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Rodrigo Vieira da Cunha comenta sobre entrada da Profile na Ethical Agency Alliance

Jornalista gaúcho acredita na importância de usar a comunicação como motor de transformação

Rodrigo Vieira da Cunha conversou com a reportagem do portal - Crédito: Divulgação

A agência Profile, fundada pelo gaúcho Rodrigo Vieira da Cunha, entrou para a Ethical Agency Alliance (Aliança de Agências Éticas, em tradução livre). O grupo se posiciona como uma coalizão de empresas de Marketing, Publicidade e Relações Públicas que buscam usar a criatividade para a ação climática e a promoção de um futuro positivo para o planeta. “Fazer parte disso representa assumir publicamente um compromisso que já faz parte da nossa essência: usar a Comunicação como força para transformar realidades, e não para sustentar contradições ou ampliar impactos negativos”, explicou em conversa com a reportagem de Coletiva.net.

Como parte da iniciativa, a agência é a responsável por trazer ao Brasil o Manual de Integridade Coletiva, que foi lançado durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), realizada em novembro, no Pará. O guia tem o intuito de ajudar agências e marcas a alinhar a própria influência com a ciência climática e a integridade. É possível encontrar na publicação soluções práticas e acionáveis com recomendações embasadas na ciência para incorporar a integridade climática ao trabalho criativo, desde a seleção do cliente até a execução da campanha.

Para Rodrigo, colocar o material à disposição das empresas brasileiras é “um gesto de responsabilidade”. “É reconhecer que a indústria de Comunicação tem um poder imenso e, justamente por isso, precisa operar com integridade, coerência e consciência”, afirmou. O jornalista ressaltou o pioneirismo da agência na certificação pelo Sistema B no Brasil. O movimento global certifica empresas para que atuem não apenas visando ao lucro, mas também para gerar um impacto socioambiental positivo. “Não basta falar sobre impacto positivo: é preciso criar mecanismos e oferecer referências concretas para que o mercado inteiro avance. Esse manual é uma dessas ferramentas e nosso papel é abrir caminho para que mais agências tenham coragem de repensar sua atuação e suas escolhas”, acrescentou.

Protagonismo na construção de um futuro sustentável

Segundo o empresário, a aliança é, ao mesmo tempo, um convite e uma pressão positiva para que as agências olhem para o impacto real das histórias que contam. “Durante anos, a Comunicação atuou (e ainda vem atuando) muito mais como um amplificador do que como um agente transformador, muitas vezes contribuindo para perpetuar práticas e setores que aceleram crises ambientais e sociais”, argumentou. Rodrigo destacou que, ao reunir organizações que querem trabalhar de forma mais ética e responsável, a Ethical Agency Alliance cria um espaço seguro para redefinir padrões, discutir limites e fortalecer a coragem coletiva de dizer ‘não’ quando um trabalho não está alinhado a valores sustentáveis.

De acordo com o jornalista, o movimento ajuda as agências a entender que elas não são apenas prestadoras de serviço, mas, sim, “atores fundamentais na construção de uma economia mais justa e regenerativa”. Ele explicou que o manual funciona como uma guia prático que auxilia a tomada de decisões de maneira consciente, apresentando critérios e reflexões para avaliar se um cliente, um projeto ou uma narrativa contribui de forma concreta para um futuro sustentável ou se está “apenas reforçando modelos de consumo, impactos negativos ou discursos vazios”.

Além disso, afirmou Rodrigo, o manual traduz a integridade em ferramentas concretas: “Ele nos mostra quando uma relação é coerente com nossos valores, quando há transparência suficiente para seguir adiante e quando é necessário recusar um trabalho que não faz sentido”. Conforme o jornalista, considerando o contexto de um setor que “aprendeu a vender qualquer história”, a publicação devolve um sentido de responsabilidade e mostra que a ética é uma prática diária.

Integridade, transparência e propósito

Para o empresário, a discussão marca o início de uma transformação estrutural no setor. “Nos próximos anos, esperamos ver um mercado mais atento, mais seletivo e menos disposto a aceitar incoerências como parte do jogo”, projetou. Nesse sentido, ele entende que as agências que se posicionarem com integridade ganharão relevância, as empresas serão pressionadas a agir com mais transparência e as narrativas baseadas em propósito real passarão a ter mais valor do que campanhas focadas apenas em performance.

Dessa forma, o espaço para greenwashing diminuirá conforme o padrão ético das relações for elevado e a Comunicação for reforçada como uma força capaz de influenciar escolhas, comportamentos e modelos de negócio. “No fim das contas, essa mudança beneficia não só o mercado, mas a sociedade inteira, porque a Comunicação responsável é a base de qualquer futuro verdadeiramente sustentável”, finalizou. O Manual de Integridade Coletiva pode ser acessado em inglês e português neste link.

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