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Justiça por Orelha

Maus tratos a animais é crime e silenciar diante disso é permitir que casos como o do cachorro Orelha continuem ocorrendo.  Na maior impunidade. Pelo menos, até o momento, pelo andamento da investigação policial. Não podemos, enquanto sociedade, aceitar tais atos de barbárie como assassinar um cão comunitário que, segundo as notícias, ficou agonizando sem conseguir locomover-se tamanho a crueldade das agressões. É mais um caso que não pode ser esquecido. É mais um caso em que os assassinos precisam ter a punição exemplar.

Orelha, um cão comunitário que vivia na praia Brava, em Florianópolis, na maior paz, de comportamento dócil e brincalhão, foi brutalmente assassinado por quatro adolescentes da alta sociedade catarinense. A morte brutal do cachorro, que era cuidado pelos moradores do local, é mais do que o assassinato de um cão comunitário. Ela atesta o fracasso coletivo na proteção de vidas mais vulneráveis. Retrata uma sociedade que segue falhando na educação e na formação de valores.

Quando adolescentes se sentem no direito de agredir e torturar brutalmente um cão de bairro, que era cuidado pela comunidade há uns 10 anos, um alerta severo de que algo está muito errado se acende. Quando os pais dos jovens da classe média alta catarinense que praticaram o assassinato tentam de todas as maneiras calar testemunhas do caso, um sinal de perigo é acionado. E a publicação nas redes sociais de um dos assassinos dizendo que era apenas uma brincadeira entre amigos revela uma desumanização e uma violência que vem sendo naturalizada e brindada pela impunidade.

Não podemos deixar o assassinato do cão Orelha, resultado de uma educação falha e de valores mal formados, cair no esquecimento, na gaveta enorme das impunidades, na lista das violências normalizadas. Precisamos exigir punição. Precisamos cobrar das autoridades mais rapidez na investigação. Precisamos mudar a história escrota das impunidades.

#JustiçaPorOrelha.

Autor

Márcia Martins

Márcia Fernanda Peçanha Martins é jornalista, formada pela Escola de Comunicação, Artes e Design (Famecos) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), militante de movimentos sociais e feminista. Trabalhou no Jornal do Comércio, onde iniciou sua carreira profissional, e teve passagens por Zero Hora, Correio do Povo, na reportagem das editorias de Economia e Geral, e em assessorias de Comunicação Social empresariais e governamentais. Escritora, com poesias publicadas em diversas antologias, ex-diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) e presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Porto Alegre (COMDIM/POA) na gestão 2019/2021. E-mail para contato: marfermartins@gmail.com
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