Panorama

Leitura dramática de texto censurado celebra digitalização de acervo do Teatro de Arena

A Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), por meio do Teatro de Arena e do Departamento de Acervo, disponibilizará, de forma on-line, os textos teatrais censurados durante o período da ditadura militar de 1964. Para celebrar o feito, será realizado um evento com leitura dramática de um dos conteúdos. Com entrada gratuita, o evento acontecerá amanhã, 11, às 19h, no Teatro de Arena (Avenida Borges de Medeiros, 835, na Escadaria do Viaduto da Borges – bairro Centro Histórico), em Porto Alegre. Os materiais serão publicados após o encontro neste link.

‘Quem roubou meu Anabela?’, escrito em 1972 por Ivo Bender foi o documento escolhido para ser dramatizado. A ação será dirigida por Rodrigo Marquez e terá a participação dos artistas Aurea Baptista, Bruno Fernandes, Lisiane Medeiros e Marcelo Ádams. O texto, bem como a coleção que será veiculada, integra o Acervo Sonia Duro. A digitalização começou em setembro de 2022 a fim de preservar e democratizar o acesso a estes registros. 

Conforme a secretária de Estado da Cultura, Beatriz Araújo, a preservação do patrimônio cultural e da memória no Rio Grande do Sul é parte importante do trabalho da pasta. “Com as novas ferramentas digitais, temos avançado muito no sentido de facilitar o acesso do público a documentos, imagens e materiais que permitem conhecer e valorizar nossa história, arte e cultura”, comemora. 

As manifestações dos censores da época, anotações dos autores ou intérpretes teatrais também compõem o material. Desta forma, permite ao público reconhecer e acompanhar o processo de montagem de uma peça e o funcionamento da censura. No acervo há textos de dramaturgos consagrados e de menos conhecidos, o que permite uma visão mais ampla do ofício teatral no período da ditadura. 

Mais de 40 mil itens, que totalizam 22GB de espaço em disco, foram digitalizados até o momento. No repositório foram registrados 636 escritores, os quais produziram 1.231 textos. Este número pode variar, pois em alguns casos há apenas o certificado de censura, não a obra propriamente. Os profissionais com mais publicações na coleção são: Sergio Ilha (com 28 textos), Carlos Carvalho e Bertold Brecht (ambos com 17 textos cada). De acordo com Alexandre Veiga, arquivista responsável pela digitalização do acervo, um dos objetivos para a próxima fase do trabalho é fornecer informações sobre os autores das peças teatrais e mais detalhes sobre os textos. 

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