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Não basta ser contra

A situação não para de piorar. Nesta segunda-feira, 26 de janeiro e, consequentemente, 26º dia de 2026, somente no Rio Grande do Sul, o número de feminicídios chegou a 9. Ou seja, arredondando, a cada dois dias e meio, uma mulher foi morta por companheiro ou ex-companheiro neste ano. E cada vez mais são divulgados vídeos com flagrantes de agressões, algumas delas verdadeiros espancamentos.

Já escrevi aqui neste mesmo espaço que tudo o que tem sido feito na tentativa de garantir a integridade física, psicológica, patrimonial e sexual de mulheres ameaçadas ou já na condição de vítimas de violência doméstica, como as medidas protetivas, são ações necessárias mas insuficientes para impedir que os crimes desta natureza sigam acontecendo.

Puxando o debate para o campo da comunicação, vejo como positivas as coberturas dos casos e reportagens especiais, incluindo alertas, como, faz, por exemplo, a repórter Letícia Mendes, do Grupo RBS, que trabalha o tema há bastante tempo.

Por outro lado, penso que os veículos e grupos, de um modo geral, além do trabalho na área editorial, deveriam encampar campanhas institucionais que possam ajudar na conscientização, prevenção e combate à violência de gênero e doméstica. Talvez isso até já esteja sendo feito, mas, neste caso, digo que é preciso intensificar.

Campanhas institucionais vão solucionar o problema? Infelizmente, não. Mas se cada setor ou segmento fizer algo que acrescente, a luta ganhará corpo. E não deixo de cobrar, fazendo uma mea culpa, um maior engajamento masculino. Não basta ser contra. É preciso agir.

Autor

Renato Dornelles

Jornalista, escritor, roteirista, produtor, sócio-diretor da editora/produtora Falange Produções, é formado em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) (1986), com especialização em Cinema e Linguagem Audiovisual pela Universidade Estácio de Sá (2021). No Jornalismo, durante 33 anos atuou como repórter, editor e colunista, tendo recebido cerca de 40 prêmios. No Audiovisual, nos últimos 10 anos atuou em funções de codireção, roteiro e produção. Codirigiu e roteirizou os premiados documentários em longa-metragem ‘Central – O Poder das Facções no Maior Presídio do Brasil’ e ‘Olha Pra Elas’, e as séries de TV documentais ‘Retratos do Cárcere’ e ‘Violadas e Segregadas’. Na Literatura, é autor dos livros ‘Falange Gaúcha’, ‘A Cor da Esperança’ e, em parceria com Tatiana Sager, ‘Paz nas Prisões, Guerra nas Ruas’. E-mail para contato: renatinhodornelles@hotmail.com
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