A Rede de Proteção Digital para Comunicadoras Negras (Repcone), uma iniciativa da Rede de Jornalistas Pretos (JP) na América Latina que une cibersegurança, acolhimento e proteção jurídica para jornalistas e comunicadoras negras, indígenas e quilombolas, lançou a cartilha ‘Proteção Digital para Comunicadoras Negras na América Latina’. O conteúdo produzido em Português e Espanhol reúne estratégias, boas práticas e ferramentas para fortalecer a segurança digital, a integridade informacional e o enfrentamento da violência de gênero on-line.
Com lançamento anunciado durante o evento ‘Resistir é Comunicar’, realizado na Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UNB), a oportunidade reuniu jornalistas, ativistas, lideranças comunitárias, pesquisadores e defensoras de direitos. Estiveram presentes também representantes de organizações internacionais como a latino-americana AfroColectiva, a Women’s March e o Comitê Global da Marcha das Mulheres Negras.
“As jornalistas negras precisam de uma rede de segurança para conseguir trabalhar em um ambiente seguro, e as redes sociais não oferecem isso. As vozes desses jornalistas precisam ser ouvidas dentro e fora das redações”, explica a coordenadora da Repcone e membro da Rede JP, Marcelle Chagas. Ela menciona ainda que o intuito da rede com a cartilha é fornecer as ferramentas necessárias para que jornalistas reconheçam os abusos, saibam como lidar com eles e tenham materiais didáticos adequados para denunciar essas violências. O site da Rede JP informa que, em breve, o material estará disponível em download para interessados.
Evento de lançamento
O encontro também analisou a relação entre a mídia tradicional e as comunidades periféricas, buscando destacar a ausência e distorção de narrativas que levam à marginalização dessas populações ao focar em estereótipos de violência, em vez de aspectos culturais, de resistência e empreendedorismo. Em contraponto, a conferência ressaltou o papel do jornalismo negro na descentralização e humanização das histórias, trazendo a perspectiva das populações negras e produzindo conteúdo que celebra a negritude e questiona estruturas racistas e coloniais.
Nesse sentido, foi debatido o enfrentamento ao racismo estrutural dentro das redações e na cobertura, apresentado o jornalismo negro como uma ferramenta para superar a injustiça informacional. Palestrantes como a jornalista e membro da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira) Jacira Silva; Juliana Cézar Nunes, gerente de Jornalismo Digital na EBC, e a responsável pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), Natália Purificação, destacaram ainda a vulnerabilidade e a resistência de jornalistas negras, que enfrentam a violência política, racial e de gênero ao exercerem a profissão.