O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) passou por mais um ano travando intensas batalhas pelos direitos da categoria. Sob a gestão de Laura Santos Rocha, que em 2025 foi reconduzida ao cargo de presidente da entidade, uma das principais lutas foi contra a precarização da área. “Também tratamos de questões relativas à disseminação de informações falsas, à judicialização do Jornalismo, aos ataques à liberdade de imprensa e ao exercício profissional, inclusive casos específicos de gênero, e, mais recentemente, às transformações tecnológicas”, enumerou.
De acordo com Laura, a precarização da profissão decorre de vários fatores: “Contratações feitas de forma a burlar a Convenção Coletiva e a jornada de trabalho específica da profissão; a emissão indiscriminada de registros profissionais; a inexigência de diploma; e, ainda, a discussão sobre a ‘pejotização’ no Supremo Tribunal Federal (STF), que afeta grande parte dos profissionais de Comunicação”. A presidente enxerga com preocupação as contratações que são mascaradas por CNPJs para fugir das obrigações da CLT.
O uso da Inteligência Artificial (IA) também está no radar do sindicato. “Gera preocupação tanto quanto aos postos de trabalho como em relação à qualidade do Jornalismo profissional e da informação que chega à sociedade”, pontuou. Ainda assim, o 2025 da entidade não foi feito só de adversidades. Laura avaliou que foi um ano de reforço do protagonismo feminino na categoria. Assim como o Sindjors, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) também reconduziu ao cargo sua presidente, Samira de Castro.
Ainda foi possível aumentar a periodicidade do jornal Versão de Jornalistas. “Não é só um meio de Comunicação importante com a categoria, mas também uma forma de mostrar o ponto de vista do Sindjors para a sociedade, destacando pautas como a do meio ambiente, em especial neste ano de COP 30, que ganhou inclusive um suplemento especial”, argumentou.
Negociações
Para a presidente do Sindjors, “a transição democrática e o fortalecimento do trabalho que vem sendo realizado nos últimos anos, no sentido de sanear a entidade, são algumas das principais conquistas e avanços da gestão que se encerrou e que foi reconduzida para mais três anos”. Outro êxito ocorreu nas negociações da Convenção Coletiva de Trabalho 2025/2026. “Mais uma vez foi um processo difícil, em que foi garantido o reajuste da inflação do período e a manutenção das cláusulas sociais, anualmente ameaçadas durante o processo negocial”, afirmou.
De acordo com a dirigente, um dos objetivos que jamais deixará de ser perseguido é o aumento real. Em 2025, foi possível acordar uma reposição dentro da inflação, além da manutenção de todos os direitos adquiridos e cláusulas sociais, bem como a ampliação de alguns. “É preciso lembrar que a negociação havia iniciado com a proposta de apenas 80% do INPC, e chegamos a 100%”, comentou. Ela revelou que o acordo contou com uma estratégia, desenvolvida junto à Fenaj, por meio da qual foram apresentados dados evidenciando que nenhum sindicato do Brasil havia fechado acordo com aumento menor que a inflação.
Laura ainda celebrou ter sido possível incluir pontos não pecuniários, o que permite a ampliação do diálogo e, futuramente, o aumento dos benefícios voltados à saúde e à qualidade de vida. “Temos o compromisso de dialogar por meio de comissão paritária que deverá se reunir e antecipar conversas que normalmente começam apenas na data-base”, destacou.
Além disso, em 2025 o sindicato também seguiu passando pelo processo de organização financeira que, embora não seja tranquilo, é necessário e vital para que a instituição possa ser mais eficiente, respondendo melhor às demandas dos jornalistas. “Assim, neste ano conseguimos finalizar parcelamentos antigos, que aos poucos vão liberando a entidade para que possa cumprir sua atividade-fim de forma cada vez mais plena”, salientou.
União
Com eleições gerais se aproximando, Laura prevê que 2026 será de atuação na proteção dos profissionais da imprensa. “Além de todas as lutas trabalhistas já citadas, temos grande preocupação com relação à integridade física das e dos jornalistas”, pontuou. Outro cuidado está relacionado ao uso da IA e da disseminação de informações falsas: “Tudo isso prejudica o Jornalismo, a democracia e a sociedade”.
Para o próximo ano, a campanha unificada com a Fenaj e os demais sindicatos será reforçada. E além da presença institucional no site, no jornal e nas redes sociais, a entidade também planeja o relançamento do seu podcast, que agora se chamará ‘Versão de Jornalistas’ e será gravado e editado em parceria com o Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários).
Laura garantiu que o Sindjors estará ainda mais atento a todas essas pautas, mas que ter a categoria mais próxima é necessário para dar mais força às reivindicações. “Reforçamos, portanto, o convite para que todas e todos não apenas se filiem mas também se engajem, acessem o site, as redes, compartilhem conteúdos com colegas, levem as informações de seus locais de trabalho às e aos delegados eleitos para que possamos atuar até mesmo de forma preventiva e termos os avanços esperados”, finalizou.