços de informação que não “conversam” entre si. Isso impede que a IA entenda, por exemplo, que um clique no site e uma abertura de e-mail correspondem ao mesmo usuário atuando em diferentes contextos.
Para gerar insights acionáveis e personalizar experiências de forma contínua, a ordem é: integração. Marcas que unem Customer Data Platforms (CDPs) com data warehouses e sistemas analíticos conseguem coletar, unificar e ativar dados em tempo real. Ao ter uma estrutura como essa consolidada, o resultado é a chamada “única fonte de verdade” – um repositório unificado de dados de clientes acessível por toda a organização.
Plataformas modernas de dados proporcionam ferramentas para mapear perfis, unificar registros e ativar insights de Inteligência Artificial em Marketing e Atendimento. Por exemplo, o Salesforce Data 360 unifica dados estruturados e não estruturados em um perfil de cliente central, permitindo que agentes de IA traduzam solicitações em segmentos sem necessidade de codificação complexa.
O mesmo ocorre na Liferay Data Platform, módulo que faz parte da suíte DXP e coleta informações de diferentes fontes, resolvendo identidades para criar uma visão única e persistente de cada cliente. Esse perfil é constantemente atualizado conforme surgem novas interações, o que sustenta experiências personalizadas e consistentes. Esse tipo de unificação melhora análises comportamentais em tempo real e aumenta a eficiência de testes, otimizações e segmentações, sendo fundamental para que a Inteligência Artificial entregue conteúdo certo, na hora certa e no canal certo.
Governança e cultura
Embora ferramentas como CDPs e soluções de integração de dados sejam essenciais, a simples adoção técnica não resolve por si só. Ainda há questões culturais, organizacionais e de governança de dados que impedem avanços reais.
O mesmo relatório da Adobe destaca alguns obstáculos que limitam a personalização em tempo real e corroem a confiança do consumidor. Entre os executivos seniores ouvidos para a pesquisa, 64% relatam as preocupações com privacidade, segurança ou governança de dados como barreiras para conectar os dados dos clientes, enquanto 48% também são prejudicados por dados de baixa qualidade ou desorganizados.
Além disso, mais da metade admite que suas empresas não valorizam os dados devidamente. Em 24% dos casos, as organizações não estão preparadas para ver os dados como estratégicos, enquanto 30% não identificam os casos de uso correto dessas informações. Ainda, 32% enfrentam obstáculos com serviços de TI descentralizados, o que dificulta o processo de conectar dados e dimensionar a personalização.
Esses entraves não são apenas técnicos. Eles afetam diretamente a entrega de conteúdo inteligente: se a IA não consegue acessar um perfil unificado, ela não consegue mapear comportamentos cumulativos nem antecipar necessidades, dois elementos fundamentais para personalização de alto nível.
Confiança do consumidor depende de transparência e segurança
Oferecer uma experiência consistente transmite uma imagem de integridade, que resulta em maior credibilidade e confiança. O relatório da Adobe salienta que 78% dos consumidores valorizam ter uma experiência sem problemas nos canais digitais e físicos. E é justamente essa confiança que faz toda a diferença na hora que um cliente decide se vai compartilhar seus dados ou não.
Os consumidores não presumem automaticamente que seus dados estão seguros: 88% querem que as marcas expliquem claramente como protegem os dados e 60% dizem que essa garantia é fundamental. Por sua vez, 75% esperam transparência quando a Inteligência Artificial é usada para fornecer conteúdo ou recomendações.
Observa-se, então, um ciclo. O cliente precisa se sentir seguro para compartilhar suas informações com a marca; entre os fatores que geram essa confiança está a percepção de uma experiência unificada; essa consistência é criada justamente por meio desses dados que o consumidor decide entregar.
No fim, a promessa da personalização orientada por IA não depende apenas de modelos ou plataformas avançadas, mas da maturidade com que as organizações tratam seus dados. Em um cenário em que consumidores valorizam consistência, clareza e propósito, integrar informações é um compromisso estratégico com a confiança.
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