Perfil

Anilson Gantes da Costa: Um acervo político

 Ao revelar suas origens, Anilson Costa faz questão de frisar que faz parte da única família que existe com sobrenome ‘Gantes’ no Brasil. Natural de Bagé, o jornalista veio para Porto Alegre ainda adolescente, devido à carreira de militar do pai. Apesar das dificuldades iniciais de adaptação na capital, hoje, depois de mais de 30 anos, já se considera um “porto-alegrense nato”. Na hora de entrar na faculdade, a decisão foi rápida: “uma profissão sem rotina”. Anilson conta que nunca teve nenhum pendor por alguma atividade, porém sempre esteve mais inclinado a cursar jornalismo por ser a que mais encaixava no seu perfil. “Era a única profissão que não me remetia à idéia de rotina, aquela coisa formal. E também pela minha timidez. Escrever era a forma que eu encontrava para expressar meus sentimentos. Aliás, eu resolvo toda a minha vida até hoje escrevendo”, brinca o jornalista. Começou em 1974 na faculdade de Jornalismo da PUCRS e levou seis anos para se formar, mas, mal tinha iniciado o curso, e já estava ele lá no mercado trabalhando na área. A primeira experiência foi como repórter policial no extinto vespertino da RBS, “Jornal Hoje”, em 1974. No mesmo ano, foi contratado para trabalhar na reportagem da editoria de esportes do também extinto Diário de Notícias. Pouco tempo depois, foi convidado para trabalhar na Folha da Manhã, da Caldas Júnior. Na empresa, atuou durante sete anos como repórter, subeditor e editor de polícia, tendo passado também pela TV Guaíba, pela qual conquistou o prêmio nacional de jornalismo Vladimir Herzog, na categoria televisão, com a reportagem-documentário "Libertação de Flávia Schilling no Uruguai". Em 1983, começou a trabalhar em Zero Hora, onde foi repórter da editoria de polícia, depois da geral e, por último, da política. Foi a partir daí que Anilson começou a se interessar pela área de marketing e comunicação política. Entre uma disputa e outra A primeira atuação em campanhas eleitorais foi na candidatura de Pedro Simon ao Governo do Estado, em 1986, na coordenação da área de rádio. “Foi aí que descobri que queria me especializar nisso. Como não existe uma escola que ensine comunicação política, fui em busca de conhecimento neste nicho. Montei um acervo só sobre o tema. A experiência era aprimorada a cada eleição que participava”, destaca. E não foram poucas campanhas realizadas. Talvez por isso, possa se considerar um veterano na política. Ele traz em sua bagagem experiências das campanhas de Antônio Britto (eleição para prefeito, em 1888, e governador do Estado em 1994,1998 e 2002), Cézar Schirmer (eleição para prefeito em 1992), Yeda Crusius (eleição para prefeito de Porto Alegre em 1996 e 2000) e José Fogaça (eleição para governador do Estado em 1990 e prefeito em 2004). Ao integrar a equipe de marketing da campanha do prefeito eleito José Fogaça, além da vitória, o trabalho também rendeu ao jornalista a indicação para o cargo de supervisor de Comunicação da Prefeitura de Porto Alegre. Na função, coordena a equipe da área de comunicação da administração municipal, onde seu único e exclusivo objetivo é “fazer com que o governo Fogaça se comunique bem com a cidade”, como enfatiza Anilson, destacando ainda que o desafio é seu grande projeto do momento. Paralelamente ao trabalho nas campanhas eleitorais, Anilson atuou também na assessoria de comunicação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS), durante os últimos cinco anos. Em 2004, esteve à frente da coordenação de jornalismo da Agência de Notícias da Assembléia Legislativa, de onde saiu para assumir o cargo na prefeitura. Do jornalismo ao teatro Anilson é separado, e por isto declara que no momento está solteiro. Porém, novos relacionamentos são sempre bem-vindos. “Os affairs são importantes, necessários e insubstituíveis”, diz ele, com um sorriso irônico. Anilson tem duas filhas, Ana Lígia, de 19 anos, do primeiro casamento, e Luciana, de 8 anos, fruto da segunda relação. Os finais de semana são dedicados aos programas com as filhas e os pais, que moram em um sítio em Gravataí, onde a família se reúne para descansar e relaxar. Lá, Anilson tem um canto só para ele destinado para guardar seu acervo de livros, CDs e DVDs, já que não dispõe de muito espaço no apartamento em que mora em Porto Alegre. Na cozinha? Só churrasco. E a gastronomia não é o seu forte mesmo, pois Anilson brinca ao dizer que se considera um “cozinheiro bissexto”. “Eu cozinho uma vez a cada quatro anos”, explica, dando uma boa gargalhada. Como atividade física, pratica caminhadas, geralmente nos finais de semana. “Este é um dilema na minha vida. Gostaria de caminhar durante a semana também, mas a falta de tempo me impede”, reclama ele. Viagens e passeios também fazem parte da programação do jornalista nas horas de folga. Entre os diversos lugares visitados, destaca os dois mais adorados: Londres e Montevidéu. “Desde menino, eu me identifico muito com Montevidéu, pelas minhas raízes, infância e cultura. Sempre digo para os meus amigos que é a cidade onde gostaria de passar os últimos anos da minha vida”. Entre todas, a maior paixão do jornalista é a música. Além de dispor de uma grande coleção de CDs e livros sobre música, Anilson toca violão desde os 14 anos. “Eu sou um estudioso da música. Procuro conhecer como são feitas as composições e os artistas da Música Popular Brasileira, eles são grandes poetas populares”, diz. Nas preferências, o único gênero musical que discrimina é o sertanejo. Além de MPB, as mais escutadas por ele são Jazz, Pop e tudo que seja dos Beatles. Nas horas de lazer, Anilson também gosta de ler, mas com um detalhe: preferencialmente livros em espanhol. O tato com o idioma foi herdado de sua avó, que era uruguaia e incentivava o aprendizado da língua espanhola. Na cabeceira, está no original a obra “Vivir para contarla”, uma espécie de autobiografia de Gabriel García Márquez. O jornalista revela que um de seus planos para o futuro é a publicação de um livro sobre a linguagem política, no qual mostrará as mudanças dos discursos e da comunicação em si no meio político desde a década de 80. “Já comecei a pesquisar e estruturar o material, mas não tenho uma previsão de data ainda”, garante. Outro projeto de Anilson que está saindo da gaveta, este a curto prazo, é uma peça de teatro que está escrevendo. O trabalho trata do fim e recomeço da vida, com enfoque no plano da existência. “Eu já comecei, parei e recomecei a escrever a peça várias vezes. Mas este ano pretendo finalizá-la com certeza”, afirma. Prudência. Esta é a filosofia de vida de Anilson, que para tomar decisões e resolver problemas do dia-a-dia utiliza como referência “muita reflexão” antes de agir. “Por mais que seja ansioso, eu tento ser um sujeito prudente na hora de decidir”, confessa. Para ele, o segredo do sucesso está em procurar aprofundar e aperfeiçoar sempre a percepção. “A gente tem que ver como as coisas são e como elas acontecem em nossa volta. Se você não consegue perceber corretamente o que está acontecendo, se torna um burocrata. Temos que ter este senso cada vez mais apurado para poder ter algum prazer consigo mesmo”, aconselha Anilson.

Autor

Redação Coletiva

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