O sargento Manoel Raymundo Soares, personagem principal do “Caso das Mãos Amarradas”, um dos episódios políticos de maior repercussão no Rio Grande do Sul durante o período da ditadura militar, será eternizado em memorial. Um grupo de integrantes do Movimento de Justiça e Direitos Humanos lidera a ação pela instalação do monumento e visitou hoje o presidente da Assembleia Legislativa, Adão Villaverde, para solicitar o apoio na divulgação do relatório da CPI ocorrida na Casa logo após a morte do homenageado. A publicação do relatório é datada de 30/06/1967 e o responsável pela relatoria foi o deputado Airton Barnasque.
O ex-deputado estadual Rosa Flores, o ex-deputado federal constituinte Jorge Uequed e o presidente do movimento, Jair Krishke relataram que no mesmo dia em que será fundado o memorial, no próximo dia 26, ocorre, pela manhã, a Caravana da Anistia, promovida pelo Ministério da Justiça, que trará ao prédio da Faculdade de Direito da Ufrgs, às 10h, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, e a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário. O local e horário exatos para o lançamento do memorial ainda não estão confirmados, mas eles afirmam que será logo em seguida da Caravana, interligando os dois eventos, provavelmente às margens do Rio Guaíba.
Vítima da ditadura, Manoel Raymundo Soares foi preso, torturado e assassinado por agentes da repressão. O corpo do sargento foi encontrado em 24 de agosto de 1966 no Rio Jacuí com as mãos amarradas nas costas, e por este motivo o assassinato ficou conhecido como “O Caso das Mãos Amarradas”. Uequed salientou a importância de os parlamentares estaduais estarem presentes no dia 26, além da divulgação impressa do documento. “Esse foi o primeiro caso de tortura do país que culminou com uma CPI Parlamentar. Recuperar esse conteúdo é recuperar a história dessa Casa”, declarou.