A cada dia é mais intenso o receio da população gaúcha com a crise econômica, sentido efetivamente na diminuição do poder de compra e no aumento do desemprego. O temor com a crise econômica é ampliado pela situação com a crise política (escândalos de corrupção e malversação de recursos públicos) e agrava a crise social (falta de confiança e credibilidade nas instituições).
Diante deste cenário de instabilidade econômica e política, as mudanças no comportamento do consumidor gaúcho ocorrem de forma continua e obrigam os consumidores a uma readaptação do consumo e a uma revisão de seus gastos domésticos.
A primeira reação dos consumidores, no segundo semestre de 2015, foi a diminuição do consumo por impulso. Os consumidores passaram a cortar os produtos supérfluos, diminuindo as respostas aos apelos mercadológicos.
Com a passagem de ano e a ampliação dos gastos, iniciou-se um segundo momento com o planejamento dos gastos e das compras. As listas de compras de supermercado voltaram à prática das famílias.
As duas ações não deram conta do déficit da maior parte das famílias e no terceiro momento iniciou uma revisão das marcas de preferência, com substituição por marcas similares ou de segunda linha.
As pesquisas relativas ao comportamento do consumidor realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião no RS indicam que mais de 1/3 dos gaúchos não tem condições de cumprir com todos os seus compromissos, “com todas as suas contas”, tendo que “abrir mão de algum compromisso”.
Esta situação exige do consumidor um novo posicionamento: a necessidade de uma reeducação financeira que inclua todos os membros da família. Esta reeducação financeira envolve o registro de todos os gastos X os ganhos de todos os membros da família, e envolve todos membros da família na “mesa de negociação”. E neste contexto verifica-se uma das principais mudanças comportamentais da atualidade: a volta do compartilhamento das despesas.
Com a estabilidade econômica, a maior parte dos pais das famílias de classe C e D suportavam as despesas da casa, sem pedir apoio aos filhos economicamente ativos do domicílio. Estes “filhos” eram estimulados a utilizar a sua renda em suas despesas ou investimentos pessoais sem se preocupar com custos fixos do domicílio, tais como: alimentação, aluguel ou contas de energia, água e internet.
Com o agravamento da crise, retoma-se uma prática tradicional de famílias com renda mais restrita: o da educação financeira da família. A educação financeira dos membros ativos das famílias de classe C e D se caracteriza em um compartilhamento ou socialização das despesas, uma divisão das contas fixas do domicilio, propiciando uma responsabilização e comprometimento de todos com o ajuste fiscal doméstico.