O ano de 2025 se aproxima do final com o Rio grande do Sul ultrapassando a marca de 80 feminicídios. É triste. É trágico. Vivemos em tempos de epidemia de violência contra a mulher, com ou sem morte.
Claro, todos sabemos que não é um assunto novo. Muito antes pelo contrário. Mas, incrivelmente, os números não param de crescer, o que deixa claro que ações e medidas urgentes e eficientes precisam ser adotadas. Para ontem.
Mecanismos de resposta como aumento de pena resolvem? Claro que é fundamental pensarmos na punição a estes casos. Assassinos ou agressores frios e covardes não podem ficar impunes. Mas a prisão e a condenação, ainda que incluam a função intimidatória, não têm surtido um efeito preventivo. Mulheres seguem sendo agredidas e mortas.
É preciso ampliar a rede de atendimento a vítimas, mesmo as em potencial, fortalecer e estender as patrulhas Maria da Penha, por exemplo. E há casos em que a prisão preventiva se faz necessária. Muitas vezes, as ações praticadas pelos agressores dão fortes indícios de eles que estão dispostos a tudo.
Um exemplo disso foi dado pelo homem que, na madrugada do sábado passado, danificou o carro da ex-namorada, na frente da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), em Porto Alegre, enquanto ela aguardava para registrar ocorrência de violência doméstica contra ele.
Vejam bem: seu sentimento de posse, como se fosse “dono” dela, e seu espírito de vingança por ela ter terminado o relacionamento superaram qualquer freio que poderia contê-lo, como o risco evidente de prisão, pois estava diante de uma delegacia.
Aliás, está faltando, e muito, o engajamento masculino na questão. Poucos homens, em tese não ou menos machistas, dão atenção ao assunto. E para piorar, outros tanto tratam com o costumeiro machismo, muitas vezes culpando a mulher de alguma forma e amenizando a culpa dos autores dos crimes ou até, em tese absolvendo-os.