O Sindicato de Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors) e a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) tornaram pública uma nota de repúdio à intimidação sofrida pelo comunicador Maicon Schlosser, do portal Fronteira 360, de São Borja. A manifestação ocorreu após a publicação de reportagens que trataram de mortes registradas durante ações da Brigada Militar no Estado. Segundo as entidades, o trabalho seguiu critérios de apuração responsável e interesse público.
Conforme o documento, após a divulgação das matérias, o repórter passou a receber mensagens privadas com conteúdo agressivo, ofensivo e intimidatório. As comunicações teriam sido enviadas por um indivíduo que se apresenta como sargento da Brigada Militar. Entre os registros estariam ataques pessoais, xingamentos e incentivo ao confronto, caracterizando tentativa de constrangimento relacionada diretamente ao exercício profissional.
Na avaliação do Sindjors e da Fenaj, críticas fazem parte do debate democrático, mas ameaças, intimidação e violência ultrapassam qualquer limite aceitável. As associações destacam que esse tipo de conduta, especialmente quando associada a alguém que se identifica como agente da segurança pública, representa afronta à liberdade de imprensa, ao direito à informação e aos princípios do Estado Democrático de Direito.
O posicionamento também reforça que a atuação das forças de segurança deve estar baseada na legalidade, no respeito aos Direitos Humanos e na transparência. Ao final da nota, eles manifestam solidariedade ao profissional intimidado, reafirmam apoio irrestrito ao livre exercício do Jornalismo e informam que já adotam medidas institucionais junto aos órgãos competentes para garantir apuração rigorosa dos fatos e eventual responsabilização, caso a autoria das mensagens seja confirmada.
Confira a nota das entidades na íntegra:
O Sindicato de Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SindJoRS) e a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) vêm a público repudiar com veemência a intimidação sofrida pelo jornalista Maicon Schlosser, do portal Fronteira 360, de São Borja (RS), em razão do exercício legítimo de seu trabalho profissional.
Nos últimos dias, o veículo publicou reportagens sobre mortes ocorridas em ações da Brigada Militar no Rio Grande do Sul, incluindo um caso recente registrado em Santa Maria, envolvendo um homem em surto que morreu durante uma abordagem policial. As matérias foram produzidas com base em apuração responsável, informações verificadas e depoimentos de familiares, cumprindo rigorosamente os preceitos éticos do jornalismo e o interesse público.
Após as publicações, o jornalista passou a receber mensagens privadas de conteúdo agressivo, ofensivo e intimidatório, enviadas por um indivíduo que se identifica alegadamente como sargento da Brigada Militar. As mensagens contêm ataques pessoais, xingamentos e incitação ao confronto, caracterizando uma tentativa de intimidação em função do trabalho jornalístico realizado.
O SindJoRS e a Fenaj ressaltam que críticas fazem parte do debate democrático, mas ameaças, intimidação e violência simbólica, especialmente quando partem de alguém que se apresenta como agente da segurança pública, são absolutamente inaceitáveis e representam grave afronta à liberdade de imprensa, ao direito à informação da sociedade e ao Estado Democrático de Direito.
A atuação das forças de segurança deve estar pautada pelo respeito aos direitos humanos, à legalidade e à transparência, jamais pelo constrangimento ou tentativa de silenciamento de jornalistas.
O portal sempre noticiou matérias de cunho informativo sobre Brigada Militar e outras forças de segurança, ressaltando o importante papel destes para a segurança pública e no combate ao crime e, em nenhum momento, dirigiu críticas pessoais à corporação.
As entidades manifestam solidariedade ao profissional intimidado, reiteram seu apoio irrestrito ao livre exercício do jornalismo e informam que já estão adotando as medidas institucionais cabíveis junto aos órgãos competentes, cobrando apuração rigorosa dos fatos e responsabilização, caso confirmada a autoria das mensagens.
Intimidar jornalistas é atacar a democracia.
Sem liberdade de imprensa, não há sociedade livre.