Com o objetivo de fazer um alerta para o Poder Público e demais cidadãos de Lajeado, a estagiária Caroline Silva e a jornalista Kassieli dos Santos, do jornal O Informativo do Vale, publicaram uma matéria nesta segunda-feira, 21, sobre a situação enfrentada por deficientes visuais e cadeirantes nas ruas da cidade. Uma com os olhos vendados e a outra em uma cadeira de roda, as repórteres vivenciaram calçadas com problemas, falta de piso tátil e demais obstáculos.
Em relato, a jornalista Caroline escreveu que, diferentemente da rotina diária de repórter, que exige ser ágil, escrever e questionar, foi preciso mais que isso para fazer esta reportagem. “Foi necessário me colocar no lugar de alguém e sentir, minimamente, o que é ser um deficiente físico. De longe pensei que seria somente sentar na cadeira e andar ao seu lado, mas não. Me senti totalmente dependente”, registrou.
Ela também evidenciou que precisou fazer muito esforço para se locomover com a cadeira e percebeu que não sabia conduzi-la para o centro da calçada. “Também quase cai descendo da calçada para a rua, e tive medo, então, coloquei os pés no chão. Foi aí que me perguntei: e o Douglas? Como ele faz quando quase cai por conta da falta de acessibilidade?”, questionou, mencionando um cadeirante que acompanhou na reportagem. “Precisei, assim como ele, realizar o percurso pelo meio da rua, e me senti ainda mais insegura pela quantidade de carros que passavam ao meu lado. A sensação é de que eu seria atropelada”, relatou.
Já Kassieli, informou que, de olhos vendados, deparou-se sem um dos sentidos. “Sem perceber, aumentei o volume de minha voz. A mão que não segurava a bengala sabia o trabalho a fazer e a outra passou a estar à frente de meu corpo para afastar qualquer obstrução no caminho”, contou. Insegura, falou que pisava devagar e, mesmo com a imagem do local na memória, sentiu-se perdida. “Quando cheguei até a lixeira vibrei. Continuei a caminhar. As colegas que me acompanhavam informaram que estava no meio da rua e precisava voltar. Mas eu poderia jurar que estava na calçada.”
A estagiária comentou que chegou a perder a noção do espaço e estava suscetível. “Senti na pele o medo e a ansiedade com a probabilidade de cair ou de ser atingida por um carro. Experiência em um mundo sem cores mas repletos de sentimentos”, finalizou.
Caroline Silva | Crédito: Lidiane Mallmann