Escrevo, desde a semana passada, sobre o “jornalismo” que vem sendo praticado via internet, por redes sociais ou plataformas digitais. Sem generalizar, pois realmente não são todos, lamento que portais e perfis aparentemente tenham por finalidade apenas a conquista de cliques e de seguidores, republicando textos ou divulgando falas sem qualquer contextualização, contraponto ou questionamento.
Citei na coluna passada os casos de entrevistas em que falas de entrevistados são publicadas sem que sequer seja averiguado se o que dizem é verdadeiro ou não. É como se esse tipo de jornalismo estivesse fazendo um papel de porta-voz.
Nesta semana, agora, surgiu um fato novo na esfera esportiva. Um ex-presidente do Santos, um dos clubes mais tradicionais do país, que tem em sua história a fabulosa geração Pelé, com todas as letras pediu ao Juventude que entregue o jogo contra o próprio Santos. Desta forma, favorecendo o time paulista e prejudicando o Inter na briga contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro.
Vários destes portais e perfis publicaram um texto semelhante, quase padrão, como se tivessem uma mesma origem, sem qualquer questionamento, contraponto ou repercussão. Ou seja, trataram um pedido insólito, que ataca em cheio a ética não só esportiva mas da sociedade em geral, como algo comum.
Alguns, inclusive, aproveitaram para buscar mais cliques e curtidas criando enquetes em que pediam para as pessoas responder se o jogo deveria ser facilitado ou não. É de se refletir se essa falta de senso crítico, questionamentos e contrapontos não contribui para a crônica crise moral brasileira.