Após a realização de oito ‘Anuários de Investimento do Rio Grande do Sul’, o Jornal do Comércio apresentou os resultados da iniciativa nesta quarta-feira, 28, no auditório do Centro de Integração Empresa Escola do Rio Grande do Sul (CIEE – RS), no Centro Histórico de Porto Alegre, por meio de um painel. Empresários e autoridades estiveram presentes no encontro, que contou com a participação do CEO do Hospital Moinhos de Vento, Mohamed Parrini, e do CEO da Tellescom Semicondutores, Ronaldo Aloise Júnior, e foi mediado pelo editor-chefe do JC, Guilherme Kolling.
Dentre as autoridades, estiveram no evento Rafael Prikladnicki, presidente da Invest RS (agência pensada para articular oportunidades, conectar empreendedores e abrir portas para investimentos em solo gaúcho); Caio Tomazeli, secretário de Comunicação do Estado do Rio Grande do Sul; e Betina Worm, vice-prefeita de Porto Alegre. Eles subiram ao palco do auditório após a abertura do diretor-presidente do Jornal do Comércio, Giovanni Jarros Tumelero, que aproveitou o momento para anunciar a mudança de sede do jornal para o Parque Científico e Tecnológico da Pucrs (Tecnopuc).
Pelo olhar da Saúde
Mantido pela Associação para Manutenção do Hospital Moinhos de Vento, uma associação civil sem fins lucrativos, a instituição de saúde, localizada em Porto Alegre, foi fundada em 1927 por imigrantes alemães. CEO do centro de saúde desde 2007, o carioca Mohamed Parrini começou o discurso falando que estava “muito contente” em estar presente em um evento com uma “plateia tão seleta”.
Ao dar início ao tema do encontro, opinou que “as transformações são forjadas a partir das crises”, e, por isso, para ele, “o que faz o Rio Grande do Sul ser forte, não são as facilidades, mas as dificuldades”. Conforme Mohamed, o maior ativo que há aqui são as pessoas.
Apesar disso, entende que não é um local fácil, pois se encontra longe dos demais estados e, até mesmo, países. “Então, precisamos conectar ao Estado. Isso não é um tema do Rio Grande do Sul: é nacional. Faltam porto e ferrovia. Precisamos de um lugar que a logística favoreça”, abordou.
Pelo olhar da Tecnologia
Empresa de encapsulamento e testes de chips, a Tellescom Semicondutores está investindo R$ 1 bilhão para construir fábricas em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O projeto visa criar um polo de microeletrônica com foco em Internet das Coisas (IoT) e no setor automotivo, com o intuito de empregar mil profissionais diretamente e três mil indiretamente até 2029.
Definindo-o como “um projeto do futuro”, o CEO da organização, Ronaldo Aloise Júnior, começou falando que o mais importante em uma iniciativa de semicondutores é a sustentabilidade e gerar prosperidade. Para começar, a área precisa ser sustentável pois necessita de um ar e água mais limpos. “Então, é um projeto onde, por natureza, a nossa indústria limpa o ambiente”, contou.
Em relação à promoção do desenvolvimento, salientou que é uma característica dos empresários. “A nossa equação financeira e de investimento visa gerar prosperidade, até porque descobrimos que o planeta não tem outro para destruir, não é? Então, nós temos uma responsabilidade muito grande pela frente”, manifestou.
Outra medida citada por Ronaldo diz respeito a ampliar o acesso à tecnologia entre públicos sem formação técnica específica. “Tomamos a decisão de fornecer quatro fábricas em 10 anos. Sempre no sentido de gerar prosperidade, a trilha de capacitação é a mais importante”, apontou, ao dizer que primeiro fizeram a trilha de negócio e agora partirão para a implantação da produção.
Pontos de reflexão
Ao dar início ao painel de fato, Kolling questionou ao CEO do Hospital Moinhos de Vento o que o Rio Grande do Sul precisa para atrair mais investimentos. Na visão de Mohamed, o Estado tem talentos naturais e tem o DNA empreendedor. Contudo, preocupa-se hoje com os jovens que almejam deixar o local.
“É uma questão geracional, uma transferência de riqueza que virá. Eu gostaria que esses jovens ficassem aqui, estivessem qualificados e quisessem investir para gerar um local com mercados financeiro, educacional e de Saúde. Isso envolve educação intergeracional”, declarou.
Após, Kolling perguntou ao CEO da Tellescom Semicondutores quais são os fatores que podem ajudar o Rio Grande do Sul a trazer mais investimentos. Ronaldo, por sua vez, afirmou que há muita oportunidade no Estado e há recursos disponíveis no mercado esperando para serem investidos.
“O objetivo agora é, efetivamente, trabalhar em um estado que conseguiu ter esse mínimo de estrutura e seguir investindo nela – como em logística e educação”, avaliou, ao finalizar dizendo que o Rio Grande do Sul “tem condições de botar a ‘malinha’ embaixo do braço e ir mundo afora vendendo o estado”.