A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) anunciou, na última terça-feira, 3, a implementação de um ‘Manual de Boas Práticas Antirracistas na Comunicação Digital’ em seus canais institucionais. A iniciativa integra e amplia a política interna de equidade racial da instituição, com o objetivo de combater estereótipos, discursos discriminatórios e fortalecer a diversidade nas narrativas produzidas pela universidade. O documento completo pode ser visto neste link.
As recomendações são resultado de um trabalho colaborativo entre a Rede Jornalistas Pretos e o Instituto Peregum. Logo, traz diretrizes para orientar profissionais, setores da Comunicação e editoriais sobre como produzir conteúdo que respeite a pluralidade racial da sociedade brasileira. Além disso, o objetivo é garantir voz e protagonismo a grupos marginalizados.
Princípios incorporados
– Representação visual anti eurocêntrica: escolha de imagens e elementos visuais que reflitam a diversidade cultural e étnica, em vez de reforçar apenas padrões europeus.
– Garantia de protagonismo: assegurar que pessoas negras sejam retratadas como protagonistas de suas próprias histórias, e não reduzidas a papéis secundários ou estereotipados.
– Respeito à auto identificação: reconhecer e acolher a forma como as pessoas se definem em termos de raça, gênero e etnia.
– Banco de fontes diversificado: ampliar o uso de especialistas negros, indígenas e de outros grupos sub-representados nas entrevistas e reportagens.
– Abordagem crítica em pautas sensíveis: evitar a reprodução automática de estereótipos, especialmente em coberturas policiais e de violência.
– Uso ético de imagens sensíveis: publicar fotografias e vídeos com cuidado contextualizado.
Construção coletiva e apoio institucional
A elaboração e adoção do manual envolveu não apenas jornalistas e estudantes negros do Rio Grande do Sul, mas também recebeu apoio de entidades como o Sindicato de Jornalistas Profissionais do Estado (Sindjors), a Associação Rio-Grandense de Imprensa (ARI) e a Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico/ Ufrgs), reforçando o caráter coletivo do processo. Na Universidade, acredita-se que a expectativa é que essa iniciativa não apenas transforme a Comunicação institucional da Ufrgs, mas também contribua para um ambiente acadêmico mais inclusivo e representativo, servindo de exemplo para outras instituições educacionais e para o jornalismo no Brasil.