A incorporação de Inteligência Artificial nas operações de Comunicação e Marketing não está apenas automatizando tarefas, mas redesenhando estruturas de trabalho. À medida que empresas avançam no uso de Large Language Models (LLMs) – como ChatGPT e Gemini – e Small Language Models (SLMs) – modelos menores, especializados e frequentemente operados localmente – torna-se evidente que a eficiência da IA depende menos do tamanho do modelo e mais da qualidade dos dados, do contexto e da organização da informação.
Esse cenário tem impulsionado o surgimento de novos perfis e novas funções profissionais, muitas delas voltadas à gestão do conhecimento, à mediação entre áreas e à tradução de objetivos estratégicos em sistemas compreensíveis para máquinas e pessoas. E quanto mais sofisticada a tecnologia, maior a necessidade de profissionais capazes de dar sentido, contexto e direção aos dados, reforçando uma lógica cada vez mais evidente: a IA não substitui o conhecimento humano.
1. Engenheiro de contexto
Entre os cargos que ganham espaço nesse processo está o do engenheiro de contexto, responsável por definir limites, escopos, vocabulários e regras que orientam o funcionamento dos modelos de linguagem. Diferente da lógica associada a grandes modelos genéricos, os SLMs dependem de um contexto bem delimitado para entregar precisão e evitar alucinações.
Na prática, esse profissional atua na construção do ‘ambiente cognitivo’ da Inteligência Artificial. Ele organiza informações como tom de voz, diretrizes editoriais, padrões de marca, históricos de campanhas e fluxos internos de Comunicação e Marketing.
2. Gestor de base de conhecimento
Embora o cargo não seja novo, a relevância do gestor de base de conhecimento cresce à medida que a IA passa a operar diretamente sobre dados internos. A ausência dessas bases organizadas é um dos principais entraves para a adoção efetiva de Inteligência Artificial nas empresas. Portanto, esse profissional atua na curadoria, na categorização, na atualização e na governança de conteúdos estratégicos, transformando acervos dispersos – apresentações, documentos, campanhas, relatórios e materiais institucionais – em ativos estruturados e acionáveis pelos modelos de linguagem.
3. Arqueologista digital
Em organizações mais antigas ou com histórico de crescimento desordenado, surge ainda o papel do arqueologista digital. Seu trabalho consiste em mapear sistemas legados, códigos sem documentação, processos improvisados e bases esquecidas, mas ainda críticas para o negócio.
Sem esse resgate, iniciativas de automação e uso de IA tendem a falhar ou reproduzir ineficiências. No contexto da Comunicação, isso inclui desde bancos de conteúdo abandonados até sistemas de gestão que nunca foram plenamente integrados.
4. Arquiteto de conhecimento e taxonomias
O avanço da IA também tem impulsionado cargos voltados à arquitetura da informação, como arquitetos de conhecimento e gestores de taxonomias. Esses profissionais desenham estruturas semânticas, vocabulários controlados e sistemas de classificação que ajudam tanto humanos quanto máquinas a navegar por grandes volumes de informação. Para Comunicação e Marketing, isso significa criar bases que organizem narrativas, públicos, canais, formatos e mensagens de forma consistente – algo essencial para personalização em escala com SLMs.
5. Designer de conversas e interação humano-IA
Com a expansão de assistentes conversacionais e automações baseadas em Inteligência Artificial, cresce também a demanda por designers de conversas e interação humano-IA. Esses profissionais combinam experiência do usuário (UX), linguística, storytelling e estratégia de marca para planejar interações mais naturais, eficientes e alinhadas aos valores da organização.
6. Orquestrador de agentes de IA e fluxos automatizados
À medida que empresas adotam múltiplos sistemas de IA, sendo cada um responsável por tarefas específicas, surge a figura do orquestrador de agentes. Esse profissional define fluxos, prioridades e integrações entre diferentes modelos e automações, garantindo que a tecnologia opere como um ecossistema coordenado. Em Marketing e Comunicação, isso pode envolver desde a automação de conteúdo até análise de dados, atendimento e distribuição multicanal.
7. Especialista em governança, ética e qualidade da informação
Outro conjunto de funções em ascensão está ligado à governança da IA. Especialistas em ética, compliance e qualidade da informação atuam para garantir que modelos de linguagem operem dentro de limites legais, reputacionais e culturais, especialmente quando lidam com dados sensíveis ou comunicação institucional. Esse cuidado se torna ainda mais relevante com o uso de SLMs rodando localmente, que ampliam o controle sobre dados, mas exigem responsabilidade na definição de regras e usos.
Menos código, mais visão sistêmica
Um ponto em comum entre essas funções é que muitas delas não exigem domínio avançado de programação. Elas valorizam pensamento sistêmico, organização da informação, capacidade analítica e entendimento profundo do negócio. Nesse sentido, a Inteligência Artificial amplia o campo de atuação desses profissionais, reposicionando-os como peças-chave na transformação digital das organizações.
Além disso, a multiplicação desses cargos revela um aspecto central da adoção de IA: ela expõe o grau de maturidade das empresas. Organizações que investem em estrutura, processos e cultura tendem a criar esses papéis antes de escalar modelos. Já aquelas que buscam atalhos tecnológicos enfrentam limitações rapidamente. Os Small Language Models, por serem mais especializados e menos tolerantes a dados desorganizados, funcionam como um termômetro desse preparo.
Alavancar essas tecnologias é fundamental para otimizar operações e potencializar o crescimento de negócios a longo prazo. Por isso, o cenário de tecnologia para Marketing conta com um espaço dedicado neste portal. Acompanhe na editoria ColetivaTech.